domingo, 25 de outubro de 2009

CAMINHADA ASTRONÓMICA - ALBIREO

Após uma breve procura da M13, que fracassou, mas não me preocupou muito porque já a tinha visto algumas vezes e eu queria aproveitar a qualidade da noite para outros alvos, decidi que tinha de ver Albireo.

Já por 3 vezes tinha tentado sem nunca conseguir, ou porque havia neblina a dificultar-me a vida, ou porque estava a apontar mal, o que fosse. Mas naquela noite eu estava particularmente inspirado e com pontaria, além de que tinha estudado a lição antes da aula e sabia exactamente como procurar o que queria. Não demorei muito a encontrar a imagem fabulosa de Albireo, uma belíssima Estrela dupla, que 99,99% das pessoas não sabem identificar, mas que é dos mais graciosos espectáculos a que os nossos olhos podem assistir.

A imagem em cima mostra o esplendor desta Estrela, que, ao olhar para o céu, não passa de mais um pontinho branco, e nem sequer é dos mais brilhantes.
"Entalada" no meio do Triângulo de Verão, a meio caminho entre Vega e Altair, e na outra ponta do Cisne relativamente a Deneb, Albireo é a Estrela do Bico do Cisne.

Albireo é um binário, porque as duas Estrelas que vemos em cima giram em torno uma da outra, mas na verdade, uma das componentes de Albireo é, ela própria, uma Estrela dupla, que forma um binário espectroscópico (grosso modo, é um binário em que ambas as Estrelas estão visualmente demasiado próximas). Mas a maioria dos telescópios só detecta estas duas componentes. As cores estão relacionadas com diferentes temperaturas de ambas.
Vê-las é um espectáculo deslumbrante.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

CAMINHADA ASTRONÓMICA - MARTE e VÉNUS

Assim que chegámos ao local de observação deixámos os telescópios montados, antes do jantar.

Quando voltei para junto do meu bichinho, comecei, como de costume, por focá-lo, apontando a Júpiter. Não sei porquê, gosto de começar sempre por Júpiter. É verdade que aponto sempre primeiro para lá para focar mais facilmente, mas dá-me verdadeiro prazer observá-lo um pouco, as suas bandas vermelhas, as suas inseparáveis Luas Galileanas Io, Calisto, Europa e Ganimedes. E ao longo da noite, gosto de passar por lá e notar o harmonioso movimento das luas em torno de si. É maravilhoso...

Mas hoje vou dar um salto temporal e falar do fim da noite. Marte e Vénus iam nascer perto das 4h da manhã e fiz questão de esperar por eles. Queria vê-los ao telescópio. É um facto que não esperava ver grandes mudanças em relação ao que vejo a olho nu, mas mesmo assim queria passar por essa experiência.
De Marte esperava ver uma bolinha vermelha ligeiramente maior que o normal e de Vénus nada de diferente. Queria apenas confirmar que a olho nu é mais espectacular que vendo a partir de um telescópio, porque aquele espesso manto de nuvens não deveriam permitir grandes espreitadelas.

Marte foi o esperado. Nada de novo. O que vi no meu 70mm foi semelhante ao que vi num canhão que estava ao lado do meu. Marte foi apenas uma bolinha vermelha, que carrega consigo o misticismo e a força de ser aquilo que ele é:Marte! Marte não é um simples Planeta, é MARTE! O Senhor da Guerra, o senhor dos sonhos e divagações dos Homens...

Marte visto ao telescópio

Quanto a Vénus, esse sim, revelou-se uma agradabilíssima surpresa. Não pelo Planeta em si, mas pela imagem que a luz proporcionou. Exibiu uma luz verde e laranja, claramente separada uma da outra, graças ao efeito da refracção da luz. Talvez tenha acontecido por Vénus estar ainda muito baixo no horizonte, não sei e é algo que tenho de confirmar. Seja como for, fiquei maravilhado com aquela visão.

Aqui, Vénus em conjunção com Mercúrio

Cada vez mais a Física e a Óptica me apaixonam com estas suas demonstrações de beleza...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

VORSAT

Este é um projecto no qual estou envolvido há algum tempo.

É um projecto da FEUP, que visa a construção de um satélite. Terá dimensões reduzidas (um cubo de aproximadamente 10cm de aresta) e servirá de teste para algumas tecnologias que pretendemos implementar.

Não vou pôr-me com explicações técnicas acerca do projecto, porque para isso existe o nosso site, que podem aceder através do link:

http://www.vorsat.org/

Estamos particularmente empenhados neste projecto e gostávamos de contar com o vosso apoio. Sigam as nossas actividades através da nossa newsletter ou do Twitter, pois assim estarão também a acompanhar um projecto pioneiro em Portugal.
Visitem-nos e divulguem o nosso site.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

CAMINHADA ASTRONÓMICA

Há pouco mais de 1 mês, ocorreu em Figueira de Castelo Rodrigo uma acção de observação nocturna, na sequência do programa Astronomia no Verão.

Estive presente, e não pude deixar de contemplar quão maravilhoso o céu estava nessa noite, pejado de Estrelas, com Júpiter a marcar a sua presença de forma incontornável e a Via Láctea como pano de fundo de um dos mais belos espectáculos que podemos presenciar: uma noite estrelada.

À medida que a nossa vista se adapta ao escuro, as Estrelas parece que nascem, e os pontinhos brilhantes, resplandecentes de energia, surgem vindos do nada, como se nos viessem cumprimentar e decidissem ficar a acompanhar a nossa noite. E são ciumentos! Se olharmos para outra luz, a do portátil, por exemplo, eles desaparecem durante uns momentos se olharmos para cima. Depois voltam a aparecer...

Deixo aqui uma foto da Via Láctea, para delícia do felizardo que cá vier ver. Ainda assim, nada como vê-La ao vivo!
Nos meus próximos posts, vou falar um pouco da minha experiência dessa noite, de como atingi plenamente os objectivos que talhei para essa noite, e de como fiquei mais rico como Homem. Uma das coisas boas de sermos Astrónomos Amadores (sim, sou muito pretensioso) é sabermos que sabemos pouco. Sabendo pouco, há muito para descobrir! À medida que formos descobrindo vamo-nos cultivando e percebendo que afinal há ainda mais para descobrir... aí já não seremos tão amadores, mas a bagagem que levamos permite-nos concluir que nunca saberemos o suficiente sobre o Espaço. E sempre que formos obtendo vitórias nas nossas incursões aos mistérios celestes, o nosso queixo vai continuar a cair, vamos continuar a sorrir como miúdos ao ver uma coisa nova, a emoção de aprender algo vai continuar a mexer connosco.

Viver Astronomia é assim, uma forma de vida que se pode exportar.

O Céu nunca se repete. O Céu de hoje não é igual ao Céu de amanhã, é apenas parecido... não o observar hoje é uma noite perdida. Pelo menos olhar para cima, dizer "olá" às Estrelas, quem sabe apanhar uma Estrela Cadente perdida e deixarmo-nos levar pela vontade de pedir um desejo. Onde está a Física ao pedir um desejo? Não está. É apenas confortante, e giro (porque não?).
O Céu nunca se repete. A nossa vida também não. Nunca mais vou viver o 1 de Outubro de 2009. O que não fiz hoje já vai ocupar tempo ao que poderia fazer amanhã. Tempo houve em que não pensei assim. Já passou. Agora estou bem, sinto-me bem, quero aproveitar esta excelente fase pessoal da minha vida para continuar a sentir-me bem. É que assim também faço bem aos outros...
O Céu nunca se repete. O meu Sol está agora no ponto de culminação, estou agora no meu meio-dia, e contudo vejo Estrelas no meu Céu. Fui abençoado por isso e não quero deixar de merecer essa bênção de Deus. Fui fiel à minha vida e fui preguiçoso durante a minha manhã. Mas esse tempo passou. Porquê?

Porque o Céu nunca se repete.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

CHEGOU O OUTONO

Falei do equinócio, no outro post, por 2 motivos principais.

Primeiro, porque ele aconteceu dia 22 na Terra, às 22h19 mais precisamente. A essa hora, o Sol incidiu directamente sobre o Equador e deu entrada o Outono no hemisfério Norte.

Segundo, porque no passado mês de Agosto ocorreu o equinócio em Saturno. A luz do Sol incidiu na borda dos anéis de Saturno e provocou o mágico efeito visual de os tornar invisíveis por momentos. Deve ter sido um momento espectacular...

Uma das coisas fascinantes que o equinócio de Saturno nos traz, é uma nova perspectiva sobre a composição dos anéis e do próprio planeta, pois agora o Sol incide mais sobre o seu "outro" hemisfério. Mas neste post vou apenas publicar algumas fotos de particularidades entretanto descobertas pela venerável Cassini, que continua a fazer o seu trabalho de uma forma exemplar...

Na imagem seguinte vemos um relevo nos anéis de Saturno, apenas visível durante o equinócio. Tem 200m de altura, 130km de comprimento e a sombra estende-se por 350km.

A seguir temos uma perspectiva dos relevos do que se pensava ser plano...

E por hoje fico por aqui... :)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

BEM VINDO, CAÇADOR!

Orion, o caçador, está de volta aos nossos céus nocturnos após uma ausência estival. É certo que só aparece quando são horas de deitar, mas para um verdadeiro amante da Astronomia não há horas tardias.
Este post é muito curto, só quero felicitar o regresso não DE UMA constelação, mas DA constelação mais bela e imponente de todas...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O QUE É O EQUINÓCIO?

O equinócio (sempre adorei esta palavra, a par de solstício) é definido pelo momento em que o Sol, na sua órbita aparente, cruza o plano do Equador Celeste. É o ponto onde a eclíptica cruza o Equador Celeste. Mas o que é a órbita aparente e o Equador Celeste?

A órbita aparente é a órbita como vista da Terra. Quem orbita é a Terra, em torno do Sol, mas aos nossos olhos é o Sol que se move. Essa é a órbita aparente.

Equador Celeste é a linha do equador projectada na esfera celeste, uma esfera imaginária que nos envolve. Como o planeta roda com inclinação, o equador terrestre e o equador celeste não coincidem.

Voltando ao equinócio... é uma palavra originária do Latim, que significa noites iguais. Considerando a alvorada o instante em que metade do disco solar está acima do horizonte e o ocaso o instante em que metade do círculo solar está abaixo do horizonte, no equinócio o intervalo de tempo entre estes 2 instantes será exactamente 12 horas.

Iluminação da Terra pelo Sol no momento do equinócio

São os equinócios que definem as mudanças de estação.

A órbita da Terra não é um círculo, mas sim uma elipse. Graças a isso, os equinócios não dividem as estações em igual número de dias. A Terra move-se mais rápido quando está mais próxima do Sol (periélio) e mais lentamente quando está mais afastada (afélio). Esta é uma das Leis de Kepler, de que poderei falar noutro tópico.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

OBS. TROFA - AS CORES DAS ESTRELAS

Decididamente, as pessoas que não olham com atenção para o Céu, pensam que as Estrelas são todas brancas. E isso não pode ser mais falso.

Uma vez que o responsável por aquela acção disse no início que pretendia mostrar que as Estrelas não são todas iguais, optei por abordar o assunto em conversa com as pessoas que estavam junto a mim.

Usei 3 Estrelas como exemplo de diferentes cores que podem tomar: Vega, Arcturus e Antares.

Vega é o exemplo de uma Estrela azul-esbranquiçada, Arcturus uma Estrela com um aspecto laranja e Antares uma super-gigante vermelha.
Comparação de Vega com o nosso Sol


Comparação de Arcturus com o nosso Sol

Uma senhora dirigiu-se a mim e perguntou: "Mas as Estrelas não são basicamente fogo?" À minha confirmação, continuou: "Então não deviam ser todas iguais?".

Aí, eu disse que a chama de um isqueiro é mais azul na boca do isqueiro e vai ficando progressivamente mais vermelha/laranja à medida que se afasta. Não é só basicamente fogo, como também é a mesma chama!

E é isso que justifica a cor das Estrelas. As mais azuis são mais quentes que as mais vermelhas.

Região de Escorpião, onde Antares se destaca pelo seu tom vermelho intenso


Se olharmos para o Céu Nocturno com olhos de ver, apercebemo-nos que não só a diferença de cor é óbvia, como até nos perguntamos como foi possível estarmos tanto tempo sem reparar nisso.

É apenas a prova da pouca atenção que prestamos às maravilhas do Universo tão à frente dos nossos olhos.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

OBS. TROFA - MIZAR e ALCOR

Outro aspecto que prendeu a atenção de um grupo de pessoas foi o facto de a Estrela Mizar, na Ursa Maior, ser uma Estrela dupla.

Na verdade, é um sistema relativamente complexo.

Mizar e Alcor constituem um binário óptico, pois são aquelas que conseguimos visualizar a olho nu. São até chamadas de "Cavalo e Cavaleiro", pelas suas posições relativas. Estão a uma distância de 3 anos-luz, uma distância de mais de 8000 vezes superior à que nos separa do Sol! E parecem tão perto...
Mas o verdadeiro binário é constituído por Mizar A e Mizar B (uma Estrela bem mais pequena que Mizar A e que gravita em torno dela).

O que mais complica é o facto de Mizar A e Mizar B serem, por si, Estrelas duplas também, que gravitam uma em torno da outra. São binários espectroscópicos, que visualmente são indetectáveis. Só em 1889 se descobriu este tipo de binários estelares.
Nós, na prática, só vemos uma Estrela, Mizar. Mas quem diria que estão ali QUATRO Estrelas... sem contar com Alcor, o cavaleiro!

domingo, 16 de agosto de 2009

OBS. TROFA - JÚPITER

Sim, estive um bocado "fora" aqui do blogue, mas pretendo regressar em força, principalmente agora que me sinto a evoluir no manuseamento do meu telescópio, e que tenho tido mais e melhores oportunidades de trabalhar com ele.

Vou continuar a falar da minha experiência pessoal na Trofa, e depois mudarei para outros temas de que quero falar.

Sem dúvida que o que as pessoas mais gostaram de falar no contacto pessoal comigo foi de Júpiter.
O quê? Aquilo ali é Júpiter? Não é uma Estrela?

É um facto que Júpiter, visto a olho nu, parece uma Estrela muito brilhante, mas tem algumas diferenças que, depois de referidas às pessoas, elas acabam por compreender.

Por exemplo, o facto de não cintilar como as Estrelas, tendo um brilho mais fixo, é algo que facilmente se constata.

Mas mais curioso ainda que o facto de "aquele ponto ser Júpiter", foi a visão das suas 4 Luas visíveis através do meu telescópio.

O que são estes pontinhos à volta? Luas como? Como a nossa?

Na verdade, só se viram 3. Não sei se a minha abordagem foi correcta, mas através do recurso ao Celestia, penso que a que não se viu foi Calisto. Aqui não sei se estou correcto. Na prática os pontinhos são semelhantes, é mais uma questão de saber "o que vi".

Foi bastante engraçado ver uma das Luas surgir do disco de Júpiter (por trás ou pela frente não sei, o brilho do Planeta não permite ver), como se estivesse a nascer da mesma forma que a nossa Lua nasce vista da Terra.

Foi dito às pessoas que estas eram as Luas Galileanas, por serem aquelas que Galileu Galilei observou primeiro, no século XVII. São elas Io, Calisto, Europa e Ganimedes.

Através do telescópio foi possível ver as bandas vermelhas de Júpiter, resultantes da direcção ascendente da movimentação dos gases do Planeta.