quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL

Venho apenas desejar a todos os amantes das Estrelas que cá vêm um Natal muito Feliz.
Desejo, do fundo do meu coração, que esta quadra seja vivida com muita Paz e muito Amor, na companhia de quem melhor nos faz sentir.
Um grande abraço a todos,
Carlos Capela

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - a descoberta da Radiação Cósmica de Fundo - 2

Karl Jansky foi (é!) o pai da Radioastronomia, mas outro passo decisivo foi dado pelos cientistas Arno Penzias e Robert Wilson, ambos a trabalhar nos Laboratórios Bell, que possuía uma antena de rádio de 6m, em forma de chifre, inicialmente projectada para detectar os sinais dos satélites-balão Echo, e que mostro na imagem a seguir, juntamente com os 2 cientistas.
Como curiosidade, o Echo consistia numa esfera de 66cm que, uma vez em órbita, era insuflada e transformava-se num globo de 30m de diâmetro capaz de reflectir ondas de rádio provenientes da Terra na direcção de um detector igualmente situado na Terra. Contudo, razões económicas levaram este projecto ao abandono, ficando a antena livre para se transformar num radiotelescópio com alguma precisão na localização de fontes de rádio cósmicas, até porque estava bem protegida de interferências de rádio terrestres.

Os Laboratórios Bell autorizaram os 2 cientistas a investir tempo no estudo das fontes de rádio celestes, mas antes disso eles preferiram estudar o seu telescópio... E ainda bem que assim foi!
O primeiro ponto a trabalhar era a identificação exacta do nível de ruído, tentando minimizá-lo.

Ruído é, basicamente, o sinal indesejável que influencia negativamente a recepção de uma onda electromagnética, seja de rádio, tv, ou outra qualquer. Quando a potência do ruído supera a potência do sinal, a comunicação sofre com isso.

Isso aplica-se à radioastronomia de várias formas, em especial no estudo dos sinais rádio das Galáxias. Quanto mais distante estiver uma Galáxia, mais fraco será o sinal rádio recebido na Terra. Nesses casos, a análise ao ruído é da máxima importância, uma vez que ele se pode sobrepor ao sinal.
Para verificar o nível do ruído, Penzias e Wilson apontaram a antena a uma zona do Céu menos provida de Galáxias e de onde todo o sinal recebido deveria ser ruído mas, ao contrário do que esperavam e para seu desapontamento, o nível do ruído recebido era muito grande.

Há 2 tipos de ruído: o externo e o inerente ao equipamento.
Para estudar o primeiro, chegaram a apontar o telescópio para Nova Iorque, uma grande cidade que poderia introduzir ruído nas comunicações, mas nada se alterou.
No caso do segundo, optaram por verificar todas as ligações e junções do equipamento, reforçando até coisas que à partida estavam bem, só para ter a certeza que nada falharia, mas nada se alterou.
E aqui começa a dar-se uma história curiosa, pois depararam-se com um casal de pombos que... bem... largava ali o produto da sua digestão. Por palavras deles, depositava ali "um material dieléctrico branco", que poderia ser o causador do ruído captado.
Agarraram os pombos, enfiaram-nos na gaiola Hav-a-Heart (na imagem em baixo) e mandaram-nos para os Laboratórios Bell de Nova Jérsia, a cerca de 50km de distância. Penzias e Wilson, cientistas abnegados, esfregaram a antena até ela ficar reluzente! Supostamente pronta para eliminar ruído! Mas os pombos encontraram o caminho de volta... com o consequente ressurgimento do "material dieléctrico branco" por toda a parte...

(Quem já foi vítima de um pombo sabe quão desagradável isso pode ser...)

Solução encontrada e relatada na 1ª pessoa por Arno Penzias:
"Havia um criador de pombos disposto a estrangulá-los para nós, mas pareceu-me mais humano abrir a gaiola e matá-los a tiro." Pois, esta parte não gostei...
Depois de mais de um ano de limpezas e cuidados com o radiotelescópio, o nível de ruído reduziu.
Sabiam que parte do que restava se devia a efeitos atmosféricos e outra ao formato da antena, em forma de chifre, mas não podiam eliminar estes factores.

Havia algo mais...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - a descoberta da Radiação Cósmica de Fundo - 1

Ok, com atraso relativamente ao que prometi, mas aqui fica o primeiro post sobre a descoberta da Radiação Cósmica de Fundo. Também acho que é das histórias mais engraçadas da Física, porque envolve várias pequenas histórias, no mínimo, curiosas.

Como em tudo na vida, o factor sorte decide o nosso destino. Mas também é verdade que a sorte se procura. Foi isso que fez Karl Jansky primeiro, e Arno Penzias e Robert Wilson mais tarde. Mas vamos por partes...

Antes de mais, convém dar um cheirinho do contexto em que estas descobertas se inseriram.
Em 1928, a empresa de comunicações AT&T iniciava-se no mundo das comunicações transatlânticas, e queria garantir o monopólio do mercado, pelo que contratou os Laboratórios Bell para fazerem o estudo das fontes naturais de ondas rádio que provocavam interferências nas comunicações de longa distância, e com isso originavam um ruído crepitante e permanente. Esta tarefa foi parar ao colo de Jansky, um jovem de 22 anos.

É, também, importante saber o que é uma onda rádio. De forma muito resumida, pode classificar-se a faixa das ondas rádio como uma de várias do espectro electromagnético, como se vê na figura.


O espectro varia de forma inversa em frequência e comprimento de onda. Como as ondas rádio têm relativamente baixa frequência, vão ter grandes comprimentos de onda, que variam de milímetros para as microondas até muitos metros no caso de sinais AM.

Ora, Jansky construiu uma antena capaz de captar comprimentos de onda de 14,6m, e passou os meses seguintes agarrado à sua obra, que mostro na imagem seguinte:


Era uma enorme estrutura que girava 3 vezes por hora sobre as rodas de um Ford (que se vêem na imagem), para captar sinais vindos de várias direcções. Não é de admirar que os miúdos fossem para lá mal Jansky virava costas... Isso baptizou a antena de "carrossel de Jansky". Líder mundial na categoria dos mais lentos, claro...

Jansky continuou a estudar as interferências recebidas, e classificou-as em 3 tipos:
  1. Devidas a trovoadas próximas e ocasionais;
  2. Devidas a trovoadas longínquas e mais fracas;
  3. Outros sinais mais fracos, que classificou do "tipo sibilante, fracos e de origem desconhecida".
Este tipo de ruído não influiria nas comunicações transatlânticas, a base do seu trabalho, mas Jansky decidiu continuar a investigar esta desconhecida fonte de ruído.
Recolheu alguns dados, entre os quais o facto de a periodicidade dos máximos de intensidade era de exactamente 23h56m (a duração do dia sideral, que seria motivo de outro post, e que se formos precisos é de 23h56m04s). Basicamente, para ajudar a contextualizar, pode dizer-se que o dia sideral é o período de rotação da Terra relativamente ao resto do Universo.

Mais estudos revelaram que a fonte desta emissão rádio era o centro da Galáxia, zona de intensos campos magnéticos. Mal a notícia foi publicada, mesmo com o aviso de Jansky de que as fontes eram naturais, ele recebeu inúmeras cartas de pessoas que diziam que eram tentativas de contacto de extra-terrestres...
A mente humana no seu melhor...

O importante é que estava fundada a RADIOASTRONOMIA, o que abria as portas à investigação fora da faixa da luz visível.

sábado, 13 de novembro de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - o eco do Big Bang

Neste ponto, já estamos em pleno século XX, com as inovações tecnológicas a sucederem-se em catadupa, e com isso a originar sucessivas alterações nas formas de pensar dos vários cientistas.
Um dos que o fez foi Einstein. Mudou de opinião e passou a apoiar o modelo do Big Bang, ao contrário de vários outros cientistas, que continuaram a dizer que o Universo era estático e eterno. Por exemplo, um facto que os apoiantes do modelo do Big Bang não conseguiam explicar era a juventude do "seu" Universo, quando comparado com a idade das Estrelas, mas isso só seria explicado na segunda metade do século.

O debate cosmológico continuava no meio científico, e várias vertentes foram sendo abordadas.
Uma das quais baseava-se no estudo da Física Atómica, na determinação da quantidade dos elementos no Universo, no seu processo de formação, e várias descobertas foram sendo feitas. Por exemplo:
Desvendou-se a estrutura atómica, com electrões, protões e neutrões;
Determinou-se a origem da energia solar, por fusão de dois núcleos pequenos;
Descobriu-se que o Universo actual é constituído por cerca de 90% de Hidrogénio e 9% de Hélio...

Por um lado, esta composição do Universo era compatível com o modelo do Big Bang, mas por outro lado o Big Bang não explicava a formação de átomos mais pesados que o Hélio. Vivia-se uma época em que a força da especulação era maior que a força dos factos, e a eterna relutância do Homem em aceitar a mudança forçou um conjunto de cientistas (Hoyle, Gold e Bondi) a criar o Modelo do Estado Estacionário.

O que dizia este modelo? Basicamente, que embora o Universo se encontre em expansão (facto que Hubble provou), é criada nova matéria nos espaços que se abrem entre as Galáxias que se afastam. Ou seja, o argumento é algo como:
"O Universo evolui, mas está inalterado! Logo, é e sempre será infinito!"
E assim se satisfazia a necessidade de não mudança do Homem, conjugada com a prova irrefutável que Edwin Hubble tratou de arranjar, com os desvios para o vermelho na análise ao espectro das Galáxias.

Por esta altura, outros três nomes mostraram que nem todos os Homens pensam da mesma forma.
Gamow, Alpher e Herman previram que o Big Bang teria emitido um eco luminoso quando o Universo tinha 300 mil anos, possivelmente ainda detectável. Na altura, ninguém procurou esse eco, mas hoje sabemos que ele existe.
Chamamos-lhe Radiação Cósmica de Fundo, e possivelmente, nem que tenha sido só num documentário ou na leitura de um qualquer artigo científico, muitos já ouviram o seu nome...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - a Lei de Hubble

Paralelamente, outras descobertas foram sendo feitas, e o seu estudo continuado conduziu à Lei de Hubble que, como vamos ver, foi fundamental para a ideia de um "início", um Big Bang!

Com o aumento das dimensões dos telescópios, começou a ser possível medir as distâncias às Estrelas com muito maior precisão.
No século XVIII, Herschel mostra que o Sol faz parte de um grupo de Estrelas, que é a nossa Galáxia, a Via Láctea, que na altura se pensava ser a única. Mas Messier, ocupado na elaboração do seu catálogo, vai observando várias manchas indistintas que não sabia correctamente identificar por serem completamente diferentes das Estrelas. Por isso mesmo, tomaram o nome de Nebulosas. Mas aí nasceu outra questão... elas estavam dentro ou fora da Via Láctea? Ou seja, o Universo teria mais Galáxias espalhadas?

A resposta chegaria em 1923, pela mão de Edwin Hubble, usando um dado descoberto em 1912 por Henrietta Leavitt, que no seu estudo das Estrelas variáveis cefeides mostra que o seu período de variação ajuda a calcular o seu brilho real, e com isso a distância a que se encontram. O Homem ganhou uma régua para medir o Universo!
Voltando a Hubble, ao identificar uma variável cefeide dentro de uma nebulosa pôde determinar que ficava muito mais longe que a Via Láctea, e que cada uma das inúmeras Galáxias detectadas na altura possuía milhares de milhões de Estrelas como o Sol!

Nasce aqui a Espectroscopia. Muito resumidamente, é o estudo do espectro de cada átomo, dependendo da absorção e da emissão da luz. Concluiu-se que as Estrelas se afastam ou aproximam de nós pela análise do efeito Doppler:
  • A luz de uma Estrela que se aproxima tem comprimento de onda menor (espectro desviado para o azul);
  • A luz de uma Estrela que se afasta tem comprimento de onda maior (espectro desviado para o vermelho).
Pois a maior parte estava a afastar-se, pois apresentava um desvio para o vermelho...

E é aqui que surge a Lei de Hubble, que mostra que existe uma relação directa entre a velocidade de uma Galáxia e a distância a que se encontra, postulando que se as Galáxias têm movimento de recessão, então:
  • Estarão mais distantes de nós amanhã do que estão hoje;
  • Ontem estiveram mais próximas;
  • Deve ter existido um instante no passado em que todas as Galáxias estiveram em cima de nós.
Estas observações levam-nos a acreditar num Universo primordial de pequenas dimensões e elevada densidade, a partir do qual se expandiu e continua a expandir.


Penso que a imagem resume numa imagem o que acabei de dizer.
A linha diagonal é uma interpolação dos pontos, que representam a detecção das Galáxias.

Isto poderia ser, na época, uma prova do Big Bang...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - Teorias do Universo

Ainda que Galileu tenha sofrido uma tentativa de silenciamento, as bases para a evolução no pensamento estavam lançadas. Aos solavancos, porque a mente humana é adversa à mudança brusca, mas aconteceu.

Seguiu-se um período em que surgiram teorias que defendiam que o Universo existira desde sempre e outras que defendiam que tinha sido criado, e os cosmólogos do século XX abordaram essa problemática.
Foram feitas várias experiências tendo essa questão como pano de fundo, entre as quais algumas que permitiram a Einstein postular a Teoria da Relatividade Restrita (segundo a qual o Espaço e o Tempo são flexíveis, constituindo uma entidade única) e a Teoria da Relatividade Geral (que complementa a teoria da gravitação de Newton, uma vez que se aplica a situações de gravidade extremas, como as provocadas pelas Estrelas).

No seguimento dos seus estudos, Einstein quis saber se a atracção gravítica poderia levar o Universo a contrair sobre si mesmo, introduzindo a constante cosmológica, que funcionava como a anti-gravidade que travava a expansão do Universo. Ele próprio admitiu que não gostava deste factor, porque não passava de uma forma de obter a teoria perfeita, o resultado esperado.
Einstein acreditava num Universo estático e eterno, mas essa visão não era partilhada por todos.

Friedmann e Lemaître propuseram a visão correcta de um Universo em expansão, mas uma vez que a voz de Einstein era muito mais respeitada, esta teoria estagnou na sua evolução. Ele mesmo disse algo como:
"Como castigo pelo meu desprezo pela autoridade, Deus tornou-me a mim próprio numa autoridade."

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - Eppur si muove!

Galileu defendeu o modelo heliocêntrico e provou a sua validade, usando o telescópio para mostrar que:
  • Júpiter tem satélites;
  • O Sol tem manchas;
  • Vénus tem fases.
Entretanto, Galileu escreveu o "Diálogo dos Dois Máximos Sistemas", em que 3 personagens conversam sobre as 2 teorias rivais. Salviati era um homem culto e defendia a teoria heliocêntrica. Simplício defendia o modelo geocêntrico e era um bobo. Sagredo era um mediador com opinião que defendia a mudança das mentalidades... Era um mero texto, mas era um texto acessível ao público, até porque foi escrito em Italiano e não em Latim, como era prática corrente. Galileu queria conquistar o público.

Mas as mentes não mudam facilmente... O astrónomo Francesco Sizi, ao ouvir falar falar dos satélites naturais de Júpiter, argumentou (?) assim:
"Os satélites são invisíveis a olho nu, e portanto não podem ter influência na Terra; por conseguinte, são inúteis e por isso não existem."
Belo argumento...

A própria Igreja tratou de forçar Galileu a retratar-se publicamente pelas suas acções e, em 1633, ao ser condenado a prisão domiciliária por tempo indeterminado, ouviu ajoelhado a sentença e murmurou, numa forma de manter a sua posição bem vincada, "Eppur si muove!" ("E no entanto ela move-se!").

domingo, 17 de outubro de 2010

OBSERVAÇÃO 16/10/2010

E O COMETA NÃO FUGIU!

Não haveria melhor forma de começar este post, uma pausa mais que justificada na História da Astronomia, para assinalar a captura da imagem do momento. O Cometa 103P/Hartley, assim chamado porque foi o 103º Cometa periódico a ser descoberto, precisamente por Malcolm Hartley, a 15 de Março de 1986, fez mais uma das suas passagens perto da Terra, e eu não o podia perder. Perto, é como quem diz aproximadamente 18 000 000 km...
Lá fomos os 3 de sempre, para o spot de sempre... As nuvens ajudaram (desapareceram todas) e o frio fez uma visita (o termómetro bateu os 6ºC). A Lua quis marcar presença, mas isso não impediu os 3 Caçadores de Estrelas de prosseguir a sua missão.

(Estou muito poético... não se preocupem, isto passa...)

Após observar a Lua, fazer uma visita a Júpiter com 3 das suas Luas visíveis, e antes de Orion nascer, fomos à caça do Cometa. Sabíamos que ele estaria entre Algol e Capella, mais próximo de Capella. Era preciso paciência e persistência. Após varrer o Céu e detectar uma mancha difusa que não era suposto estar lá, a máquina fotográfica fez o seu trabalho e captou o nosso alvo. Vejam-no a seguir, azul esverdeado, ao centro...
Festa na Freita!

Passámos, depois, algum tempo a observar outros corpos. Tive a curiosidade de apontar o telescópio à acabadinha de nascer Betelgeuse. Tão vermelha...
Observámos Andrómeda, Albireo (linda demais!), as Plêiades, 7 Tau, mas o melhor estava para vir, com a M42. A Grande Nebulosa de Orion no seu esplendor. Observada já é fantástica, mas em foto é do melhor que pode haver... Ora vejam como tenho razão:

Eram já horas de vir embora... 
Em breve terá de haver outra sessão, para dar continuidade a este sucesso.

Como sempre, os créditos das fotos em cima, vão para o Bruno Novo.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - de Kepler a Galileu

Com o seu trabalho, Kepler abriu as portas a uma nova era na Física dos Astros.
Para poder argumentar devidamente, juntando observações a factos, Kepler passou 8 anos a escrever o Astronomia Nova, que publicou em 1609, onde explanava exaustivamente o estudo e as suas conclusões, de tal forma que, a dada altura, escreveu:
"Se este fastidioso método de cálculo o aborrecer, tenha piedade de mim, que fui obrigado a repeti-lo pelo menos setenta vezes."
Contudo, a sua obra não foi bem recebida e algumas questões incomodavam a sociedade e os clérigos da época, sempre renitentes e tudo o que fosse contra a doutrina vigente, de tal forma que o clérigo e astrónomo David Fabricius escreveu uma carta a Kepler, onde dizia:
"Com a vossa elipse abolistes a circularidade e a uniformidade dos movimentos, o que me parece um absurdo tanto maior quanto mais profundamente penso nele. Seria muito melhor se ao menos pudésseis preservar a órbita circular perfeita, e justificar a vossa órbita elíptica com outro pequeno epiciclo."
Outra vez os epiciclos???
Com o insucesso do Astronomia Nova, Kepler desanimou e trabalhou em outras áreas até ser confrontado com a invenção do telescópio. E com ele, surgia no panorama Galileu Galilei, que, com as suas observações, provaria que Aristarco, Copérnico e Kepler estavam certos.

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Recomendo a procura do Cometa 103P/Hartley, o Cometa mais brilhante de 2010. Estará visível em Céus escuros durante o mês de Outubro. 
Se alguém estiver interessado em procurá-lo, diga-me e eu informo acerca da sua trajectória.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - os erros de Copérnico

Guilherme de Occam era um revolucionário filósofo inglês, que tinha algumas ideias radicais. Contudo, a mais conhecida acabou por ser a mais simples. Em Latim, escreveu "pluralitas non est ponenda sine necessitate", que quer dizer "a pluralidade não deve ser considerada sem necessidade". Occam ficou famoso pela sua máxima científica, a Navalha de Occam, segundo a qual a teoria mais simples é muito provavelmente a mais correcta.
Ora, isto favorecia Copérnico, mas foram precisas muitas provas físicas para a sua teoria vingar.
E essas provas só surgiram com Johannes Kepler e Tycho Brahé. Mas ao mesmo tempo que surgem provas palpáveis, vai desaparecendo parte da magia desta história bela, que é a do pensamento humano relativamente ao que o rodeia. Passou a ser menos Sonho e mais Física.
E Kepler presumiu, correctamente, que a base da teoria de Copérnico estava imprecisa nos seguintes pontos:

  1. Os planetas descrevem círculos perfeitos;
  2. Os planetas movem-se a velocidades constantes;
  3. O Sol está no centro dessas órbitas;

E provou que:
  1. Os planetas descrevem elipses;
  2. A sua velocidade varia constantemente;
  3. O Sol não está exactamente no centro das suas órbitas.
--- x ---

Ontem fui ver os U2.
Que é que isto tem a ver com Astronomia? Nada. Mas no Céu, no meio daquele concerto soberbo, brilhava o Rei Júpiter, esporadicamente a brilhante Fomalhaut e Capella... Também as Estrelas tinham de estar presentes numa noite assim.

sábado, 25 de setembro de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - De Revolutionibus

O Commentariolus era suposto ser um manifesto contra a visão da Astronomia vigente na época, e talvez por isso teve pouca repercussão na Europa pensante da época. Para provar que as suas previsões acerca do Universo estavam certas, Copérnico passou os 30 anos seguintes a refazer este documento, até o tornar um bem documentado manifesto de 200 páginas, com muito mais rigor matemático do que o primeiro.
Por várias vezes, pensou em abandonar a sua investigação, com medo de ser ridicularizado, e tinha motivos. Pouca gente acreditava nele, e Martinho Lutero chegou a dizer:
"Fala-se de um novo astrónomo que quer provar que a Terra se move e anda à volta, em vez do Céu, do Sol e da Lua, como se alguém que se movesse numa carruagem ou barco dissesse que estava na realidade parado e em repouso enquanto o chão e as árvores caminhavam e se moviam... O tolo quer virar toda a arte astronómica de pernas para o ar."
O tolo não era Copérnico...
E é aqui que entra Rheticus, um jovem alemão que nutria grande admiração pelo trabalho de Copérnico e o convenceu a deixar levar o seu manifesto para ser impresso, o que acontece em 1543. Contudo, um ano antes, Copérnico tinha sofrido uma hemorragia cerebral e estava já privado de muita da sua lucidez, acabando por ver o resultado do seu trabalho no último momento antes da sua morte.
De Revolutionibus Orbium Coelestium (As Revoluções dos Orbes Celestes) oferecia ao mundo vários argumentos em favor da teoria de Aristarco, mas apresentava 2 grandes mistérios.
Primeiro, o não agradecimento a Rheticus, que poderá ser entendido como uma tentativa de não melindrar a castradora mentalidade da Igreja Católica de então, mas que afastou Rheticus desta obra.
Segundo, o surgimento misterioso de um prefácio que se suspeita não ter sido escrito de origem, pois admite que os cálculos podem ter sido manipulados por conveniência. Classifica certos cálculos de "absurdos", e diz que a teoria de Copérnico "não tem de ser verdadeira, ou mesmo provável". Ora, não faz sentido que, após tanta luta, Copérnico fosse acabar por ceder no momento da publicação da obra, até porque no ainda existente manuscrito original, Copérnico escreve:
"Talvez apareçam tagarelas que, apesar de completamente ignorantes em matemática, se encarreguem de dar opiniões em questões matemáticas e, distorcendo gravemente algumas passagens da Escritura de acordo com os seus propósitos, se atrevam a encontrar falhas no meu trabalho e a censurá-lo. Ignoro-os ao ponto de desprezar as suas críticas como infundadas."
Um bocado diferente, não?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - o heliocentrismo

E eis que chega o abençoado Nicolau Copérnico. Para sermos precisos, Mikolaj Kopernik, visto que ele é de origem polaca.

Usando de um brilhante conjunto de deduções lógicas e sem medo de arriscar dar um salto qualitativo ao nível do pensamento, Copérnico tentou revolucionar mentes com a verdade de ser a Terra a mover-se em torno do Sol e não o contrário. Mas ele era pouco conhecido e facilmente foi desacreditado, até porque o modelo heliocêntrico ainda apresentava imprecisões que beneficiavam o complicadíssimo modelo de Ptolomeu e, tal como disse, era um completo desafio de lógica. Como se já não fossem problemas suficientes, a ortodoxia religiosa e científica reprimia o pensamento original, e as novas ideias tinham um bloqueio natural só por existirem, e logo à nascença.

Copérnico, como astrónomo amador (título que eu próprio me orgulho de ostentar!), estudou os movimentos dos Planetas e, antes de saber que o seu trabalho seria desacreditado na época mas valorizado mais tarde, elaborou um manifesto de apenas 20 páginas, que chocou o mundo científico, que se sentiu abalado pela sua visão (correcta!) do Cosmos. Esse manifesto chamava-se Commentariollus (Pequeno Comentário), foi escrito à mão, e circulou pela mão de pouquíssimas pessoas por volta do ano de 1514.

No Commentariollus, Copérnico defende a sua tese com base em 7 axiomas:
  1. Os corpos celestes não têm um centro comum;
  2. O centro da Terra não é o centro do Universo;
  3. O centro do Universo está perto do Sol;
  4. A distância entre a Terra e o Sol é insignificante quando comparada com a distância às estrelas;
  5. O movimento diário aparente das estrelas é o resultado da rotação da Terra sobre o seu próprio eixo;
  6. A sequência anual aparente de movimentos do Sol é o resultado da translação da Terra à volta do Sol; todos os planetas giram em torno do Sol;
  7. O movimento retrógrado aparente de alguns planetas é explicado meramente pela nossa posição como observadores numa Terra móvel.

Parto daqui no próximo post...

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Hoje fiquei maravilhado com a visão do Céu. O que tinha de especial? Tudo e nada.
Nada, porque estava belo como sempre.
Tudo, porque a simplicidade do brilho das Estrelas me arrasa. Eram tantas e tão brilhantes... É um privilégio ter Vega, Deneb, Altair, Betelgeuse, Rigel, Capella, Procyon e Sírio no mesmo Céu, sempre tão bem acompanhadas por um imponente Júpiter. E estas são só as detentoras dos papéis principais, porque Alnilam, Alnitak, Mintaka, Menkalinan, Tarazed e tantas outras são excelentes candidatas ao Óscar de melhor papel secundário...

Amo o Céu de Inverno, e basta olhar para Ele!

Como dizia Dante: "Os céus giram sobre ti mostrando-te as suas eternas glórias, mas os teus olhos limitam-se a fitar o chão."

Não perca tempo, contemple a beleza que se expõe diante de si...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - epiciclos

Ao ver-se confrontado com dificuldades ao explicar os movimentos retrógrados dos Planetas, Ptolomeu arranjou uma solução, mas pelo método errado. Em vez de estudar os factos e arranjar uma explicação para eles, arquitectou uma forma de responder ao problema encontrado, sem se preocupar com a sua veracidade. E chegou a uma solução, no mínimo... curiosa.

Engendrou um complicadíssimo sistema de círculos sobre círculos que pudesse justificar as observações. De facto, as observações confirmavam esse modelo, mas se se pensasse um pouco mais, se calhar iriam arranjar-se milhentas outras formas de o fazer. Melhor dizendo, era um modelo que explicava as observações, mas as observações não provavam o modelo.

Mas em que consistia?
Basicamente, tudo se justificava com base nos círculos. As órbitas dos Planetas eram circulares, com a Terra no centro. Os teológos encorajaram esta teoria, uma vez que estava de acordo com a Bíblia. Com a leitura que eles faziam da Bíblia, acrescento eu. Aliás, a Bíblia não é feita para se ler ipsis verbis o que lá está, mas sim para se entender todo um conjunto de símbolos que ela representa. Mas isso são contas de outro rosário... Mostro uma imagem representativa deste modelo que Ptolomeu arranjou. Eu ia dizer alucinou, mas vou respeitar as suas ideologias...

Tentando explicar... Todos os Planetas fariam a sua órbita sobre um círculo imaginário cujo raio seria considerado o deferente, e efectuando a sua trajectória na forma de pequenos círculos sobre si mesmo, chamados epiciclos. Ora, os raios do deferente e as velocidades de cada epiciclo podem ser ajustados de forma a ajustar a trajectória de cada Planeta... isto é arranjar um modelo e encaixá-lo de qualquer maneira na observação prática...

Para que o seu pseudo-modelo explicasse todas as observações, Ptolomeu introduziu o excêntrico e o equante, pontos imaginários. O excêntrico era um ponto imaginário próximo da Terra, que seria o verdadeiro centro do deferente. O equante era outro ponto imaginário, cuja influência contribuiria para a velocidade variável dos Planetas. Confuso/a? Não me espanta, eu tive de ler várias vezes coisas acerca disto para perceber. Mas não se preocupe, vou ter pena de si e não vou desenvolver este tema. Fica só uma imagem, para uma tentativa de explicação.

(Na imagem falta um x no excêntrico, mas não reparem...)

No próximo post caio na realidade de novo, e tropeço no heliocentrismo.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - o geocentrismo

Apesar de terem desenvolvido com tanta correcção os modelos de medição básicos que vimos anteriormente, a compreensão do Sistema Solar foi errada. Muito errada.
Mas pensemos... com apenas a observação visual dos eventos, e tendo a percepção de que é o Sol, a Lua, as Estrelas e os Planetas que se movem sobre as nossas cabeças, é normal pensar que estamos quietinhos, estáticos, e tudo se move à nossa volta... Ptolomeu fez um modelo do Sistema Solar que coloca a Terra no centro de tudo.




Mas foram detectadas algumas coisas que não batiam certo com este modelo. Por exemplo, o movimento retrógrado dos Planetas, de que Marte é o maior expoente, não era explicado por este modelo.

O que é o movimento retrógrado? Basicamente, é o movimento aparente de um Planeta, ao longo do céu, originado simplesmente pelo natural curso da sua órbita.
E aqui faço uma pausa até ao próximo post...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - dimensões do Sol

Lembra-se do método da unha que tapa a Lua, para determinar o seu tamanho?
Vamos usar o mesmo raciocínio, substituíndo a Lua pelo Sol e a unha pela Lua.
Contudo, este raciocínio só pode ser aplicado durante um eclipse total do Sol, porque é a única altura em que a Lua e o Sol têm o mesmo tamanho aparente.

Tal como no outro caso, a razão entre a distância da Terra à Lua com o seu diâmetro deverá ser igual à razão da distância ao Sol com o seu diâmetro. E como só falta um dado, é uma regra de 3 simples...

Outro processo para se determinar o diâmetro do Sol, usando a mesma linha de raciocínio, está em usar uma placa com um orifício. Esse orifício deixa passar a luz do Sol, projectando um círculo. Depois é só fazer contas simples.Sabendo que d/r=D/R, isola-se D e tem-se D=Rxd/r

O único objectivo é mostrar como coisas aparentemente complicadas podem ter soluções simples, se pensarmos de forma correcta.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

NOVO SISTEMA "SOLAR" DESCOBERTO

Pausa na História da Astronomia.

Que não faz sentido que o nosso Sistema Solar seja único, dada a infinita vastidão do Universo, já se sabia. Que já tinham sido descobertos alguns exoplanetas, também já não é novidade. Mas hoje veio a público pelo ESO (European Southern Observatory) que se descobriu um novo Sistema, idêntico ao nosso. É o mais rico até agora descoberto.
O seu "Sol" é a Estrela HD10180, na Constelação austral de Hydrus (Cobra de Água Macho). É constituído por 5 planetas semelhantes a Neptuno e supõe-se que haja mais dois.
Toda a outra informação útil está neste vídeo, que vos aconselho a ver:

http://www.youtube.com/watch?v=1PGcPytzcN4

(Não estou a conseguir fazer upload)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - da Terra ao Sol

E os raciocínios dedutivos continuam, agora na direcção do Sol.

Anaxágoras e Aristarco foram 2 gregos, figuras proeminentes da Ciência de outros tempos. Na altura, nem sequer se chamava ciência, mas sim filosofia natural. Anaxágoras, no séc. V a.C., defendia a ideia de que o Sol, a Lua e as Estrelas eram apenas pedras quentes, só que a Lua era tão fria que o luar era nada mais que o reflexo do Sol. Apesar da base teórica errada, aqui ele tinha razão.

200 anos mais tarde, Aristarco partiu da teoria do reflexo para estabelecer um método que, apesar de na altura não ter dado o resultado verdadeiro que hoje sabemos, foi um método muito válido, que serviu para os cálculos actuais. Aliás, como vamos ver, só deu erro por um erro de medição, não por erro de raciocínio. O que pensou Aristarco?

Que, quando a Lua estivesse precisamente em Quarto Crescente ou Minguante, formaria com o Sol e a Terra um triângulo rectângulo, como mostro na figura.

Sabendo a distância Terra-Lua, foi possível calcular a distência Terra-Sol, após medição do ângulo que existe entre as linhas que unem a Terra ao Sol e a Terra à Lua. E aqui surge o erro...

Aristarco determinou este ângulo com o valor de 87º, o que colocaria o Sol a uma distância de apenas 20 vezes os 320000km que nos separam da Lua. O valor real do ângulo é 89,5º, o que afasta o Sol para uns confortáveis 400 x 320000km...

Mas como disse, o que foi verdadeiramente importante aqui? O estabelecimento de um método mais que válido...

O mesmo método pode ser usado para explicar a existência de fases em Vénus, e para se fazer o mesmo cálculo colocando Vénus no lugar da Lua.

sábado, 21 de agosto de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - da Terra à Lua

Mais uma vez, cálculos simples... Instrumentos: trigonometria básica e cérebro.

Experimente fazer como Eratóstenes. Estique o braço em direcção à Lua Cheia, feche um olho e levante o indicador. Constate que consegue cobrir a Lua. Como mostra a figura (retirada do livro Big Bang, de Simon Singh), a unha faz um triângulo com o seu olho.

E agora a Matemática (ui, que complicada que ela é...).
A Lua faz um triângulo semelhante ao já verificado, tal como é esquematizado. Ora, triângulos semelhantes têm propriedades semelhantes. O que é que isto implica?
Que, se no triângulo pequeno a relação entre o comprimento do braço e a altura da unha dá uma proporção de 100:1, então o mesmo se passará com o outro triângulo maior. Ou seja, a relação entre a distância da Terra à Lua e o diâmetro dará a mesma proporção de 100:1. Na prática, a distância da Terra à Lua é 100 vezes o seu diâmetro.

Diâmetro da Lua = 3200km

Distância Terra-Lua = 320000km

Foi dado mais um passo absurdamente simples...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - lógica

Retomando o post de 11 de Agosto...

Vimos como Eratóstenes usou a lógica e o cérebro para calcular as dimensões da Terra com uma precisão absolutamente notável.

E continuou as suas deduções de forma brilhante. Sabendo as dimensões da Terra, aproveitou a ocorrência de um eclipse lunar para calcular as dimensões da Lua. Reparou que a partir do momento em que a Lua começava a ser engolida pela sombra da Terra até ser completamente absorvida por ela decorriam cerca de 50 minutos.

O tempo que demorava a percorrer a sombra da Terra até começar a reaparecer era quase 200 minutos.

Qual foi a conclusão? Que a Terra é 4 vezes maior que a Lua... Assustadoramente simples.

Cálculos actuais dizem que esse valor é 3,7. Mais uma vez, Eratóstenes revelou-se senhor de um pensamento científico inexcedível!
Contas simples e geometria básica dizem o quê? Que, se a Terra tem um diâmetro aproximado de 40000km, o seu diâmetro é cerca de 12700km.

Para saber o diâmetro da Lua basta dividir por 4, ou seja, quase 3200km.
E a lógica não fica por aqui...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

OBSERVAÇÃO 14/08/2010 - fotos

Ainda acerca da última noite de observação, deixo aqui algumas das fotos que ainda foi possível tirar.
Apresento uma M31 um pouco mais nítida e mais bonita que da última vez, na constelação que lhe dá o nome, Andrómeda.
M5 é um aglomerado globular situado na constelação da Serpente (Serpens Caput). Foi a primeira vez que o observei e fiquei fã...
Mais uma vez com o meu agradecimento, os créditos das fotos vão para o meu companheiro de observação Bruno Novo.

M31 - Galáxia de Andrómeda
Magnitude 3,50


M5 - Aglomerado globular na Serpente
Magnitude 5,80

domingo, 15 de agosto de 2010

OBSERVAÇÃO 14/08/2010

Depois continuo com a sequência de posts. Páro hoje para falar um pouco da noite de observação que acabou há cerca de 3h30.

Tinha tudo para ser uma excelente noite de observação, apesar dos 12ºC que não davam muito conforto, não fosse o flagelo dos incêndios que nos afecta em Portugal. Já no trajecto para o local de observação nos cruzámos com alguns carros de bombeiros e até da Protecção Civil, que faziam ronda à Serra e que pararam junto a um foco de incêndio activo. Também algum fumo distante causou alguma apreensão, mas chegados ao local, o fumo deu tréguas. Mas infelizmente foi por pouco tempo.

O fumo começou por surgir a Sul e propagou-se para Oeste. Chegou até a ver-se o tom alaranjado no fumo lá ao fundo, e o Céu começou a ficar tapado. Eu, que tinha planeado a minha noite quase por completo virada a Sul, nas redondezas de Sagitário, fiquei com os planos bastante estragados.

Mas bem... os meus objectivos eram:

OBJECTIVOS:

  • Junto a Sagitário:
M8
M20
M21
M22
M23
M25
M28
E ainda M17 e M18 numa elevação superior.
  • NGC884 em Perseu
  • M51 (Whirlpool Galaxy), à 1h estaria 4º abaixo de Alkaid, com apenas 1º de diferença de azimute.
  • M2, em Aquário
RESULTADOS:

  • Foram obtidas com relativa facilidade:
M6
M7
M8
M28
M21
M22
  • Foram conseguidas com dificuldade devido ao fumo:
M25
M18
  • NGC884 deu luta mas consegui
  • M5 não estava nos objectivos, mas também a visualizei
  • M51 continuou a fugir-me
  • M2 já estava tapada com o fumo, nem para procurar deu...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - no princípio

É espantoso pensar que tudo era explicado com base nos mitos, nos deuses e nos monstros. Tudo o que a mente humana não conseguia explicar óbvia e naturalmente, era de origem sobrenatural. Albert Einstein já dizia: "O que é mais incompreensível no Universo é que ele seja compreensível." Mas antes de Einstein, há ainda muita, muita história da Astronomia...

Longe vão os tempos em que a mitologia chinesa, em 600 a.C., atribuía a Phan Ku, o Gigante Criador, a formação do mundo. Supostamente, ele surgiu de um ovo, esculpiu vales e montanhas com um cinzel, e colocou o Sol, a Lua e as Estrelas no Céu. Depois disto, morreu. O crânio de Phan Ku formou a abóbada do Céu, a carne o solo, os ossos as rochas e o sangue os rios e mares. O seu último suspiro formou o vento e as nuvens, e o suor tornou-se chuva. O cabelo formou a vida vegetal e dos piolhos nasceram os homens. Como o nascimento da espécie humana teve origem na sua morte, fomos amaldiçoados para sempre com a tristeza.
Estavam longe de conhecer a teoria da evolução das espécies de Darwin, portanto...

O que pretendo neste post é dar início à demonstração de que a lógica simples e conhecimentos básicos de geometria podem permitir-nos determinar a distância da Terra ao Sol, e as próprias dimensões do Sol. Muita observação e perspicácia são essenciais...

Hoje falo da experiência de Eratóstenes. Resumidamente.


O "Beta" ("Alfa" era Arquimedes) observou que, no solstício de Verão, a luz do Sol ao meio-dia batia no fundo de um poço em Siena. Nesse momento, em Alexandria, a luz solar provocava uma sombra com um objecto alto, que foi medida com um ângulo de 7,2º.



Quais foram as contas dele? Para provar que a Terra era redonda, sabia que se desse a volta em linha recta passando por Siena e Alexandria, iria voltar ao ponto de partida, percorrendo 360º. Ora, 7,2/360 é equivalente a 1/50. Logo, o perímetro da Terra seria 50 vezes a distância entre as 2 cidades... e não é que obteve uma precisão de 2% nesta medida?

Estava dado o primeiro passo na elaboração de um método científico...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

OBSERVAÇÃO 30/07/2010 - fotos

Ainda a observação de 6ª feira à noite.

Não fiz registos fotográficos, mas o meu companheiro de observações fez. Com o meu grande agradecimento, publico aqui as maravilhosas fotos por ele tiradas.

FOTOS: Bruno Novo
M31 - Galáxia de Andrómeda
M13 - Aglomerado globular em Hércules

O nascimento da Lua - pode ver-se o contorno dos montes a Este

sábado, 31 de julho de 2010

OBSERVAÇÃO 30/07/2010

Time-out na História da Astronomia para fazer o registo da minha noite de observação de ontem.

OBJECTIVOS:

Pôr-do-Sol de 4 planetas (Mercúrio, Vénus, Marte e Saturno);
M8 - Nebulosa da Lagoa
M20 - Trífide
M7 (queria vê-la também a olho nu)
M6 - Nebulosa da Borboleta
M51 - Galáxia do Remoinho (Whirlpool Galaxy)
M31 - Andrómeda
NGC 884 - Double Cluster

DADOS:

Para experimentar a minha capacidade de me orientar, saquei as coordenadas de azimute e elevação a diferentes horas, e sabia que:

20h45

Mercúrio - Az: 271º Elev: 13º
Marte - Az: 245º Elev: 25º
Saturno - Az: 246º Elev: 26º

21h
M8 - Az: 151º Elev: 18º
M20 - Az: 151º Elev: 20º

21h15

M7 - Az: 159º Elev: 10º (a 5ºE de Shaula)

22h

M8 - Az: 164º Elev: 22º
M20 - Az: 164º Elev: 23º
M51 - Az: 297º Elev: 51º

22h30

M31 - Az: 47º Elev: 15º
NGC884 - Az: 24º Elev: 16º

Sempre orientado por Kaus Borealis e Shaula.

RESULTADOS:

4 planetas - falhei Mercúrio (nebulosidade baixa);
Saturno - excelente visão dos anéis;
Marte - a bolinha vermelha apaixonante de sempre;
Vénus - pela 1ª vez vi as fases de Vénus, que estava em Quarto Crescente.
M8 - pleno sucesso;
M20 - não me pareceu ser ela à 1ª, mas depois não me fugiu;
M7 - pleno sucesso a olho nu e com telescópio;
M6 - pleno sucesso (a mais bela observação da noite);
M51 - nem vê-la!;
NGC884 - nem procurei.

M6 - Butterfly Cluster

COMENTÁRIO:

Noite curta, mas absolutamente proveitosa.
O nascimento cedo da Lua, às 22h46, impediu uma melhor e mais prolongada observação, numa noite com um óptimo clima.
Foi uma noite que cedo se tornou clara, e isso não permitiu uma melhor procura da M51 (magnitude 8) e nem pensar a procura da NGC884, pois já havia Lua.
Saliento a visualização de M7 a olho nu (nunca me tinha apercebido dela), da Butterfly (deslumbrante!) e da fase de Vénus (uma das provas visuais que a Terra gira em torno do Sol).
Apontei a M31 à primeira. Literalmente à primeira...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA - introdução

Que sentido faz para nós gostarmos de Astronomia se não percebermos a sua História?

A Astronomia é uma ciência especial. É "A" Ciência. Não se compreende verdadeiramente a Astronomia se não conhecermos como nasceu, com que intérpretes, as dificuldades que teve de superar, da mesma forma que, por exemplo e sem menosprezo, a Biologia ou a Química.

Contra essas ninguém lutou, não houve resistência da sociedade e em seu nome, como houve no caso da "Lei das Estrelas". Só uma Ciência muito especial, A Ciência, conseguiria impor-se como a que estuda os Astros englobando um pouco de todas as outras áreas científicas.

A Astronomia e a sua História é feita de grandes Homens, que resistiram a pressões, ameaças de morte e outras formas de coacção, por defenderem os seus próprios ideais. Os Ideais correctos, a base do conhecimento que temos agora do nosso Universo e do Espaço.


Do Cosmos.



Da narcisista e irreal teoria geocêntrica à fundamentada verdade de que somos um grão de pó, do visionário Aristarco ao enorme Carl Sagan, da teoria dos círculos perfeitos à comprovada verdade das elipses, toda a História da Astronomia é feita de personagens e factos curiosos e científicos, de exemplos de persistência e provas de loucura, de insanidades e exercícios de Lógica.

Sou Católico, muito Católico. Não admito que se ponha em causa a base e a estrutura da minha Fé. Mas sei que a Igreja foi um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento d'A Ciência.

Estou a ler um livro sobre Astronomia. Mais um... Trata-se de "Big Bang", de Simon Singh. Uma escrita fácil de um autor até agora desconhecido para mim, mas que recomendo vivamente. Em menos de nada já comi 80 páginas. O que pretendo nos próximos posts é não só comentar o que leio como o que percebo, explicar o que me marca e por que motivo me marca. É que Simon Singh fala um pouco da História da Astronomia, e está a despertar-me grande interesse e curiosidade em saber mais do que o que lá está. Sei que vou procurar, vou-me interessar, vou pesquisar... Vou aproveitar este início de férias para me cultivar, para Saber.

Não há melhor forma que começar pela História d'A Ciência.

--- x ---

A História da Astronomia é feita de Homens isolados e sonhadores, e só conseguiram verdadeiramente vencer aqueles que fizeram o seu trabalho com devoção e paixão.
Não os invejo, porque sou parecido.
Admiro-os, porque já venceram.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

RESPIRAR VERÃO

Ontem foi uma noite que me soube maravilhosamente.
Eram 4h da manhã e decidi ir à janela ver como estava a noite. E a primeira sensação que tive foi a de respirar Verão. O calor contra a minha face e o meu peito, o brilho das Estrelas desta estação...
Fiquei ali cerca de meia hora, o tempo suficiente para ver as Híades surgir por baixo das Plêiades, e para ver a ponta do corno do Touro, Alnath, brilhar por cima dos prédios que me tapam a visão do horizonte nascente. Orion já começava a nascer, mas ainda estava fora do limitado campo de visão que tenho da minha janela a Este.
Respirei Estrelas, respirei calor, respirei Verão.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O GRITO DO SILÊNCIO

Finalmente actualizo o blogue.

Andei demasiado tempo com pouco tempo, se me é permitida a repetição de termos. E continuo assim um pouco, mas já que hoje tirei o dia para mim e para não fazer nada, por ordem do meu corpo, que me disse em altos berros que tem limites, não desperdiço a oportunidade de cá vir.

Neste tempo de ausência muita coisa se passou, alguma de relevo, o resto nem por isso. Mas se é possível, o meu gosto pela Astronomia aumentou mais um bocadinho. Não que tenha feito muito por isso, mas porque isso é algo que se entranha sozinho... É impossível olhar para o Céu, compreendê-lo e não ficar apaixonado por ele. É demasiadamente belo e cativante.

E numa fase da minha vida em que dou novo rumo a mim mesmo, dedicando-me cada vez mais a cada vez menos, seleccionando Aquilo e Quem me interessa a valer, a Astronomia tem lugar mais que reservado na minha vida presente e futura.

Quem nunca olhou para o Céu ao amanhecer não faz a mais pequena ideia do que perde.
Quem diz que as cores do anoitecer são iguais às do amanhecer não faz a mais pequena ideia do que diz.

Tenho passado imensas noites quase em claro. E só é quase porque ainda me deito um pouco quando a Terra acha que já rodou sobre si mesma o suficiente para mostrar o Sol a Este, e as suas cores vivas e brilhantes já se começam a tentar sobrepôr às cores misteriosas mas reveladoras da noite. E nessa altura, quem conseguir descortinar Aldebaran a mostrar por que motivo é uma Estrela Real vai cair aos seus pés. Aquela tonalidade vermelha num fundo azul escuro é qualquer coisa de arrebatador.

O jogo de cores do Céu é fascinante! Ai, pobres mentes que pensais que o Céu é preto e branco! E tanto que as cores nos dizem sobre os Nossos Astros!

Mas e antes de Aldebaran, quando aparece Capella com o seu brilho ofuscante? Que saudades tinha eu de a ver de madrugada! Da janela do meu quarto tenho o privilégio de ver o céu de Nascente. Sei que se for agora à janela, Capella vai estar presente, a dar-me as boas noites, e a recordar-me que não estou sozinho a estas horas absurdas em que só os noctívagos se sentem confortáveis.

Preciso urgentemente de tirar o meu telescópio da caixa e dar-lhe o devido uso. Preciso daquelas noites no meio do campo, em que só se ouvem os grilos, os lacraus e o silêncio.


O Silêncio.


Sou um tipo esquisito. Como disse há pouco tempo a outras pessoas, noutro contexto, sou um tipo esquisito, com gostos muito particulares, com opções muito próprias, com uma forma de ver a vida extremamente binária, absolutamente física, com uma lógica booleana em que só conheço o "0" e o "1". Por isso mesmo, por ser diferente, não espero ser compreendido por todos. Não tenho esse direito, o de exigir algo quando eu próprio sou intolerante com muitas outras coisas. Mas os supostos tolerantes são incompreensivos para quem o é com eles. E digo isto porquê?

Porque poucas pessoas dão valor ao Sr. Silêncio como eu dou. E também por isso sou diferente. O Silêncio é a melhor música em imensas ocasiões. Gosto de techno, gosto de rock, gosto de pop, gosto de muita música barulhenta... mas tudo tem os seus momentos. Um bom Silêncio é inspirador e vibrante, pode ser inclusive a companhia ideal para muitas horas. E insisto comigo mesmo, digo isto porquê?

Simples.

Experimentem olhar para o Céu, contemplá-lo, admirá-lo, com muita gente à volta. Depois experimentem fazê-lo sozinhos ou com quem respeita as vossas convicções. Está feita a explicação...

Sei que este post pouco tem a ver directamente com Astronomia, mas quando há algum tempo decidi dar um novo rumo a este espaço, prometi a mim mesmo que não me iria reger por regras. Por outras regras que não as que o meu espírito de Senhor das Estrelas me impusesse.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

SOLSTÍCIO DE VERÃO

Volto após longa ausência forçada.
Este post será curto. Quero apenas assinalar o Solstício de Verão, às 11h28 de 21 de Junho. Será o dia mais longo do ano, em que o Sol estará no seu ponto mais alto.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

UMA VISÃO EXTRAORDINÁRIA

Ainda antes de colocar o próximo post para concluir o tema "Eta Carinae", tinha de guardar umas linhas para o que vi Sábado à noite...
Quando vinha do jogo, eram cerca das 21h15, uma Lua Crescente acolhia um brilhante Vénus na sua sombra.
A mensagem de harmonia que chegava do Céu era clara e única!
A Lua é bela e misteriosa, mas Vénus suplanta-a com a intensidade do seu brilho...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

ETA CARINAE - 2

Eta Carinae é uma Estrela misteriosa, até porque não se sabe a sua constituição.

Tudo indica tratar-se de uma sistema binário de Estrelas muito próximas uma da outra, sendo a menor a mais quente (30 000 °C) e a outra com o triplo do diâmetro a mais fria (15 000 °C), mas duas vezes mais brilhante.

Este sistema estelar está envolto numa nuvem de gases e poeiras muito densa em forma de amendoim, que forma uma nebulosa 400 vezes mais extensa do que o nosso Sistema Solar, conhecida como a Nebulosa de Eta Carinae (ou NGC3372). É também conhecida como Homúnculo. Esta nuvem dificulta a sua observação na faixa da luz visível.

A perda de luminosidade deve-se, possivelmente, a uma consequência da aproximação máxima entre as duas Estrelas, o periastro, altura em que a Estrela menor encobre quase metade da maior. A diminuição de brilho é equivalente a 20 vezes o do Sol, mas brilhando como 4 a 5 milhões de sóis, como se pode observar na faixa espectral do infra-vermelho. O período de rotação das Estrelas uma em relação à outra é de 5,5 anos.
Eta Carinae no espectro infra-vermelho

Uma das grandes questões que se colocam é como pode esta Estrela ainda gerar energia, e consequentemente emitir luz, por fusão nuclear. As únicas explosões que libertam quantidades de energia semelhantes são as supernovas, que ocorrem quando Estrelas massivas morrem.

O mais intrigante é que uma explosão semelhante já terá ocorrido há cerca de mil anos, como se pode deduzir da velocidade de expansão da nebulosidade mais ténue que envolve o Homúnculo. Todas estas perguntas não respondidas tornam o estudo de Eta Carinae um grande desafio...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

ETA CARINAE - 1

Faço este post tendo em atenção também que o maior número de visitantes deste blogue vem do Brasil e não de Portugal...

Eta Carinae está na constelação da Quilha (Carina) e não é visível em Portugal, mas é no Brasil. É uma Estrela com 100 a 150 vezes maior massa que o Sol, e é um dos objectos mais belos e misteriosos que marcam presença no Céu Nocturno, pois o seu brilho varia em várias ordens de magnitude, e tanto é visível a olho nu como desaparece do nosso alcance visual.

Foi Edmund Halley que pela primeira vez a observou e catalogou, em 1677, e nessa época era uma Estrela de magnitude 4. Como comparação, a Grande Nebulosa de Orion (M42) tem magnitude 4 e consegue ver-se o seu vislumbre numa noite escura. Se estivermos no campo, com um seeing óptimo, é perfeitamente possível localizar M42.

Em 1843, após uma erupção que ejectou uma nuvem de poeira 500 vezes maior que o sistema solar e que se expande a (pasme-se!) 2 MILHÕES DE QUILÓMETROS POR HORA, ficou mais brilhante, atingindo o brilho de Sírio, apesar de estar cerca de 900 vezes mais longe. Entre 1900 e 1940, a magnitude era apenas de 8. Isto dá uma ideia da variabilidade do brilho desta Estrela. E por que motivo fiz esta introdução?

Porque não se sabe como é e o que é Eta Carinae...
Continuo no próximo post.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

ESTRELAS REAIS, AS GUARDIÃS DO CÉU

Sem dúvida que este post vai acrescentar pouco conhecimento físico, aquele que verdadeiramente me apaixona e me interessa promover neste espaço.
Mas sem dúvida que com ele se vai perceber que a dimensão metafísica da Astronomia, a Lei das Estrelas. Fazendo uma análise etimológica à própria palavra Metafísica, se percebe que o sonho está sempre presente quando se olha para o Céu Nocturno, pois o prefixo Meta indica "depois de", "além".
Depois da Física... Além da Física...

É a Johannes Kepler que devemos a separação entre Astrologia e Astronomia, até então ciências fundidas. Mas isso não faz com que esqueçamos que a Astronomia é a mais antiga das ciências exactas.

A Alfa-Astrologia, um antigo código humano não decifrado, relata a verdade distorcida pelo Homem. Na Antiguidade, e como já referi algumas vezes neste blogue, eram as Estrelas que comandavam culturas e serviam de orientação para muitas outras coisas, como orientar as grandes estruturas megalíticas, como são, por exemplo, as Pirâmides. Marcavam estações e equinócios e tinham significados religiosos. Sírio, por exemplo, era uma das Estrelas de Ísis, pois o seu aparecimento marcava a ocorrência de cheias no Nilo, e com isso tinha início o Ano Novo!
Quantas vezes não vemos, junto a figuras humanas, imagens de serpentes, falcões, leões, águias ou cães? Tudo está ligado às Estrelas e constelações... A Alfa-Astrologia defende que a interacção de energias do Universo para connosco ocorre sempre, e que Estrelas, Planetas, Homens e animais estarão sempre ligados.

Por exemplo, Leão é o símbolo da força, serpente é o símbolo do demónio, assim como o dragão, mas no Oriente este era a representação da sabedoria. Todos são símbolos cósmicos. Tudo é um, para esta pseudo-ciência, este pseudo-código.

E no meio de tudo isto surgem os guardiães do Céu.
Os quatro guardiães do céu são as quatro estrelas fixas e estão associadas aos quatro Arcanjos:

  1. Régulo, o Coração do Leão - Estrela do Norte (Arcanjo Rafael)
  2. Fomalhaut, a Boca do Peixe - Estrela do Sul (Arcanjo Gabriel)
  3. Aldebaran, o Olho do Touro - Estrela do Leste (Arcanjo Miguel)
  4. Antares, o Coração do Escorpião - Estrela do Oeste (Arcanjo Uriel)

Já antiga Nínive (actual cidade de Mossul, no Iraque), se dizia: "A força do coração do povo não enfraquece por que a estrela de Leão é grande." Régulo era considerada uma Estrela que tudo controlava. O Sol regia Leão, que regia os nossos corações.

Fomalhaut é uma Estrela localizada na boca do Peixe do Sul (Piscis Austrinus), que bebe água do Aquário. Peixes era o símbolo do homem penitente que busca a salvação: "Beber da Água da Vida". Na Pérsia era objecto de adoração no solstício de Inverno. Na época do Verão era consagrada à Demeter, em seu Templo em Eleusis. Régulo foi considerado por muito tempo o Supremo dos quatro guardiães, mas Fomalhaut trouxe o nascimento de Jesus e inegavelmente uma nova era com todos os símbolos da constelação de Peixes.
O seu nome deriva do Árabe al Hut Fam, "a boca dos peixes".

Aldebaran era também chamada de Olho da revelação. Para os Árabes era a líder das Estrelas. Touro é associado ao poder divino do Grande Arquitecto. Dabaran do Al, seu nome árabe quer dizer "Seguidor de Al" porque parece seguir as Plêiades. Considerada a Estrela de Buda, a Estrela da iluminação. Há mais de 5000 anos marcava o início do novo ano Babilónico.

Na Pérsia, Antares era baptizada de Maghan, "O Grande", "O Senhor da Semente" (humana). Deus do relâmpago, Pássaro do Céu. Na China era a "Estrela de fogo". Os Hindus conheciam-na como "O mais Velho Sábio". O seu símbolo também era um bastão. Foi no Egipto o símbolo de Ísis. Aldebaran é tido como um portal aos mistérios da mente humana e quando balança com Antares, um portal aos mistérios do coração, este cria uma linha central de oposição com Antares, formando um stargate poderoso quando o Sol passa por Aldebaran no mês de Junho e seis meses depois em Dezembro passa por Antares.

Tudo isto que escrevi é MITO, muito diferente dos FACTOS de que tanto gosto. Mas o facto de tudo isto não passar de uma simples crença de povos antigos, provocada talvez pelo desconhecimento científico de outrora, não nos impede de conhecer um pouco da própria história do pensamento humano e de como se encaravam os fenómenos físicos e celestes.

terça-feira, 27 de abril de 2010

OS NOMES DAS ESTRELAS - Régulo

Em Português, diz-se Régulo, mas o seu nome em Latim é Regulus. Traduzindo, significa "príncipe" ou "pequeno rei", muito provavelmente por ser a Estrela mais brilhante da constelação de Leão.

Uma designação semelhante era dada pelos Árabes, que lhe chamavam Qalb Al Asad, que traduzido para Latim é Cor Leonis. Evidentemente, o Coração do Leão...
Régulo é uma das 4 Estrelas Reais, tema do meu próximo post.

terça-feira, 13 de abril de 2010

O PRIMEIRO HOMEM NO ESPAÇO

Fez ontem, dia 12 de Abril, 39 anos que o primeiro humano foi ao Espaço.
Em 1961, o Russo Yuri Gagarin, a bordo da Vostok 1, completou 1h48 de uma missão curta mas histórica.

A Vostok foi lançada do Cosmódromo de Baikonur, completou uma órbita à volta da Terra e aterrou no Cazaquistão. Consistia de uma nave para reentrada e do módulo de serviço, com um peso de 4700kg. Era controlada por uma equipa na Terra, e os cosmonautas que fossem a bordo tinham de se ejectar de pára-quedas no final de um voo. Além disso, os cientistas desconheciam os efeitos da perda de peso no comportamento humano naquela altura, porque os testes anteriores tinham tido cães como cobaias.

A minha 6ª feira passada foi prodigiosa.
Sabia que Mercúrio iria estar visível a olho nu, num local bem próximo de Vénus, o que o tornaria fácil de detectar.

Assim que cheguei a Espinho, fui para a beira-mar à espera que o Sol passasse abaixo do horizonte, pois assim ficaria mais escuro, o que permitiria que o espectáculo acontecesse. Foi cerca das 20h15 que deixei de ver o Sol.

Passados alguns minutos, Vénus despontou de vez e começou a procura por Mercúrio. Sabia que ia estar por perto, pouco a Norte.
A espera compensou, pois cerca das 20h35 encontrei aquele ponto ténue, com um brilho humilde que tanto me encantou. Não se pode pedir demais a quem é pequenino e está tão longe...

Fiquei mais alguns minutos só a olhar para o Céu. Já se viam outras Estrelas naquela zona do Céu, mas quem reinava eram Vénus e Mercúrio. Ainda varri uma imaginária eclíptica porque sabia que Marte e Saturno já lá estariam, na sua eterna trajectória.

Fui para casa claramente satisfeito. Tê-los aos quatro no mesmo Céu foi uma sensação absolutamente arrebatadora.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

OS NOMES DAS ESTRELAS

Mas qual a razão de ser importante cada Estrela ter o seu nome, se parecem todas iguais?

Pois bem, só parecem a quem não está por dentro da Astronomia ou, mais grave, a quem não olha para Elas com a devida atenção.
Não estar por dentro da Astronomia acaba por ser normal, é algo não criticável, porque quem se dedica a Ela é uma orgulhosa minoria.
Não olhar para um dos espectáculos mais belos que podemos ter, o Céu Nocturno, revela indiferença ou distracção. E isso sim, é mau.
Mas não fugindo ao assunto...

Por que motivo é importante todo e cada um dos maravilhosos Pontos de Luz que nos animam as noites ter nome? A meu ver, que sou um apaixonado pelo Céu, porque todo e cada um é uma entidade, com a sua personalidade definida, o seu ser revelado pelo brilho e pela cintilação própria de cada Estrela.

Não nos chamamos todos António, José ou Maria... Quer dizer, Maria talvez... :)
Os cães não são todos Bobby, Putchi ou Joli!
Os gatos não são todos Bichano, Tareco ou Tonecas!

Então onde está o motivo de englobarmos as Estrelas todas num pacote? "As Estrelas", como se fossem algo indistinto, insignificante. É que quem olha para o Céu e diz "as Estrelas", nem pensa que lá estão Planetas, Nebulosas, Aglomerados, Galáxias, entidades diferentes, todas merecedoras do seu nome, que é o que nos identifica e distingue.


Eu acredito que o que distingue as pessoas são os detalhes, os pormenores. Pois são também eles que distinguem as Estrelas e definem a sua personalidade.

Olho para Antares, no coração do Escorpião, e vejo força, pujança, talvez um pouco de retaliação intrínseca ao próprio animal que representa. E de onde vem "Antares"? Tal como disse no post anterior, de "Anti-Ares", uma guerra com o Deus da Guerra, uma necessidade de contradição.
Não é uma Estrela sempre positiva, e por isso me identifico por vezes com Ela.

Olho para Sírio, a Estrela do Cão, e vejo um brilho inconfundível. É inevitável sentir o poder do seu brilho e da sua cintilação, um dos espectáculos nocturnos mais belos. Sinto Paz, como se algo bom estivesse a nascer em mim. É uma renovação, um brotar de força. Analiso o seu nome, e o que me diz? Que "Sírio" vem do Grego "seirios", que quer dizer "brilhante" ou "o escaldador". Já os antigos Egípcios adoravam Sírio por esta indicar a altura do ano em que deveriam renovar as suas culturas.

Vega... Bem, Vega é outra Estrela especial.
Já Carl Sagan (o eterno Carl Sagan) sentia um especial carinho por Vega, e eu partilho desse sentimento. Na sua obra "Contacto", ele não escolheu Vega ao acaso. Ninguém escolhe nada ao acaso, quando essa escolha está dentro da nossa lista de paixões.
Mas o que vejo eu quando olho para Vega? Luz. Muita Luz. Uma cintilação intensa, a sensação óbvia de energia radiada e enviada especificamente para mim, como se me quisesse dizer algo. A transmissão de Conhecimento, de História, de Passado, de Futuro, de Sonho. E o que diziam os Babilónios de Vega? Que era O Mensageiro da Luz.

Escrevo estes textos para todos e para ninguém. Para o Mundo e para Mim.

Partilho a minha Paixão pela Astronomia e a minha visão tão, mas tão própria das coisas. Mas não sou o único a pensar assim, estas formas de pensar têm séculos, milénios! São comuns a quem se deixa encantar pelas maravilhas que a noite não nos mostra, mas nos pede para procurar. E basta olhar...
Espero que quem ler isto (e sei de quem o faça), mesmo que "não partilhe de forma tão intensa desta minha paixão" (é uma citação... :) ), experimente um bocadinho do que aqui falo. Sozinhos, num qualquer lugar escuro, olhem para o Céu. Não pensem nele propositadamente.
Deixem que ele vos diga o que pensar...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

OS NOMES DAS ESTRELAS - Antares

Antares é a Estrela mais brilhante da constelação de Escorpião.

É uma supergigante vermelha, a 15ª mais brilhante do céu nocturno. Junto com Aldebaran, Spica e Regulus, Antares é uma das quatro Estrelas mais brilhantes próximas da eclíptica.

O nome Antares é derivado de Anti-Ares (Anti-Marte), pois Antares assemelha-se na cor avermelhada e brilho a Marte, rivalizando com o Planeta.
É conhecida como uma das quatro estrelas guardiãs do céu dos Persas em 3000 a.C.

quarta-feira, 24 de março de 2010

MITOLOGIA GREGA - Plêiades

No último post falei de Orion e as Plêiades estão mesmo ali ao lado... Hoje falo delas em particular.

As Plêiades eram as sete filhas do titã Atlas e da oceânide Plêione, nascidas no monte Cilene, e irmãs de Calipso, das Híades e das Hespérides.

O seu nome, como o da sua mãe, deriva do grego pleîn, "navegar", porque este aglomerado estelar é visível na noite do Mediterrâneo durante o Verão, desde meio de Maio ao início de Novembro, período que coincide com a estação da navegação na Antiguidade.
Originalmente ninfas Oréades, as Plêiades fizeram parte do cortejo de Ártemis e, junto com as Híades, eram chamadas também de Atlântidas, Dodónidas ou Nisíadas, as ninfas que foram amas e mestras do pequeno Dioniso.

As Plêiades, numa ilustração do século XIX


Depois de Atlas ter sido obrigado a suportar os céus em seus ombros, Órion, apaixonado, começou a perseguir as Plêiades. Zeus, agradecido pelos cuidados a Dioniso, transformou-as primeiro em pombas, para permitir que fugissem, mas como o caçador continuava no seu encalço, acabou por transformá-las novamente em estrelas. Por isso, no céu, a constelação de Órion parece perseguir as Plêiades.

No aglomerado estelar, seis das estrelas são claramente visíveis, enquanto a sétima, Mérope, é mais apagada porque, segundo o mito, está envergonhada por ter sido amada por um simples mortal, enquanto todas as irmãs foram amantes de deuses.

As Plêiades, numa foto comentada

As sete Plêiades são:
Maia - a mais velha, amante de Zeus, foi mãe de Hermes
Electra - amante de Zeus, foi mãe de Dárdano e Iásion
Taígete ou Taígeta - amante de Zeus, foi mãe de Lacedémon
Alcione - amante de Poseidon, foi mãe de Hirieu
Celeno - amante de Poseidon, foi mãe de Lico e Euripilo
Astérope ou Estérope - amante de Ares, foi mãe de Enôamo
Mérope - casou-se com o mortal Sísifo e foi mãe de Glauco

sexta-feira, 19 de março de 2010

MITOLOGIA GREGA - Orion

Nem tudo o que é mito é mau. A Mitologia Grega é disso exemplo máximo. Vou tentar deixar aqui algumas histórias, que classifico de absolutamente fascinantes, nos próximos posts.

Como se vai verificar, raras são as histórias em que não há outra versão. É por isso que são mitos...

Começo com Orion.


Órion era um gigante, filho do deus Poseidon e de Euríale.

Caçador extremamente habilidoso, chegou à Ilha de Quios e apaixonou-se por Mérope. Enópion, filho do deus Dionísio e pai de Mérope, prometeu a Orion a mão da sua filha se ele exterminasse todos os animais perigosos da ilha, uma mentira que Orion tomou por verdadeira.
Órion trabalhou arduamente todas as noites, até cobrar o prometido. Mas Enópion mandou espalhar o boato que ursos e leões estavam nas montanhas criando insegurança para as caravanas.
Desanimado, Órion embebedou-se. Entrou no quarto de Mérope e violou-a. Enópion, enfurecido, pediu ajuda ao seu pai Dionísio, que enviou os sátiros para que fizessem com que Órion ficasse bêbado até a inconsciência. Enópion quando viu o gigante indefeso, vazou-lhe os olhos e abandonou-o à beira-mar.

Um oráculo, entretanto, profetizou que se Órion viajasse para leste até a morada de Helios no Oceano e o fitasse quando ele fosse iniciar a sua jornada, recuperaria a visão.
Um aprendiz de Hefesto guiou-o até a morada de Helios, que tornou real a profecia do oráculo. Eos (Aurora) ao ver o gigante, apaixonou-se pelo jovem que tornou-se seu amante. Passado o calor da paixão, Órion voltou para Quios, para se vingar, mas Enópion já tinha fugido.
Orion foi procurá-lo para Creta, mas encontrou Ártemis que, como ele, era apaixonada pela caça. Tornaram-se grandes amigos, provocando o ciúme de Apolo, irmão da deusa.

A partir deste ponto, a lenda divide-se.

Em algumas versões, aproveitando-se da confiança que a deusa havia depositado nele, Órion tenta violentá-la. Ela foge e ele, raivoso, começa a exterminar todos os animais. Ártemis, a deusa da caça, procura manter o equilíbrio na natureza impedindo a caça indiscriminada.
Ela envia um enorme e venenoso escorpião para matar Órion, o que de facto acontece. Entretanto o escorpião também é morto por Órion.

Alguns autores colocam que a morte do escorpião foi causada pelos sagitários como represália à morte de Órion, de quem eles eram grandes amigos. Isto explica por que na constelação do Sagitário a flecha do seu arco aponta para o "coração" do escorpião.
Outra versão conta que Órion tentou violentar uma sacerdotiza de Ártemis e por isso ela teria enviado o escorpião para o matar.

Há, ainda, a versão em que Apolo, enciumado com as atenções que a irmã dava ao gigante, enviou o escorpião para o perseguir. Órion foge pelo mar em direção a morada da sua antiga amante (a deusa Eos), à procura de protecção. Apolo vê-o fugir e desafia a irmã a acertar, com as suas flechas, num pequeno ponto preto sobre as águas. Ela prepara o arco e atira, sem saber que o ponto negro a que Apolo se referia era a cabeça do seu amigo.

Em outra versão, também explicada pelo posicionamento das Estrelas, Órion alimenta a sua paixão por Mérope (uma das Plêiades) e continua a persegui-la. Não sendo correspondido, inicia uma matança indiscriminada de animais, provocando a ira de Ártemis que envia o escorpião para o matar.