sábado, 30 de novembro de 2013

A COR DO CÉU NOS PLANETAS EXTERIORES

Na sequência do meu post anterior, falo hoje sobre a cor que o céu pode tomar quando visto a partir de Júpiter, Saturno, Úrano ou Neptuno. Nem sequer falo em "superfície" porque em bom rigor não podemos falar de "superfície" nestes planetas, pois a sua camada exterior é gasosa e, eventualmente, haverá um núcleo rochoso no seio de cada um deles. Como tal, vamos considerar este post como... especulativo, se calhar, uma vez que vamos começar por imaginar o que veríamos se estivéssemos num local onde, muito provavelmente, nunca ninguém estará.

À superfície destes planetas, o céu apresentar-se-ia totalmente negro e sem estrelas. A camada atmosférica é tão espessa e tão densa, que nenhuma luz, proveniente do Sol ou de qualquer outra estrela, a consegue atravessar até ao fim. Podemos é imaginar como seria se estivéssemos um pouco mais acima...
À medida que vamos "subindo" atmosfera de Júpiter acima, veremos o céu tomar um tom vermelho-acastanhado. Como a camada de nuvens tem espessura variável, poderemos vislumbrar alguns tons de azul. A presença do amoníaco na atmosfera jupiteriana faz com que à medida que formos chegando às suas camadas exteriores o céu tome uma tonalidade azul-negra.

O mesmo se passará em Saturno, mas o tom das cores será mais esbatido.


Nos planetas mais exteriores, tudo é diferente.
Em Úrano e Neptuno, o hidrogénio e o hélio estão muito presentes na atmosfera, mas esta é também muito rica em metano. E e o metano que absorve muito da luz amarela e vermelha, deixando passar a luz azul e verde. Recordo aqui o espetro da luz visível, de que falei no post anterior.
Em ambos os planetas, o céu será azul esverdeado, sendo que em Neptuno pode tomar uma tonalidade mais forte.

O que consigo reter deste pequeno levantamento de informação que fiz para fazer este post é que há um céu para cada mundo.
Estamos totalmente formatados para o "céu azul" de dia e para o "céu negro" de noite, mas essas são apenas as condições que temos na Terra. Em outros mundos, tudo seria diferente...

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A COR DO CÉU NOS PLANETAS INTERIORES

Há algum tempo deixei aqui alguns textos acerca das cores que o céu pode tomar.
Claro que todos esses textos refletiram o ponto de vista "terrestre".

Hoje levanto o véu sobre as cores que o céu pode tomar quando visto da superfície dos Planetas interiores, ou seja, Mercúrio, Vénus, Terra e Marte.
Mas antes disso, convém primeiro lembrar o que é a cor. Ou melhor, por que motivo vemos determinada cor. E para isso, há que recordar o espetro eletromagnético:


A cor da luz do Sol é branca, porque a vemos como a mistura de todas as cores. É por isso que, quando olhamos diretamente para o Sol, vemos branco.
O que torna o céu azul é o espalhamento que a luz sofre, ou dispersão, ao passar na atmosfera. Cada elemento da atmosfera é responsável pela dispersão de um determinado comprimento de onda. Na atmosfera da Terra, maioritariamente composta por oxigénio e nitrogénio, o comprimento de onda que sofre mais dispersão, é o da cor azul.

Isso explica o motivo de o céu na Lua ser sempre negro. Só vemos branco quando olhamos diretamente para uma Estrela, por exemplo. Em todo o resto do "céu lunar", e uma vez que não há atmosfera que disperse o que quer que seja, o céu é negro (sinónimo de ausência de luz). O mesmo se passa no céu visto dos Asteroides e das Luas de outros Planetas, por exemplo, pois os corpos são tão pequenos que não têm gravidade suficiente para reter atmosfera.

A mesma questão afeta Mercúrio. Sendo tão pequeno, Mercúrio não retem atmosfera, o que faz com que a luz do Sol atinja diretamente a superfície do Planeta, sem sofrer qualquer dispersão. Logo, céu negro!

Mas nem todos os Planetas são tão descoloridos e aborrecidos como Mercúrio.
Vénus tem um céu bem mais interessante. A atmosfera, lá, é tão densa, que pequenos comprimentos de onda não conseguem penetrar até à superfície. O violeta, o azul e o verde, por exemplo, são bloqueados nas camadas superiores da atmosfera. O pouco que consegue entrar acaba por ser sucessivamente refletido para as camadas mais altas até se dispersar para o Espaço.
O comprimento de onda que consegue atingir a superfície é o vermelho, como uma espécie de por do Sol por todo o lado. Mas uma vez que o enxofre nas nuvens altas dão uma coloração amarelada, a mistura final dá um céu cor de laranja em Vénus.

Já em Marte o céu será uma mistura entre o cor de rosa e o púrpura. Isso acontece porque a atmosfera marciana é muito mais rarefeita que a terrestre, e porque as poeiras de óxido de ferro que cobrem a superfície do Planeta são levadas pelos ventos que ocorrem em Marte até à atmosfera. Se a atmosfera fosse limpa destas poeiras, o céu marciano seria azul, embora um azul mais escuro, devido à menos espessura da atmosfera, quando comparada com a da Terra. Vejamos algumas imagens de Marte, todas recolhidas pela Mars Pathfinder:







Em cima, temos à esquerda a imagem do céu ao meio dia de Marte, o mais claro que pode ficar. À direita, é a imagem do por do Sol em Marte.

Em baixo, vemos o céu púrpura de Marte e a presença de nuvens geladas na imagem da esquerda. À direita, temos na mesma o momento do por do Sol, registado pela Mars Pathfinder.



segunda-feira, 30 de setembro de 2013

TRÂNSITO DA ISS PELA LUA

É por imagens como esta que eu amo o Espaço.
A poesia de algo assim, em que uma obra fabulosa de Engenharia se mistura com a paisagem perene da Lua nos nossos Céus Noturnos, tira-me o fôlego.


Conseguem ver a Estação Espacial Internacional (ao meio um pouco para a direita) um pouco acima da Cratera de Tycho (aquele círculo de onde parecem sair raios)?

Esta imagem é de 20/12/2012.
O trânsito da ISS durou pouco mais de meio segundo. Neste momento, a ISS estava a 424 km da Terra e a orbitar-nos a cerca de 28 000 km/h.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

EQUINÓCIO DE SETEMBRO

É normal as pessoas não saberem o que é o equinócio, tal como é normal não se saber o que é o solstício.

Mas antes de explicar o que é um equinócio, convém explicar por que motivo temos estações do ano.
O primeiro passo que é preciso desmistificar é que é verão quando a Terra está mais perto do Sol. ERRO CRASSO! Se assim fosse, como se explicaria que o verão no hemisfério norte seja simultâneo com o inverno no hemisfério sul? Se fosse verão por a Terra estar mais perto do Sol, então teria de ser verão no Planeta inteiro, certo?
Há pouco tempo tentei explicar isto a um tipo que insistiu comigo que eu estava errado. Porque, dizia ele, "se está mais calor, é porque está mais perto". Desisti. Não o consegui fazer entender que está mais calor porque o Sol passa mais tempo a iluminar-nos e a aquecer-nos. Nasce mais cedo e põe-se mais tarde. Isso faz com que esteja mais tempo acima do horizonte. Logo, temos mais calor...

E é precisamente isto que nos remete para o porquê de termos estações do ano.
Temos estações porque a inclinação do eixo da Terra relativamente ao Sol não é constante. É verão no hemisfério norte quando a inclinação desse eixo faz com que o Sol passe mais tempo a incidir no hemisfério norte e o mesmo se passa no hemisfério sul.
É por isso que o solstício de dezembro marca o verão no hemisfério sul (inverno no hemisfério norte) e o solstício de junho marca o verão no hemisfério norte (inverno no hemisfério sul).
A imagem que coloco a seguir é altamente explicativa. Repare-se bem na direção dos polos norte e sul, e como é mais fácil perceber que o sol passa mais tempo a iluminar o hemisfério norte ou sul consoante a inclinação no momento.















Ok, agora os equinócios.
Ora bem, tem de haver um ponto de transição entre estes dois extremos (os solstícios). Esse ponto marca o momento em que um hemisfério deixa de ser o "que mais Sol leva", para passar a ser o outro. Esse momento chama-se... EQUINÓCIO!
Tecnicamente, diz-se que o equinócio é o instante em que o Sol, na sua órbita aparente (ou seja, como vista da Terra), cruza o Equador celeste. O Equador celeste é a projeção da linha do Equador terrestre projetada na esfera celeste (podemos imaginar a esfera celeste como uma espécie de "cúpula" que IMAGINARIAMENTE nos envolve).
De outra forma, é o ponto em que a eclítica cruza o equador celeste. A eclítica é a linha imaginária percorrida pelos Planetas nas suas órbitas. Mas vamo-nos ficar pela primeira definição.

A origem etimológica da palavra "equinócio" é o latim, em que aequus (igual) e nox (noite) significam "noites iguais". Vistas as coisas de outro prisma, é o momento em que os dias e as noites são iguais.

E para isto, convém explicar como se mede o dia.
Mede-se desde a "alvorada" (ou "dilúculo") até ao "ocaso" (ou "crepúsculo").
O dilúculo é o instante em que precisamente metade do disco solar está acima da linha do horizonte e metade abaixo e o crepúsculo é a mesma coisa ao por-do-Sol. Assim, durante os equinócios, o dia e a noite têm precisamente 12 horas.
Penso que a imagem seguinte ajuda a compreender um pouco o que acabei de dizer.


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

CIÊNCIA E RELIGIÃO NA MESMA FOTO

Lua e Vénus sobre o Cristo-Rei no Rio de Janeiro.

Ciência e Religião de mãos dadas?
Cristo a agarrar a Ciência?
Ou a Ciência a mergulhar sobre Cristo?

Perfeito, simplesmente perfeito.


Créditos da foto: Josselin Desmars

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

ASTRONOMIA Q&A

Divulgo este link, de um website dedicado a perguntas e respostas sobre Astronomia.
Já me inscrevi e já participei.
Amantes da Astronomia, registem-se!

http://astronomia.galactica.pt/


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

ESTE E OUTROS MUNDOS... - parte 2

Lançaram-me o desafio de pesquisar que cores terá o céu a partir da superfície de outros Planetas. Esse desafio não está esquecido...

Hoje apetece-me apenas falar do que sinto e do despertar de consciência que uma noite a olhar para a... noite... provoca. É o descobrir de um Mundo que não está "lá em cima", que não orbita em torno de nada a não ser de nós próprios. O Nosso Mundo Interior.

Antes de me deitar, e à falta de oportunidade de levar o meu telescópio para um local apropriado, vou passar uns minutos à janela do meu quarto. Tenho a sorte de não ter prédios altos à minha frente e consigo ver alguma coisa da Noite.
Mas a Noite é para ser desfrutada em pleno. Gosto do Silêncio, do Cheiro da Noite. Gosto das Sombras e das Luzes indicadoras da presença de Mundos sobre a minha cabeça. E todo esse ambiente desperta-me para outro Mundo, o que está dentro da minha cabeça.

Há uns dias, o clima muito peculiar de Espinho fez-se sentir através da habitual neblina que nos envolve e humedece até aos ossos. Mesmo assim, fui à janela. O Céu estava ligeiramente alaranjado próximo da linha do horizonte, talvez como resultado da iluminação pública. Mas se calhar isso até contribuiu para uma atmosfera de misticismo estranha. A Luz das Estrelas ia e vinha. Júpiter aparecia e desaparecia.
Entre abertas nas nuvens despertei para a minha própria intermitência como Pessoa. O brilho está lá. A Luz está lá.

Por que motivo hei de privar-me a mim mesmo e a quem me rodeia dessa Luz? 
Não sei.

Mas sei que nenhum de nós o devia fazer consigo mesmo e com os seus.
Todos temos a nossa Luz. Não vamos abdicar dela.
A nossa presença na Terra é curta. Vamos aproveitá-la.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

ESTE E OUTROS MUNDOS...

Ando algo desligado das minhas observações do Espaço. Por vezes a Vida trata disso sem nos perguntar se é essa a nossa vontade, e acabamos por tacitamente aceitar os seus desígnios.
Nem telescópio ao relento, nem banhos de escuridão, nem o som do silêncio, quase nem o olhar para cima com olhos de ver, de procurar, de pesquisar... os olhos com que o Espaço merece ser olhado e observado.

Mas a noite de 3ª feira para 4ª feira foi noite de insónia. Semi-insónia, se calhar.
Fiquei a ver o "Million Dollar Baby" no Hollywood. Fez-me bem ver o filme, pois já me tinha esquecido de quão poderosa é a mensagem que transmite. Outra coisa não seria de esperar quando se junta um fantástico Clint Eastwood a um invariavelmente brilhante Morgan Freeman, bem secundados pela Hilary Swank. A mensagem que passa é que a Vida é efémera e que devemos lutar pelos nossos objetivos. Que devemos ser firmes e não deixar que nos ponham de rastos com opiniões que podem não ser válidas. No fim, que é legítimo tentarmos manter a dignidade de controlar minimamente o nosso destino.

Mas depois o filme acabou e fui para o meu quarto. Eram 5h30, mais ou menos.
Fui à janela. Senti logo o cheiro a queimado de um incêndio que lavrava não muito longe e deixava uma coluna de fumo cinzento no ar e tapava todo o Norte da Esfera Celeste. O dia dava sinais de querer nascer, mas ainda assim dava para apreciar algumas das maravilhas que têm andado arredadas dos meus olhos.

Esta é uma visão parecida à que tive nessa noite...

Era incontornável ver o Olho do Touro, Aldebaran, e a sua intensa cor vermelha a sobressair nas Híades. A partir daí, bastava desviar o olhar para a esquerda até Alnath e para cima até às Plêiades. Touro é uma Constelação esplêndida.

Mas o facto de Touro ser visível implica outra coisa fabulosa... é que isso significa que Orion está aí a bater à porta. Tentei perscrutar com o olhar o mais próximo possível do horizonte, acima dos telhados dos prédios que tenho lá mais à frente. Não sei precisar, mas talvez acima dos 10º de elevação, detetei o que me pareceu ser Betelgeuse. Estando ali Betelgeuse, Bellatrix teria de estar mais acima um pouco, mais para a direita do meu campo de visão. Lá estava ela. Confirmado, Orion estava a nascer. Só tive pena de não conseguir vir Alnilam, Alnitak e Mintaka, as famosas Três Marias, e Rigel, eterna companheira nos nossos Céus Noturnos, devido aos obstáculos físicos, muito terrestres, que me limitam a visão do Céu a partir desse local pouco privilegiado para a Observação Astronómica que é o meu quarto.

Capella e Auriga, o Cocheiro, estavam bem lá no alto, e procurei a minha Constelação astrológica, Carneiro. Não acredito em nada dessas tretas, mas acho que todos nós, astrónomos mais ou menos amadores, ou pura e simplesmente amantes da Física e do Céu, gostamos de encontrar e observar a Constelação à qual aqueles pseudocientistas astrólogos dizem que pertencemos.

Mas mesmo ali à minha frente, estava a conjunção Júpiter-Marte.
Primeiro apercebi-me de que ao lado de Júpiter estava uma "não Estrela". Distinguem-se pelo brilho fixo e não cintilante. Observei melhor. Marte distingue-se pelo seu tom avermelhado, que olhos não treinados confundem com uma qualquer Estrela. O Planeta Vermelho estava ali bem diante dos meus olhos, a fazer companhia ao gigante Júpiter.
É impossível não me emocionar quando penso em tudo o que isso significa. Como o mestre Carl Sagan diria, não eram "simples Planetas" que estavam ali, mas sim outros "dois Mundos". Olhamos para Terra e vemos "o" Mundo, mas é apenas "o nosso" Mundo. Há mais Mundos no Universo. 

NÃO, NÃO ACEITO QUE ESTEJAMOS SOZINHOS NA VASTIDÃO CÓSMICA! 

Ser Astrónomo (amador ou não), ou simples Observador do Espaço, não é ser mais do que ninguém. É apenas ter mais consciência do nosso lugar no Cosmos. 
Há tanto por descobrir, tantos Mundos diferentes para contemplar, que acho inacreditável que haja tanta gente a olhar sempre e só para o seu próprio umbigo. Na minha dissertação de Mestrado salientei a seguinte frase de Dante, numa das folhas iniciais:

"Os céus giram sobre ti mostrando-te as suas eternas glórias, mas os teus olhos limitam-se a fitar o chão."

Esta frase tem muitas interpretações. Prefiro aquela que diz:

- Homem, és tão tapado... se levantares a cabeça e procurares ver acima do teu nariz, verás a infinidade de maravilhas que estão à tua espera!

E isto aplica-se muito, mas mesmo muuuuito, à Observação Noturna do Céu.
Astronomia é Ciência no seu estado mais puro, mas também é reflexão, sonho e magia. 
A Astronomia não é uma Ciência para lunáticos, como o meu pai nos chama, mas sim uma Ciência para quem quer e gosta de ter os pés bem assentes na Terra. Pois só assim podemos elevar as nossas mentes na descoberta e compreensão de outros Mundos.

Se calhar ninguém leu este post até ao fim.
Gosto de pensar que algum corajoso ou alguma corajosa respirou fundo e seguiu esta exposição dos meus pensamentos. Se sim, que se sinta livre para se manifestar... Um "fumaste algo que não devias!" ou um "partilho do que sentes!" serão igualmente bem aceites, com um sorriso. Afinal, o que pretendo e sempre pretendi com este meu blogue de Astronomia é fazer a minha pequeníssima parte de divulgação da Ciência, bem como incentivar e estimular a conversa sobre a compreensão deste e de outros Mundos.
Acho que hoje falei de um Mundo do qual não falo muito. O Meu Mundo.

terça-feira, 23 de julho de 2013

O PONTO AZUL CLARO


Carl Sagan, o mestre da divulgação científica, escreveu um livro intitulado "Pale Blue Dot", "O Ponto Azul Claro" na sua tradução em Português. Referia-se, obviamente, à Terra vista do Espaço, uma visão de pequenez de que poucos temos consciência.

Hoje temos o privilégio de ver fotos como esta.
A Cassini, sonda enviada pela Agência Espacial Europeia (ESA), pela NASA e pela Agência Espacial Italiana para explorar Saturno, captou o nosso lar de um ângulo simplesmente magnífico! A nossa casa aparece com a nossa Lua, vista por detrás dos aneis de Saturno.

O Sol encontra-se em oposição à Cassini, do outro lado de Saturno, por isso vemos o planeta apenas como uma esfera escura, tal como um eclipse. Os intervalos na orla brilhante de Saturno, provocada pela luz solar, são devidos às sombras que os aneis provocam no globo de Saturno, porque impedem a luz do solar de passar até à atmosfera deste gigante gasoso.
Dois dos aneis foram ligeiramente "retocados" informaticamente para que possam ser mais visíveis.

A Terra encontra-se aqui a 1,44 mil milhões de km (1 440 000 000 km) de distância, e está sinalizada pela seta. A Lua é uma protuberância que surge do lado direito. Aumentando 5 vezes a imagem vemos melhor o nosso vizinho.


Confesso que a primeira foto que coloquei me comove muito.
Faz-nos perceber o nosso lugar no Universo, e como aquilo que nos parece relevante do nosso ponto de vista egocêntrico, num contexto global é irrisório. Basta pensar que todos os outros pontos brilhantes são Estrelas...
É por isso que amo tanto a Astronomia, não só como Ciência, mas também devido à consciencialização que provoca em quem se dedica a ela.

Créditos das fotos: NASA / JPL-Caltech / Space Science Institute

segunda-feira, 15 de julho de 2013

TEMPESTADE SOB A VIA LÁTEA

E quando uma tempestade se forma sob a Via Látea?
Claro, dá uma imagem absolutamente arrebatadora...

Esta foto foi tirada com tempo de exposição de 15 segundos, no estado norteamericano do Dakota do Sul.


Créditos da foto: Randy Halverson, DakotaLapse.com

terça-feira, 25 de junho de 2013

O SOM DOS PULSARES

Convém primeiro explicar, rapidamente e para os menos informados, o que é um pulsar.
Um pulsar é uma Estrela em rápida rotação, que envia radiação altamente energética. Tal como num farol, a radiação só é detetada quando o feixe está "apontado" para a Terra. Estas Estrelas têm períodos muito curtos de rotação, com intervalos muito precisos, de segundos a milissegundos.
"Ouçamos", então, o som da radiação emitida pelos pulsares, convertida para frequências áudio.

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segunda-feira, 24 de junho de 2013

O SOM DOS PLANETAS

Recordo: isto não é verdadeiramente o som dos Planetas!
É a conversão das ondas eletromagnéticas recebidas dos Planetas em frequências áudio.

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quinta-feira, 20 de junho de 2013

O SOM DA TERRA

Claro que isto não é efetivamente "o som" da Terra, captado pelos nossos satélites.
É a conversão das ondas eletromagnéticas em frequências áudio, segundo o mesmo processo usado para o "som" do buraco negro que postei há algumas semanas atrás. Mas não deixa de ser fantástico...

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quarta-feira, 12 de junho de 2013

A NEBULOSA DE ORION EM HD


Já não é a primeira vez que aqui falo da Nebulosa de Orion, e com certeza não será a última.
Acho-a bela. Demasiado bela.

Decididamente, a imagem do objeto 42 do Catálogo de Messier (M42) é poesia pura. Ainda mais, se pensarmos que é um berçário estelar, ou seja, um local onde há Estrelas em formação.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

"A FÓRMULA DE DEUS"

Eis uma leitura que me fascinou da primeira à última página.

Quem pegar neste livro, tem de estar preparado para uma boa dose de especulação, mas uma especulação lógica e sustentada, com muitos factos físicos comprovados pelo meio.

É um romance inundado de Astronomia, Física, Química e Matemática, com imensos factos históricos e curiosidades ao longo de toda a história, a juntar às fantásticas descrições dos locais visitados.

Razão tinha a minha namorada ao dizer que eu o ia adorar quando mo deu... só não sabia ela que eu ia gostar tanto!
Acho que ela não se importa que eu revele aqui algo que lhe disse ontem. Eu disse-lhe que ao ler um romance de Isabel Allende ou Paulo Coelho, sinto-me junto ao mar a ver passar um barco à vela com uma bela história. Ao ler os poemas em prosa caraterísticos de Carl Sagan (de longe o meu escritor de eleição), sinto-me dentro do barco a ser conduzido pelo vento. Ao ler este livro de José Rodrigues dos Santos, senti-me muitas vezes o próprio barco...

Recomendo todas as 571 páginas do livro.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

OUTRA NOÇÃO DE GRANDEZAS

Há 4 anos publiquei um vídeo que nos dava uma imagem de como somos pequenos (ver Uma Noção de Grandezas).
Hoje publico outro, com o mesmo teor.
Somos mesmo um pequeno grão de poeira estelar, mas ainda achamos que o Universo é só nosso...
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sexta-feira, 17 de maio de 2013

NASCER DO SOL A 400 km DE ALTITUDE

Chris Hadfield é um astronauta canadiano que esteve a bordo da ISS (Estação Espacial Internacional) durante algum tempo, e que está agora de volta à Terra.
A sua presença no Espaço foi marcada pela divulgação da Ciência no seu melhor, através de vídeos com simples experiências científicas ou através da publicação de várias fotos da Terra vista do Espaço.

Esta foto foi uma das últimas a ser publicada.
Mostra o nascer do Sol e a finíssima camada de atmosfera que envolve a Terra. Vista daqui tem-se mesmo a perceção da sua fragilidade...

Devemos muito a Chris Hadfield. Esta foto é mais do que Ciência. É pura poesia...


terça-feira, 14 de maio de 2013

O SOM DE UM BURACO NEGRO

As imagens são, obviamente, uma animação.
O som corresponde a emissões do raio-X do GRS1915+105, que é um sistema binário entre uma estrela e um buraco negro, o mais denso dos que são conhecidos. Esses raios-X são convertidos em frequências audíveis.
Grosso modo, é a mesma conversão de frequência que fazemos com as ondas de rádio.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

BURACO NEGRO - O que é?

É difícil explicar o que É um buraco negro. Quanto mais não seja, porque é difícil PERCEBER o que é um buraco negro!
Não vou aqui dissertar exaustivamente sobre a definição de buraco negro, até porque não tenho conhecimentos para isso, mas é possível que este meu post contenha, ainda assim, lapsos e imprecisões. Mas também é possível que, ao ler isto, alguém com melhor formação em Astronomia me possa corrigir eventuais falhas. Este é um tema "menos fácil", e tento aproveitar a visibilidade de um blogue que, modéstia à parte, é lido um pouco por todo o lado, para solicitar a ajuda de quem sabe mais do que eu.
Sr. Astrónomo que está desse lado a ler as minhas palavras, realce os pontos em que estou certo, e ajude-me a corrigir aquilo em que não estou, ok? Agradeço desde já... :)
A "definição" atual de buraco negro é baseada na Teoria Geral da Relatividade (1915) de Einstein.
Resumidamente, um buraco negro é uma região do Espaço de onde nada sai. Nem objetos que se movam à velocidade da luz (a maior velocidade conhecida), nem a própria luz. Daí advém o nome "buraco negro", porque ele não reflete qualquer luz que atinja uma superfície chamada "horizonte de eventos". 
O que é o "horizonte de eventos"? Basicamente, é um "no turning point". Algo que atinja esta superfície, "cai" no buraco negro e não mais volta a sair.

Os buracos negros têm propriedades esquisitas. Muito esquisitas. De tal forma esquisitas, que muitos cientistas são céticos quanto à própria existência de tais corpos. Gradualmente, o estudo dessas propriedades vai-se tornando uma área de grande interesse.

Mas para se compreender o que é um buraco negro, é preciso saber como se forma.
Pensemos, primeiro, nas estrelas como colossais reatores de fusão. As reações químicas que ocorrem numa estrela provocam a sua expansão, mas o intenso campo gravitacional provocado por um corpo de dimensões tão grandes vai mantendo o equilíbrio. É como se houvesse um equilíbrio de forças, uma "a puxar para dentro" e outra "a puxar para fora", uma força centrífuga e outra centrípeta, um violento braço de ferro entre dois homens de força semelhante. Contudo, quando o gás que serve de combustível às reações químicas acaba, o equilíbrio desaparece. A gravidade vence e a contração da estrela é tão rápida, que começa a sugar toda a matéria em seu redor, até se dar uma explosão titânica, que lança matéria e radiação para o Espaço. Isto é uma supernova.

O que fica dessa supernova é o núcleo extremamente maciço e comprimido da estrela que morreu. A gravidade é tão forte, que esse "resto", esse "objeto", simplesmente desaparece. Não o vemos. Para se ter uma ideia (se é que é possível, falando de grandezas literalmente astronómicas) da violência de uma supernova, ela produz, num único segundo, cerca de 100 vezes a energia que o nosso Sol produz em toda a sua vida (aproximadamente 10 mil milhões de anos).

A gravidade do núcleo da estrela morta continua a ser de tal forma enorme, que esse corpo se "afunda" na estrutura do espaço-tempo (tema para um post lá mais para a frente, talvez). Cria-se, aqui, um buraco nessa estrutura. É um buraco negro.
O núcleo transforma-se na parte central do buraco negro, denominada de "singularidade gravitacional".
A abertura do buraco representa o tal "horizonte de eventos" que eu referi mais acima.
A imagem ao lado tem uma espécie de grelha, em linhas claras, que representam a malha espaço-tempo. As setas azuis representam o sentido do movimento de objetos que estejam nas proximidades do horizonte de eventos. Ou veem o seu trajeto alterado ou, estando muito próximos, "caem" para o buraco negro.

É curioso pensar na relação que existe entre algo tão "escuro", de onde nem a luz escapa, com as Estrelas, as mais belas e intensas fontes de luz.

terça-feira, 30 de abril de 2013

PARABÉNS, CARL GAUSS

Estou a ler o livro "O Último Teorema de Fermat".
Ontem, já passava da meia noite, li uma passagem que referia que Carl Gauss nasceu a 30 de abril de 1777, e eu pensei "Eh, pá! É hoje! Tenho de fazer um post amanhã sobre ele.".
Gauss era neto de um camponês muito pobre e filho de um operário, que era muito severo com ele. Teve o apoio da mãe e de um tio, de forma a prosseguir a sua educação. Não foi só um génio matemático. Era também brilhante em Línguas e Astronomia, por exemplo. Se fosse vivo, faria hoje 236 anos.

Uma prova da precocidade da sua genialidade foi algo que aconteceu ainda ele andava na escola, no auge dos seus 10 anos de idade, onde Gauss, apesar de ser extremamente inteligente, não primava pelo bom comportamento.

A professora deu-lhe um castigo, que consistia em manter Carl Gauss na sala a calcular a soma de todos os números de 1 a 100, e só depois poder juntar-se aos colegas no recreio. Dois minutos depois já ele estava fora da sala. A professora ameaçou-o com um castigo pior, mas ele insistiu que tinha já feito o que lhe tinha sido ordenado. Entregou, então,  à professora um pedaço de papel que tinha o número 5050.
Qual foi o método usado pelo jovem Carl?

Escreveu 2 linhas de 101 números:
   0    1    2    3  ...   97    98    99    100
100  99  98  97  ...    3      2      1     0

Posto isto, percebeu que todas as 101 colunas tinham como soma o valor 100.
Logo, a soma de todas as colunas seria 101 x 100 = 10100.
Depois, concluiu que qualquer das linhas tinha a soma que ele pretendia, ou seja, a soma dos números de 1 a 100. Como só queria saber a soma de uma linha, o resultado seria a metade de 10100, ou seja, 5050.
Conclusão: a professora deixou de o castigar com problemas matemáticos...

Coloquei este exemplo só para provar que as mentes brilhantes não têm idade.

Parabéns, Carl Friedrich Gauss. E obrigado por tudo.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

PERSEIDAS - Vídeo

Fantástica, a visão que uma câmara nos pode oferecer quando apontada para o Céu noturno, especialmente numa noite com queda de meteoros. A sensação de ver o Universo rodar sobre nós é absolutamente esmagadora.
Estas imagens são relativas às Perseidas de 2009 e merecem ser partilhadas.
Os créditos deste trabalho encontram-se no fim do vídeo.
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quinta-feira, 4 de abril de 2013

METEORITO vs. ASTEROIDE - A Lei de Titius-Bode

Não há muito mais para "comparar" entre meteoritos e asteroides.
Penso que vou terminar hoje esta sequência de posts sobre este tema.
Mas antes disso, vou ainda fazer um pequeno post sobre a descoberta da Cintura de Asteroides que mencionei no post anterior (ver Meteorito vs. Asteroide - Onde estão os asteroides?).

A descoberta da Cintura de Asteroides deve-se muito à descoberta de Ceres, o maior asteroide de todos e também o primeiro a ser observado.

Na altura em que foi descoberto (por Giuseppe Piazzi, a 1 de janeiro de 1801), Ceres foi classificado como um planeta mas, tal como Plutão, desceu de categoria entretanto, devido a outras descobertas que os colocam noutro patamar.


Em cima, à esquerda, vemos Johann Titius, e à direita, Johann Bode, os percursores da descoberta.

Vamos então ao assunto do post, a Lei de Titius-Bode. O que diz?
Diz que os corpos que estejam num mesmo sistema orbital, orbitam a distâncias (semieixo maior) "definidas" de acordo com as suas posições.
Com números e um pouco de matemática é mais fácil explicar:
  • Sendo a o semieixo maior de cada planeta;
  • Considerando o semieixo maior da Terra (a_Terra) = 10;
  • Então a = 4 + n, em que n = 0, 3, 6, 12, 24, 48, ...
  • Os valores de n são o dobro do anterior para n > 3;
  • Se dividirmos os valores daqui resultantes por 10, convertemo-los em Unidades Astronómicas (UA);
  • A expressão resultante é: a = 0.4 + 0.3x2^m, para m = -inf, 0, 1, 2, ...
  • Isto diz-nos que os planetas exteriores estarão ao dobro da distância do seu companheiro imediatamente interior.
Ok, isto é muito bonito, mas e valores na prática?
Vamos ver o caso do Sistema Solar.
Poderia especificar os cálculos de a, n e de outros dados intermédios do algoritmo que mostrei em cima, mas não vou por aí. Vou pelos resultados que interessam.
A tabela seguinte compara a distância calculada pela Lei de Titius-Bode com a real, bem como o erro de cálculo.
O gráfico que publico de seguida é o resultado da tabela de cima:

A precisão é extremamente elevada, ainda que Neptuno seja uma exceção (erro elevado), uma das exceções pela qual esta lei não é dada como um facto comprovado.

No entanto, o que quero aqui ressalvar é que os cálculos efetuados para os planetas conhecidos em meados do século XVIII (Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno) batiam todos certos. E por esses mesmos cálculos, havia algo a faltar à volta das 2.8 UA.
A descoberta de Urano em 1781 perto de onde seria previsível pela Lei de Titius-Bode veio acentuar a fé na validade desta lei e as buscas pelo elemento que faltava aumentaram.

Finalmente, encontrou-se Ceres e desde aí uma infinidade de outros pequenos asteroides surgiram na mira dos telescópios dos astrónomos. Foi descoberta a Cintura de Asteroides.

Ainda que mais tarde a descoberta de Neptuno tenha feito recuar os crentes nesta lei, o certo é que ela parece ser válida para planetas "mais interiores". Ainda assim, mesmo que não seja um dado comprovado, ao menos a sua existência já serviu para descobrir uma das maravilhas do Sistema Solar.

Espero, com estes posts, ter contribuído um pouco para a compreensão dos meteoritos e dos asteroides, daquilo que os une e do que os separa.

sexta-feira, 22 de março de 2013

METEORITO vs. ASTEROIDE - Onde estão os asteroides?

A maioria dos asteroides conhecidos estão situados no Cinturão de Asteroides, localizado entre as órbitas de Marte e de Júpiter. Este cinturão é, também, conhecido, por cinturão principal, por oposição, por exemplo, ao Cinturão de Kuiper, que alberga vários corpos menores em órbitas transneptunianas.

Existem outros grupos notáveis de asteroides, como por exemplo os Hildas e os Troianos.
Os Troianos têm a particularidade de serem coorbitais com Júpiter. Partilham exatamente a mesma órbita de Júpiter e aí são mantidos por forças gravitacionais. Estão divididos em 2 grupos que, apesar de partilharem a mesma órbita e passarem regularmente "pela mesma zona do Espaço" uns dos outros, nunca se tocam. Como a figura ilustra, um dos grupos é denominado de "Troianos" e outro de "Gregos", numa evidente alusão à Guerra de Troia.
Só a conheço superficialmente (como a maioria das pessoas, presumo...), mas não é preciso um conhecimento profundo para se saber que gregos e troianos não eram muito amigos...

O material de todos os pequenos corpos do cinturão principal tem uma massa não superior a 4% da massa da Lua.
Mas por que razão são tantos fragmentos e por que motivo estão ali?
Supõe-se que sejam restos de um protoplaneta que estaria em formação por altura da formação do Sistema Solar, que acabou por não ter força suficiente para resistir às perturbações gravitacionais de Júpiter, o maior dos planetas gigantes do Sistema Solar, que provocou acelerações, excentricidades e inclinações nada usuais nestes planetesimais, que acabaram assim por, ao invés de se agregarem e formarem um planeta, por se fragmentarem ainda mais.
Uma das consequências dessas perturbações é a existência de zonas que não admitem a presença de qualquer asteroide, chamadas lacunas de Kirkwood (representadas à esquerda, segundo um gráfico que retirei da net, que relaciona o número de asteroides no eixo dos yy com a distância ao Sol medidas em UA - Unidades Astronómicas - no eixo dos xx). Um asteroide que tenha "o azar" de entrar nestas lacunas, sofreria imediatas consequências. Ou seria expulso para fora do Sistema Solar, ou seria remetido para a zona ocupada pelos planetas interiores, onde se inclui obviamente a Terra. Prevê-se (as certezas são difíceis de obter em alguns assuntos...) que cerca de 99% do material inicial tenha já sido expulso desta zona, desde a sua formação.

Daqui, podem retirar-se dois dados importantes.
Primeiro, que esta pode ser uma explicação para os "bombardeamentos" por asteroides de que por vezes somos alvo, e para os voos rasantes que eles fazem sobre nós.
Segundo, que muitas vezes estes são acontecimentos imprevisíveis. É isso que leva os cientistas a seguir um número crescente de asteroides, tentando prever as suas órbitas e possíveis impactos com a Terra.

domingo, 17 de março de 2013

METEORITO vs. ASTEROIDE - O que é um asteroide?

Já falámos um pouco sobre meteoritos. Agora chega a vez de passarmos aos asteroides.
O que é, na prática, um asteroide?

Aquando da formação do Sistema Solar, os protoplanetas foram-se formando por agregação de matéria, pequenos corpos que se foram fundindo por ação da gravidade, e que formaram os planetas. Mas nem todos os corpos entretanto formados deram origem a planetas, por não conseguirem atingir suficiente dimensão para tal. É o caso dos asteroides. Por essa razão, foram também chamados de planetoides.

E esse nome faz completo sentido. Também os asteroides têm satélites naturais, tal como a Terra tem a Lua. 
Na imagem que coloco ao lado, tirada em 1993 pela Galileo, podemos ver Ida, um asteroide, com o seu satélite natural Dactyl.
Dactyl foi o primeiro satélite natural de um asteroide a ser descoberto.
Esta foto foi tirada com câmaras de infravermelhos e posteriormente tratada, para que possamos ver uma imagem na região do espetro visível. Se assim não fosse, dificilmente veríamos as "sombras" que vemos na sua superfície. Aliás, muitas das imagens espetaculares que vemos do Universo levam este tratamento...

Existem 3 tipos de asteroides, cuja classificação varia conforme a sua composição:
  • Tipo-C (ricos em Carbono)
  • Tipo-S (principalmente rochosos - "Stony", em inglês)
  • Tipo-M (principalmente Metálicos)
A segunda imagem à direita, a contar de cima para baixo, compara as dimensões da Lua (à direita de tudo), Vesta (o asteroide mais brilhante, o 2º mais massivo e o 3º em volume) e Ceres (o maior asteroide, com aproximadamente 950 km de diâmetro, também chamado de planeta-anão, composto de rocha e gelo). Como podemos ver, não sendo de dimensões extraordinárias, um impacto de um corpo destes com a Terra teria efeitos cataclísmicos.
Num dos próximos posts tratarei com mais detalhe deste assunto.

Contudo, nem todos os asteroides são "tão grandes". A maioria é bem mais pequena, como a imagem à esquerda demonstra.
Podemos comparar Vesta com outros asteroides:
a. Lutetia
b. Mathilde
c. Ida (e Dactyl), que já vimos em cima
d. Eros
e. Gaspra
f. Steins
g. Itokawa

Como curiosidade, refiro que Itokawa, o menor dos asteroides aqui listados, é do tipo-S, e é um elipsoide com 630 m (+-30 m) de comprimento por 250 m (+- 30 m) de largura.

Continuarei no próximo post a abordar os asteroides, nomeadamente a sua localização no Sistema Solar e as suas órbitas.

sexta-feira, 8 de março de 2013

METEORITO vs. ASTEROIDE - "Chuvas de Estrelas"

Realço as áspas que estão no título.

As Estrelas não caem, muito menos chovem. A tendência das pessoas é que é simplesmente designar de "Estrela" tudo o que brilha no Céu. Já em outras ocasiões referi isso.
Quando alguém pouco familiarizado com o Espaço olha para Júpiter ou Vénus, frequentemente se referem a eles como "Estrelas". Porquê? Porque brilham.
Por isso, não é de admirar que ao verem um meteoro se refiram a ele como uma "Estrela cadente". Porquê? Porque brilha.
E quando são muitos meteoros? É uma chuva de estrelas! Porquê? Pois, porque brilham...

E o que são essas "chuvas"?
Vamos pensar tridimensionalmente. A Terra não é plana e o Universo não gira em torno de nós (Ptolomeu ficaria muito desapontado agora). Somos, ao invés, apenas um dos muitos milhares de milhões de Planetas que existem nos muitos milhares de milhões de Galáxias do Universo. Tudo está em movimento.
Logo, de vez em quando, a nossa trajetória cruza-se com a trajetória de outros corpos celestes. Às vezes colidimos com eles (ou eles connosco, como o meteorito da Rússia, em fevereiro de 2013, para ser mais exato...) e outras vezes passamos a rasar (o asteroide de fevereiro de 2013...).

Ora, no Espaço, muitas coisas tendem a ser previsíveis e cíclicas (com os devidos acontecimentos esporádicos). A nossa órbita em torno do Sol é cíclica, e isso implica que cruzemos regularmente a "mesma zona" do Espaço. E um corpo celeste pode ter uma trajetória (cíclica ou não) concorrente com a da Terra, ou seja, "tocarem-se" num ponto. O que se toca são as trajetórias (ou órbitas, ou caminhos), não os corpos em si.
Se um desses corpos deixar "rasto", quem vem atrás leva com ele. Se, num cruzamento de areia e poeira, um carro passar e levantar poeira, outro carro que chegue a esse cruzamento vindo de outra estrada vai sofrer consequências e o seu dono vai ter de o mandar lavar...

No Espaço é igual.
Pensemos num Cometa.
Não vou descrever ao detalhe a composição de um Cometa (bom tema para um post), mas o que quero realçar é que ele tem uma cauda, que fica muito tempo depois de o corpo principal passar. Como numa estrada arenosa, a sua passagem vai deixar muita poeira no ar.
A Terra, se eventualmente cruzar o caminho já percorrido por esse cometa, vai levar com a "poeira" que fica após a sua passagem. Esta "poeira" são meteoroides, que podem ou não transformar-se em meteoros, consoante entrem na atmosfera terrestre ou não.

Como é fácil de prever, quando acontece algo deste tipo, é suposto a taxa de meteoros ser muito mais elevada que o normal, o que acontece em alturas específicas do ano, em zonas específicas do Espaço. Aqui temos as "chuvas de Estrelas"...
É por isso que as Leónidas, em meados de novembro, existem. Ou as Perseidas, em meados de agosto. Só para citar 2 exemplos.
As Leónidas são as "poeiras" do Cometa Tempel-Tuttle, que tem uma órbita com um ciclo de 33 anos.
As Perseidas são as "poeiras" do Cometa Swift-Tuttle, cujo ciclo é de 133 anos.


Uma última nota, acerca dos nomes dessas chuvas. Estes são atribuídos conforme o radiante. Ou seja, da zona do Céu de onde, aos nossos olhos, parecem vir os meteoros.
A nomenclatura das constelações é feita dividindo a "esfera celeste" em áreas (vamos pensar agora em 2D, porque já havia constelações antes de sabermos que o Espaço é muuuuito profundo).
Quando os meteoros vêm da área onde está a constelação de Leão, temos as Leónidas. Quando vem de Perseu, temos as Perseidas. E por aí fora... falei apenas dos 2 exemplos que dei.

quinta-feira, 7 de março de 2013

METEORITO vs. ASTEROIDE - Imagens do meteoro

De seguida publico algumas imagens do meteorito, em fase... meteoro.
Se bem se lembram do meu último post, aquando da sua entrada na atmosfera terrestre, liberta um clarão. É precisamente isso que este vídeo (retirado do youtube) permite ver.
video

Deixo também algumas fotos do evento.




Esta imagem mostra o rasto que o meteoro deixou na atmosfera.


segunda-feira, 4 de março de 2013

METEORITO vs. ASTEROIDE - O que é um meteorito?

Na sequência que tenho escrito, o meu post de hoje tenta dar uma luz sobre a definição de meteorito.
A visão pouco romântica diz que é uma pedra. Isso, para mim, é uma visão muito redutora.

Um meteorito é de origem mineral e pode ter origem na própria formação dos Planetas e das suas Luas, em asteroides, ou podem ser detritos deixados por cometas. Assim, quando a Terra cruza esses "rastos" deixados por esses cometas à sua passagem, vemos "chuvas de Estrelas" (motivo para um próximo post).

Existem 3 tipos de meteorito: rochosos, ferrosos e uma mistura de ambos.

Em cima vemos imagens de 3 meteoritos que caíram na Terra.
A imagem da direita corresponde ao maior meteorito que alguma vez foi recuperado em território americano.

Se compararmos com a pequena imagem ao cimo de tudo neste post, vemos como podem assumir diversas formas e estruturas, e com isso diferentes graus de destruição, riscos de segurança e possibilidades de estudo sobre matéria extraterrestre.
A propósito desse assunto, uma análise microscópica ao ALH84001, um meteorito que caiu na Antártida em 1984, revela fosseis de forma de vida bacteriana, como a imagem documenta.

É importante que se retenha que a probabilidade de vida extraterrestre é extremamente elevada sob a forma de vida bacteriana e microscópica, e não sob a forma de homúnculos verdes ou cinzentos, conforme o gosto do especulador do momento...

Há ainda outra coisa a reter, e tem a ver com a terminologia utilizada.
Meteoro e meteorito não são bem a mesma coisa, e existe ainda o termo "meteoroide", menos popular mas não menos importante por isso.
Um "meteoroide" é um fragmento de rocha com diâmetro (não são esféricos, mas vamos considerar que sim, ok?) e que orbita o Sol.
Quando esse meteoroide entra na atmosfera terrestre, a sua fricção com as partículas de ar vai aquecer a superfície do meteoroide e vai derreter. Solta-se uma chama que brilha intensamente. O brilho e o meteoroide, em conjunto, formam o "meteoro", popularmente chamado de "estrela cadente".
Sobreviver à passagem pela atmosfera é uma tarefa exigente, que a esmagadora maioria dos meteoros não consegue. E nenhum sai ileso, porque inevitavelmente vão diminuir e perder massa, mas aos que conseguem e atingem a superfície terrestre é-lhes dado o nome de "meteorito".
Este quadro ajuda a perceber a ideia:
Velhice é um posto.
Devemos respeito a estes corpos celestes, não só porque nos podem dar cabo da vida, como pelo conhecimento que nos podem permitir ter do Espaço, das formas de vida que podem albergar e de todo um conjunto de questões relevantes para a Ciência e para a Astronomia e para a Cosmologia em particular. Mas também os devemos respeitar porque a maioria destes corpos datam de há 4,5 ou 4,6 mil milhões de anos, a idade estimada para a própria Terra.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

METEORITO vs. ASTEROIDE - "Death from the Skies"


Este post é mesmo muito curto.

Tinha falado no último post, METEORITO vs. ASTEROIDE - Estão relacionados?, num livro muito bom de Philip Plait.

Deixo aqui a imagem da capa, para que os eventuais interessados possam procurá-lo. Se gostam de uma escrita rigorosa mas bem humorada, este livro vai fazer as vossas delícias.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

METEORITO vs. ASTEROIDE - Estão relacionados?

Resposta pronta: NÃO!

E agora sim, descrevo o post que vou fazer. Ou melhor, a série de posts que inicio hoje.
Gosto de escrever posts em sequência, desde que estejam relacionados, obviamente. Penso que assim consigo abranger temas mais alargados sem ser demasiado maçador, centrando as minhas atenções em um "subtema" de cada vez. E este tema é altamente propício a isso. Não sei se vou fazer 1 post sobre isto ou se vou fazer 10. Sei que vou escrever sobre um tema atual.

Na semana passada (15/02/2013), o Mundo acordou para a Astronomia, graças às notícias que davam conta da queda de um meteorito na Rússia e da passagem (muito) próxima da Terra de um asteroide. De repente, parecia que o Universo nos queria matar. Já dizia o astrónomo Philip Plait no seu "Death from the Skies" que o Universo tem várias formas para acabar connosco. E tem. Já agora, recomendo VIVAMENTE a leitura deste livro. Li-o na sua versão original (a inglesa) e adorei. Não sei se há em Português.

Voltando ao tema... no outro dia disseram-me uma coisa grotesca:

"Isto está tudo f...! Agora estamos a ser bombardeados por pedras!"

Sim, numa visão pouco romântica são pedras.
Sim, podemos chamar-lhe... "bombardeamento".
Mas, good news! Se isto é um bombardeamento, o que se passou aquando da formação da Terra e do Sistema Solar foi uma guerra nuclear! E dessa já estamos livres! O que temos agora são resquícios dessa guerra... 

Nota de rodapé: como em todas as guerras, os danos ficam por muito tempo após o último tiro ser disparado...

Quando o Sistema Solar estava a formar-se, o... "bombardeamento" foi muito mais feroz. Os Planetas estavam a formar-se e todas as poeiras, bocados de rocha, detritos de outras explosões e todo o tipo de matéria andava à solta no Espaço à espera de colidir com aquilo que lhe aparecesse à frente.
Muitos Planetas têm as cicatrizes desse tempo.
Os gigantes gasosos (Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno) não nos permitem ver essas cicatrizes porque a sua superfície é gasosa. TESTE 1: Atirem uma pedra pelo meio do nevoeiro para ver se ela deixa marca...
















Em cima, da esquerda para a direita, e de cima para baixo, vemos imagens de Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno. Nem uma marca de crateras de impacto.


Já os Planetas telúricos (Mercúrio, Vénus, Terra e Marte) têm muitas marcas de impactos. A própria Lua as tem. TESTE 2: Atirem a mesma pedra contra uma parede de barro húmido e temos aí a diferença.






















Em cima, da esquerda para a direita, e de cima para baixo, vemos imagens de Marte, Terra, Vénus e Mercúrio. O que não falta são marcas de crateras de impacto.

A atmosfera de um dado Planeta é que determina a erosão que as crateras de impacto sofrerão com o passar do tempo. E aqui, convém referir que estamos a falar de tempo geológico e não da nossa comum ideia de "tempo". Aqui são eras, são centenas ou milhares de milhões de anos. Muito tempo, portanto... Tempo suficiente para as crateras desaparecerem ou, pelo menos, suavizarem.
No nosso caso (Terra), o próprio Homem trata de produzir modificações na superfície terrestre. Menos mal se fosse só na superfície... Mas ainda assim resistem algumas provas do já referido... "bombardeamento".

Essencial a reter após tudo o que disse até agora: impactos com "Corpos Celestes", com estes "Corpos Celestes", são normais.

O que não é normal é acontecerem dois factos dignos de notícia quase em simultâneo. Todos os dias a Terra é atingida por enormes quantidades de... "detritos espaciais". Todos os anos, regularmente, há "chuvas de estrelas", que não são mais do que meteoros. Volta e meia vemos uma "estrela cadente", que não é mais que um meteoro a viajar sem companhia. Não é normal é vir um asteroide fazer um voo rasante quase ao mesmo tempo que um meteoro atinge a Terra! Por exemplo, o próximo voo rasante previsto de um asteroide é, se não me engano, do Apophis, e está previsto para daqui a uns anos (quando fizer um dos próximos posts vou verificar a data efetivamente prevista).

Termino este post da mesma forma como o iniciei:
A QUEDA DO METEORITO E A PASSAGEM PRÓXIMA DO ASTEROIDE NÃO ESTÃO RELACIONADOS!