sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

CAMINHADA ASTRONÓMICA - NEBULOSA DE ORION

M42 é o nome "para os amigos" da Nebulosa de Orion.
Situada junto da espada do caçador, a Grande Nebulosa de Orion, como também é conhecida, é um dos objectos mais fotografados do céu.

Esperei até cerca das 4h30 para poder observar esta maravilha do céu nocturno com o meu telescópio. Orion nasceu pouco antes e eu reservava a esperança de ainda poder vê-la!
A olho nu é possível ver uma mancha difusa, mas isso só é possível se soubermos exactamente para onde olhar, em noites sem Lua.

É fantástico pensarmos que estamos a olhar para um berçário estelar, onde as Estrelas estão a nascer, e que está a cerca de 1350 anos-luz de nós. Foram lá detectados discos protoplanetários, anãs castanhas, entre outros aspectos curiosos, o que faz da Nebulosa de Orion um alvo de estudo muito apetecível.

M42 alberga em si um enxame aberto visível, o Trapézio, composto por Estrelas jovens, bem como é o local onde mora a Nebulosa Cabeça de Cavalo e a Nebulosa da Chama.

É possível que de lá tenham saído Estrelas que actualmente estão na constelação de Auriga, Pomba e Carneiro, e se afastam da Nebulosa de Orion a velocidades superiores a 100km/s!

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

CAMINHADA ASTRONÓMICA - NEBULOSA DO VÉU

Ando com pouco tempo para actualizar o blogue e detesto não o ter actualizado.

Hoje o post é curto, e fica a promessa de nova actualização muito em breve.

Deixo uma imagem da Nebulosa do Véu. Não a vi do meu telescópio, mas não é por isso que deixa de ser deslumbrante.

A Nebulosa do Véu está localizada na constelação de Cisne e é o que resta da explosão de uma supernova, ocorrida a 5000 a 8000 anos, a uma distância de cerca de 1400 a 2600 anos-luz.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

M31 - STAR HOPPING

A saber: há Andrómeda constelação e Andrómeda galáxia. A galáxia (também conhecida por M31) fica situada na constelação de Andrómeda.

Começo por dizer que não é fácil encontrar a constelação de Andrómeda se não tivermos um mínimo de experiência de observação do céu nocturno.

Há duas formas mas fáceis de lá chegar: encontrando primeiro Pégaso ou Cassiopeia. Pode ser bom procurar Cassiopeia nos céus a Norte (o "W" na figura de baixo, no topo da imagem) para termos uma noção mais exacta da região onde nos encontramos... Mas hoje só quero dar uma noção do que é o star hopping, por isso vou concentrar-me nisso.
Eu prefiro partir de Pégaso, mais propriamente do Grande Quadrado de Pégaso.
  1. O vértice do quadrado mais próximo de Cassiopeia é a Estrela Alpheratz, que na verdade, embora pertença ao Quadrado de Pégaso, é a Estrela mais brilhante de Andrómeda (Alfa Andromedae).
  2. Na direcção de Cassiopeia vai ser possível distinguir uma fila de Estrelas, em que Mirach é a segunda, e Almach (ou Almaak) é a terceira. Isto considerando que estamos numa cidade, porque numa zona completamente escura vão aparecer-nos mais Estrelas.
  3. Saltamos para Mirach. Na direcção de Schedar, em Cassiopeia, temos uma Estrela em linha com Mirach.
  4. A partir dessa Estrela, vamos ter outra relativamente próxima (no Verão, vai estar a Este, em cima e à esquerda...)
  5. A galáxia Andrómeda vai estar ali bem pertinho, e em noites muito escuras temos um vislumbre da nossa galáxia vizinha a olho nu!

Vamos imaginar que ainda estamos no ponto 3 que referi em cima, na Estrela que está em linha com Mirach. Podemos considerar que essa Estrela é o ponto médio entre Mirach e o nosso alvo, a M31.

Alguém consegue ver, na figura em baixo, onde está Mirach e M31?

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

CAMINHADA ASTRONÓMICA - M28 e M31

Sagitário é uma constelação riquíssima. Vale a pena planear uma incursão pelas suas maravilhas, mas nesta noite (aliás, como em todo o Verão), não o fiz. E tenho feito mal...

Mas nesta noite apontei a Sagitário e procurei algo de uma forma semi-aleatória, ou seja, sabendo que iria encontrar algo, não sabia necessariamente o quê. Ou melhor, sabia a localização de alguns objectos dignos de uma boa observação mas não sabia quais. Estupidez minha, porque aquela zona do céu bem que merece um estudo mais aprofundado da minha parte.

Apontei o telescópio a Kaus Borealis e não precisei de o mexer muito para chegar a M28, um aglomerado globular interessante, mas visível com pouco detalhe do meu 70mm.
M28 tem a particularidade de conter no seu interior um pulsar de um milisegundo de período de rotação. Basicamente, um pulsar é uma Estrela que gira muito rapidamente em torno do seu eixo.
Depois virei o telescópio de Sul para Este, onde Andrómeda (M31) brilhava timidamente na constelação com o mesmo nome. Em noites muito escuras e quando a vista está habituada à ausência de luz, é possível ver a pequena mancha, débil e difusa, da nossa Galáxia vizinha. É fascinante pensar que a luz que vemos saiu de lá há cerca dois milhões e meio de anos, e está mesmo aqui ao lado...
Esta foto reflecte o que é possível ver a partir de um telescópio. Vê-se perfeitamente o centro desta Galáxia em espiral, e tem-se umas nuances dos seus braços.
Andrómeda é um bom exemplo de como o star hopping é uma técnica extremamente útil para observação de alguns objectos. Resumidamente, o star hopping é um saltitar de Estrela em Estrela, por forma a mais facilmente atingirmos o nosso objectivo.
O meu próximo post será sobre o "meu" star hopping para Andrómeda.

domingo, 25 de Outubro de 2009

CAMINHADA ASTRONÓMICA - ALBIREO

Após uma breve procura da M13, que fracassou, mas não me preocupou muito porque já a tinha visto algumas vezes e eu queria aproveitar a qualidade da noite para outros alvos, decidi que tinha de ver Albireo.

Já por 3 vezes tinha tentado sem nunca conseguir, ou porque havia neblina a dificultar-me a vida, ou porque estava a apontar mal, o que fosse. Mas naquela noite eu estava particularmente inspirado e com pontaria, além de que tinha estudado a lição antes da aula e sabia exactamente como procurar o que queria. Não demorei muito a encontrar a imagem fabulosa de Albireo, uma belíssima Estrela dupla, que 99,99% das pessoas não sabem identificar, mas que é dos mais graciosos espectáculos a que os nossos olhos podem assistir.

A imagem em cima mostra o esplendor desta Estrela, que, ao olhar para o céu, não passa de mais um pontinho branco, e nem sequer é dos mais brilhantes.
"Entalada" no meio do Triângulo de Verão, a meio caminho entre Vega e Altair, e na outra ponta do Cisne relativamente a Deneb, Albireo é a Estrela do Bico do Cisne.

Albireo é um binário, porque as duas Estrelas que vemos em cima giram em torno uma da outra, mas na verdade, uma das componentes de Albireo é, ela própria, uma Estrela dupla, que forma um binário espectroscópico (grosso modo, é um binário em que ambas as Estrelas estão visualmente demasiado próximas). Mas a maioria dos telescópios só detecta estas duas componentes. As cores estão relacionadas com diferentes temperaturas de ambas.
Vê-las é um espectáculo deslumbrante.

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

CAMINHADA ASTRONÓMICA - MARTE e VÉNUS

Assim que chegámos ao local de observação deixámos os telescópios montados, antes do jantar.

Quando voltei para junto do meu bichinho, comecei, como de costume, por focá-lo, apontando a Júpiter. Não sei porquê, gosto de começar sempre por Júpiter. É verdade que aponto sempre primeiro para lá para focar mais facilmente, mas dá-me verdadeiro prazer observá-lo um pouco, as suas bandas vermelhas, as suas inseparáveis Luas Galileanas Io, Calisto, Europa e Ganimedes. E ao longo da noite, gosto de passar por lá e notar o harmonioso movimento das luas em torno de si. É maravilhoso...

Mas hoje vou dar um salto temporal e falar do fim da noite. Marte e Vénus iam nascer perto das 4h da manhã e fiz questão de esperar por eles. Queria vê-los ao telescópio. É um facto que não esperava ver grandes mudanças em relação ao que vejo a olho nu, mas mesmo assim queria passar por essa experiência.
De Marte esperava ver uma bolinha vermelha ligeiramente maior que o normal e de Vénus nada de diferente. Queria apenas confirmar que a olho nu é mais espectacular que vendo a partir de um telescópio, porque aquele espesso manto de nuvens não deveriam permitir grandes espreitadelas.

Marte foi o esperado. Nada de novo. O que vi no meu 70mm foi semelhante ao que vi num canhão que estava ao lado do meu. Marte foi apenas uma bolinha vermelha, que carrega consigo o misticismo e a força de ser aquilo que ele é:Marte! Marte não é um simples Planeta, é MARTE! O Senhor da Guerra, o senhor dos sonhos e divagações dos Homens...

Marte visto ao telescópio

Quanto a Vénus, esse sim, revelou-se uma agradabilíssima surpresa. Não pelo Planeta em si, mas pela imagem que a luz proporcionou. Exibiu uma luz verde e laranja, claramente separada uma da outra, graças ao efeito da refracção da luz. Talvez tenha acontecido por Vénus estar ainda muito baixo no horizonte, não sei e é algo que tenho de confirmar. Seja como for, fiquei maravilhado com aquela visão.

Aqui, Vénus em conjunção com Mercúrio

Cada vez mais a Física e a Óptica me apaixonam com estas suas demonstrações de beleza...

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

VORSAT

Este é um projecto no qual estou envolvido há algum tempo.

É um projecto da FEUP, que visa a construção de um satélite. Terá dimensões reduzidas (um cubo de aproximadamente 10cm de aresta) e servirá de teste para algumas tecnologias que pretendemos implementar.

Não vou pôr-me com explicações técnicas acerca do projecto, porque para isso existe o nosso site, que podem aceder através do link:

http://www.vorsat.org/

Estamos particularmente empenhados neste projecto e gostávamos de contar com o vosso apoio. Sigam as nossas actividades através da nossa newsletter ou do Twitter, pois assim estarão também a acompanhar um projecto pioneiro em Portugal.
Visitem-nos e divulguem o nosso site.