sábado, 11 de março de 2017

UMA AURORA COLORIDA

Mais uma vez, a Astronomy Picture of the Day não desilude.
Image Credit & Copyright: Sigurdur William BrynjarssonAnnotation Advice: Sævar Helgi Bragason

A imagem retrata uma Aurora Boreal sobre o céu da Islândia. Não, não há qualquer espécie de montagem. A única montagem é a legenda, que identifica vários corpos celestes notáveis, de estrelas a galáxias, passando por planetas e ainda as simples luzes de cidades próximas.

Inadvertidamente, também nesta simples foto se vê o mal que o excesso de iluminação nas cidades faz à observação do céu noturno. A beleza e o deslumbramento perdem-se dentro das cidades, e as pessoas, mesmo que olhem para cima com frequência, não conseguem contemplar as maravilhas que o céu noturno nos exibe.

Voltando à foto, repare-se nos pormenores deliciosos que a reflexão da aurora no lago, ao centro, oferece, a par com a diferença de cores (verde para avermelhado) da aurora, o que deixa bem clara a diferença da altitude da própria aurora.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

SENTINELAS DE UM CÉU DO NORTE

Uma foto absolutamente deslumbrante e surreal foi tirada no passado mês de março na Finlândia.
Árvores cobertas de neve, sob um teto recheado de estrelas, envoltas no manto verde de uma aurora boreal e rasgado pelos rastos de satélites que orbitam a Terra.
Esta foto foi publicada no site Astronomy Picture of the Day, sob o título "Sentinels of a Northern Sky". Não podia ser mais apropriado...

Fonte: https://apod.nasa.gov/apod/ap170110.html

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

SUPER LUA

Muita gente anda em euforia com a "Super Lua" e a própria televisão exagerou um pouco. Mas muita gente também acha que isto não é nada de especial.
No meio disso, é preciso encontrar um meio termo, em que devemos realçar o acontecimento astronómico que hoje aconteceu (e ficar felizes por a comunicação social ter dado atenção à Astronomia!), mas ao mesmo tempo perceber que isto é um fenómeno físico perfeitamente natural.

Ora, a Lua hoje não estava diferente de todos os outros dias, apenas aparentemente um pouco maior e mais brilhante. Isso acontece porque a Lua Cheia (temos uma de 28 em 28 dias) coincidiu com o perigeu da sua órbita.

E o que é o perigeu?
Todas as órbitas têm 2 pontos "notáveis", o perigeu e o apogeu. O apogeu é o ponto mais afastado de uma órbita (o objeto em causa aparenta ser menor) e o perigeu é o ponto mais próximo (o objeto em causa aparenta ser muito maior), e foi este último que aconteceu hoje. 
Sim, a Lua estava uns milhares de km mais perto de nós, mas mesmo assim ainda está a uma média de aproximadamente 384 000 km.

Ora, o que torna o evento de hoje especial é o facto de ser raro. Não tem nada de sobrenatural, é apenas raro. E belo!

A imagem que publico em baixo ajuda a explicar a órbita da Lua e as suas fases.


Em baixo deixo duas fotos que ajudam a ter uma perceção da diferença que o tamanho aparente da Lua tem aos nossos olhos.


Como diria Carl Sagan, podemos continuar apaixonados pela Natureza, mesmo que compreendamos os factos físicos do que vemos à nossa volta.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O HAVAI NÃO É SÓ PRAIA

Uma boa máquina, um fotógrafo com bom sentido de oportunidade e uma brutal dose de sorte, são os condimentos necessários para se conseguir uma imagem fabulosa.

Numa só imagem, são captados 4 fenómenos naturais: um vulcão em erupção, um meteoro, a Via Látea e a Lua.


Esta imagem foi conseguida pelo norteamericano Mike Mezeul, no Parque Nacional dos Vulcões do Havai, e mostra bem a espetacularidade da Natureza, com todo o seu poder, um misto de poder e deslumbramento.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

ADEUS, ROSETTA! E OBRIGADO...

Chegou ao fim.
Chegou ao fim um trajeto de 12 anos. Lançada a 2 de março de 2004, com a sua "filha" Philae, a Rosetta percorreu um longo caminho até chegar, a 6 de agosto de 2014, ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko (http://sci.esa.int/comet-viewer/). 


Foram 786 dias no cometa, a trabalhar, incansável. 
Pelo meio, perdeu o contacto com a Philae, que tinha descido à superfície do 67P, voltou a ganhar contacto, e voltou a perdê-lo. A Philae havia ficado para sempre na superfície do cometa...

Foi decidido que a Rosetta deveria descansar junto da sua filha. Os engenheiros decidiram terminar a missão através de uma aterragem controlada. O último comando para a Philae foi enviado esta manhã, e às 11h18, tempo UTC, chegou a confirmação de que a Rosetta havia sido desligada. 40 minutos depois, surge a confirmação, na Terra, da perda do sinal. A Rosetta estava a dormir. 
Para quem seguiu a transmissão feita pela ESA, foi fácil ver um misto de emoções na expressão dos engenheiros. Festa pelo sucesso da missão, tristeza pelo fim de um longo processo.

Esta é a última fotografia tirada pela Rosetta ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Foi tirada momentos antes do impacto. As previsões apontavam inicialmente para uma distância de 51 metros da superfície, mas novos cálculos defendem que a foto tirada a 20 metros. A escala é de cerca de 5mm/pixel, e a imagem tem cerca de 2.4 metros de dimensão.

Créditos: ESA/Rosetta/MPS for OSIRIS Team MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA

Confesso que fico com uma sensação de nostalgia. Fui acompanhando os passos principais da missão, desde o lançamento até ao descanso final, passando pelo "Olá" após anos de navegação solitária pelo Espaço, e pela descida da Philae até à superfície do cometa.

No cômputo geral, fica para a História mais uma vitória do Homem na exploração de outros mundos.

sábado, 10 de setembro de 2016

A BORDO DA JUNO

Foi completado o caminho de 2.7 mil milhões de quilómetros percorrido pela Juno, a sonda enviada pela NASA a Júpiter em 2011.

Nela, vão 3 passageiros insólitos, 3 pequenos legos que representam Júpiter, Juno e Galileu. E porquê estas 3 personagens?


Dizem as mitologias grega e romana que o deus Júpiter colocou um manto de nuvens sobre si mesmo para esconder a sua amante. No entanto, desde o Monte Olimpo, a sua esposa Juno conseguiu furar esse manto de nuvens e revelar a verdadeira natureza de Júpiter.
Nestes pequenos bonecos, Juno transporta consigo uma lupa que simboliza a sua busca pela verdade, enquanto o seu marido segura um raio.
O terceiro membro da tripulação lego é Galileu Galilei, que fez descobertas importantes sobre Júpiter, inclusivamente os 4 maiores satélites naturais de Júpiter (as luas galileanas: Calisto, Europa, Io e Ganimedes). Obviamente, a versão lego de Galileu comporta um telescópio, para esta sua jornada.

O objetivo da parceria NASA-Lego é precisamente incentivar as crianças e jovens a encararem a ciência como algo divertido e atraente, e penso que assim... conseguem. :)

terça-feira, 6 de setembro de 2016

ENCONTRARAM A PHILAE!

A Philae, o módulo que viajou junto com a Rosetta até aterrar no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, apareceu finalmente nas imagens.
Em novembro de 2014 teve problemas com a aterragem, uma vez que os arpões que a deveriam prender à superfície do cometa falharam. Os ressaltos daí resultantes fizeram com que a Philae acabasse por ficar numa zona de muito difícil acesso, uma vez que a luz solar direta que iluminava a Philae era diminuta.
Só foram possíveis novas comunicações, infelizmente curtas, em junho e julho de 2015, após tentativas dos engenheiros da ESA de contactos mais longos, que permitiriam reprogramar a Philae e dar-lhe novas instruções para operar.
A 27 de julho de 2016, o módulo de comunicações a bordo da Rosetta, que permitia comunicar com a Philae, foi desligado, impossibilitando qualquer comunicação com o módulo à superfície do cometa.

A Philae aparce agora, numa foto da câmara OSIRIS, a bordo da Rosetta. tirada a 2 de setembro. A imagem foi captada a 2.7 km de distância, a resolução é de 5 cm/pixel. 

Créditos: Main image and lander inset: ESA/Rosetta/MPS for OSIRIS Team MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA; context: ESA/Rosetta/NavCam – CC BY-SA IGO 3.0

A imagem permite ver o corpo da Philae, de 1 metro de largura, e 2 das suas 3 pernas. 
A foto do canto superior direito permite ver, através do ponto vermelho, o local do cometa onde a Philae vai permanecer para sempre...

Ok, este é um feito da Engenharia. São máquinas, computadores, não pensam...
Mas tudo tem um lado poético. Se me provoca uma certa nostalgia constatar que a Philae vai ficar para sempre abandonada num mundo desconhecido, não posso deixar de pensar que este é um marco na exploração espacial por parte do Homem. As Voyagers, a New Horizons, a Juno, a Philae, tantos e tantos engenhos que já enviámos para o Espaço em viagens de ida sem volta, são a prova do espírito aventureiro do Homem e do sonho de dar a conhecer novos Mundos ao Mundo.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

quarta-feira, 4 de maio de 2016

URSA MAIOR - Onde está?

Na sequência do post anterior, o passo seguinte foi explicar que todas as estrelas pertencem a uma constelação, e que não podem pertencer a duas constelações diferentes.

Exemplo perfeito para ilustrar uma constelação numa noite estrelada no hemisfério norte? A Ursa Maior.

Aqui ao lado direito está a imagem das 7 estrelas mais visíveis desta constelação. 

Desde muito cedo que o Homem se habituou a ver imagens no céu e a batizá-las de acordo com o que via e com a sua realidade. Na França, estas estrelas são chamadas de "A Caçarola", na Inglaterra são "O Arado", na China é "O Burocrata Celestial", na Índia são "Os Sete Sábios", na Europa da Idade Média era "A Carruagem" ou "A Carroça", e os egípcios colocaram estas estrelas num grupo maior e viam nela uma procissão de um touro a puxar um homem na horizontal.
No entanto, esta constelação foi batizada como "Ursa Maior" devido à mitologia grega.

Ok, então e onde vemos a ursa?

Fica a imagem em baixo. Vamo-nos abstrair das outras imagens que podemos ver. Não será difícil distinguir as sete estrelas mais visíveis na zona do dorso e na cauda da ursa. Estas estrelas giram em torno de Polaris, a atual Estrela Polar, que marca sempre a direção Norte.

Fica mais um desafio: encontrar a Ursa Maior no céu noturno e procurar ver nela a imagem da Ursa.

terça-feira, 3 de maio de 2016

INICIAÇÃO - Como distinguir estrelas de planetas?

João Tomás, este post é para ti. :)

Como é que se começa a explicar a duas crianças o que veem quando olham para o céu noturno?
Pareceu-me óbvio que o ponto de partida teria de ser explicar o que são estrelas, o que são planetas, e como distinguir ambos a olho nu.

"É fácil! As estrelas têm pontas e os planetas não!", diz a Joana.

Pois, mas não é bem assim... Depois de pensar como havia de responder, tentei explicar que as estrelas, como o Sol, são enormes bolas de fogo, mesmo muito grandes e mesmo muito quentes, e que os planetas são bastante mais pequenos, e que podem ser constituídos por rocha ou por gás.



Além disso, há outras caraterísticas que distinguem claramente uma estrela de um planeta, quando observados a olho nu: a estrela tem luz própria, cintila e parece tremeluzir, enquanto o planeta apenas reflete a luz que a sua estrela faz incidir sobre si, apresentando por isso um brilho mais fixo.
Parece difícil conseguir fazer a distinção, porque todos os pontos nos parecem iguais, mas o treino e a insistência vão mostrar-nos bem a diferença. Além disso, vamos ver que alguns pontos também são azulados, alaranjados, avermelhados ou amarelados.

Deixo em baixo uma imagem representativa do céu que é possível ver na nossa latitude, olhando para Sul, cerca da 1h da manhã (um pouco mais cedo também serve, mas Marte e Saturno estarão bem mais baixos no horizonte). 
Fica o desafio para o João Tomás e para outras pessoas que queiram experimentar este primeiro passo na observação do céu noturno: conseguem encontrar Júpiter, Marte e Saturno no céu, e distingui-los das estrelas?