quarta-feira, 13 de abril de 2016

EXOMARS - Factsheet

No meu último post (ExoMars - Liftoff), coloquei um vídeo da descolagem da missão ExoMars, que vai levar mais um pouco do trabalho da Humanidade até Marte.

O objetivo é antigo, a procura de vida em Marte. Não necessariamente no presente, mas verificar se alguma vez ela existiu no Planeta Vermelho. 

Basicamente, a missão consiste em 2 partes. 
Primeiro, o que já foi lançado, o Trace Gas Orbiter (TGO), que contém um módulo que irá descer à superfície do planeta, chamado Schiaparelli. A segunda parte da missão tem lançamento agendado para 2018, e consiste num rover e numa plataforma que operará à superfície. O TGO operará como retransmissor do rover que será lançado em 2018.

A massa do TGO é de 3732 kg e do Schiaparelli é de 600 km, o que confere um total de 4332 kg.
O TGO tem forma de paralelepípedo (3.5 x 2 x 2 m), em que os paineis solares se destacam por ter um comprimento de ponta a ponta de 17.5 m. O módulo Schiaparelli tem 1m65 de diâmetro, que aumenta para 2m40 com escudo térmico. Este escudo, durante a entrada na atmosfera de Marte, poderá atingir a temperatura de 1500 ºC.

A missão tem várias datas apontadas como metas. O lançamento ocorreu no mês passado e a trajetória será corrigida no dia 28 de julho. Ainda em 2016 deverá ocorrer a separação do TGO e do módulo Schiaparelli, a 16 de outubro, e 3 dias depois o módulo deverá aterrar na superfície de Marte.

Como já disse, a ExoMars tem o seu nome a partir do termo "exobiologia", o estudo da vida fora da Terra.
Esta pesquisa vai servir-se da procura de gases vestigiais (trace gases) na atmosfera de Marte. Os gases vestigiais compoem menos de 1% da atmosfera de um dado planeta. O TGO deverá detetar gases vestigiais com uma precisão superior em 3 ordens de magnitude comparativamente às medidas anteriores.
Sabemos que Marte tem uma atmosfera composta por metano, vapor de água e dióxido de nitrogénio. Ainda que presente numa quantidade reduzida, o metano em particular poderá conter pistas essenciais para o estado de atividade atual do planeta.

O módulo Schiaparelli irá chegar a Marte durante a época de de tempestades de poeira, o que irá permitir uma nova visão acerca do papel das forças elétricas no levantamento de poeiras, o mecanismo que inicia as tempestades de poeira.

A chegada bem sucedida do TGO a Marte marcará a segunda vez que a ESA coloca um veículo espacial em órbita do Planeta Vermelho, após a Mars Express.
Fonte principal de informação: www.esa.int

terça-feira, 22 de março de 2016

EXOMARS - Liftoff

Foi lançada no passado dia 14 de março a ExoMars 2016, a primeira parte da missão ExoMars, cuja segunda parte está agendada para 2018.
O nome tem origem no termo "exobiology", o estudo da vida fora da Terra.
Os meus próximos posts serão orientados à ExoMars. 

Hoje deixo a imagem da descolagem.


Créditos: ESA/Roscosmos/ExoMars

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

SPACE ODDITY

"Space Oddity" é um dos grandes êxitos da carreira de David Bowie.
A bordo da Estação Espacial Internacional, o astronauta Chris Hadfield fez "a sua" versão da música em 2013, com imagens reais gravadas a partir da ISS, naquela que se tornou a primeira música a ser gravada no Espaço.
Quase 2 meses após o desaparecimento de Bowie, deixo aqui esta versão de "Space Oddity".
Vale a pena ver e ouvir.
Créditos: Chris Hadfield, David Bowie, NASA, Roscosmos e Canadian Space Agency.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

NUVEM DE POEIRA SOBRE PORTUGAL E ESPANHA

Muita gente afirma que a exploração espacial não tem utilidade nenhuma.
É daquelas opiniões que nem apetece respeitar, tal é o ridículo da afirmação...

Uma das grandes vantagens de andarmos pelo Espaço é podermos ver a Terra com outros olhos, de outra perspetiva. Já aqui há algum tempo fiz um post sobre este tema. 
O Ponto Azul Claro é um post relativo ao livro homónimo de Carl Sagan, por sinal um dos que mais gostei de ler (se é que dá para escolher...), e relata de forma fascinante um ponto de vista da Terra totalmente diferente daquilo a que estamos habituados. A foto que incluí nesse post confirma-o.

Desta vez, publico uma imagem que veio a público há poucos dias, tirada pelo astronauta Tim Peake, a bordo da Estação Espacial Internacional. Mostra uma enorme nuvem de poeira sobre Portugal e Espanha, possivelmente proveniente do deserto do Sahara, em Marrocos. A nuvem, entretanto, dissipou-se pela Europa, com a força do vento.


Mais uma vez, o Espaço dá-nos uma perspetiva da realidade completamente diferente do que estamos habituados.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

COLUMBIA - 13 anos depois

Mais uma data marcante pela negativa.

Em 1 de fevereiro de 2003, o space shuttle Columbia desintegrava-se durante a reentrada na atmosfera terrestre, sobre o Texas e o Louisiana, nos Estados Unidos da América, devido a danos nas asas.

Como consequência, toda a frota de space shuttles ficou em Terra durante cerca de 2 anos, enquanto se estudava o que havia corrido mal no Columbia e se melhorava as condições de segurança nestes veículos. Durante todo este tempo, da agência espacial russa, a Roscosmos, dependeu todo o funcionamento e construção da Estação Espacial Internacional (ISS).

Também neste acidente faleceram todos os 7 elementos da tripulação.

O momento do desastre também pode ser visto aqui.



domingo, 31 de janeiro de 2016

CHALLENGER - 30 anos depois

Passaram 30 anos.
Passaram 30 anos desde uma das maiores catástrofes da história da exploração espacial.

No dia 28 de janeiro de 1986, e apenas 1m13s após a descolagem, o space shuttle explodiu, matando todos os 7 elementos da tripulação.
O Challenger viveu menos de 3 anos, tendo feito a sua primeira descolagem a 4 de abril de 1983. Nas 10 missões em que participou, completou um total de 995 órbitas em torno da Terra, em pouco mais de 62 dias no espaço.

O programa espacial norteamericano esteve em risco após este acidente, pelo risco que envolvia versus dinheiro gasto. Houve o bom senso de não interromper o trabalho de exploração espacial, e de se perceber que é algo que pode trazer grandes benefícios no futuro. 

Fica o registo da transmissão televisiva, relativo ao momento do desastre, que também pode ser visto aqui.

domingo, 13 de dezembro de 2015

POSTAIS VINDOS DE UM COMETA

Tal como já referi em outras ocasiões, a ESA tem uma boa política de divulgação do conhecimento que adquire com as suas missões. Procuram chegar ao público em geral, e conseguem-no de forma fantástica. Basta estar um bocadinho atento às publicações da ESA.

Desta vez, foi lançado um novo site com o fim de divulgar ao público as fotos recolhidas pela câmara OSIRIS (acrónimo de Optical, Spectroscopic, and Infrared Remote Imaging System) incorporada na Rosetta. Recordo que a sonda Rosetta está ainda a estudar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.

Neste novo site, é esperada a publicação de um mínimo de 1 foto por semana, dependendo das operações científicas que estejam a ser levadas a cabo pela Rosetta e pela OSIRIS. Será possível subscrever uma mailing list para receber as fotos diretamente via mail.

As imagens serão publicadas em formato JPG e informação sobre data, hora, distância ao cometa e ao Sol, bem como a resolução da imagem será incluída. Não será acrescentada informação científica, pois o objetivo deste site é apenas fazer chegar imagens do 67P às pessoas, como postais. De qualquer forma, essas informações mais detalhadas podem ser encontradas no site da ESA.

A Rosetta está, neste momento, a uma distância semelhante à que esteve aquando da sua chegada ao cometa em 6 de agosto de 2014. Cerca de 100 km separam a órbita da sonda do 67P. Por isso mesmo, é possível ver a sua superfície com maior detalhe, proporcionando uma vista mais bela e maior conhecimento a quem seguir a missão.

Subscrever a mailing list aqui: osiris-pi@mps.mpg.de
Aceder ao site aqui.

A primeira foto é esta:


Algumas informações:
Data: 2015-12-10T01:32:27.912(UTC)
Tempo de exposição: 0.192 s
Resolução: 1.87 m/pixel @ 67P/CG
Distância Rosetta - 67P/CG: 103.337 km
Distância 67P/CG - Sol: 277002016 km (1.85 Unidades Astronómicas)
Distância Rosetta - Terra: 256889760 km (1.72 Unidades Astronómicas)

sábado, 31 de outubro de 2015

MISSÃO ROSETTA EM VÍDEO

É por coisas deste género que admiro a forma como a Agência Espacial Europeia (ESA) divulga a Ciência.
Aqui, podemos ver a missão Rosetta explicada num vídeo educacional fantástico, que dispensa qualquer apresentação que eu possa fazer. 
São dois minutos muito bem investidos.



segunda-feira, 19 de outubro de 2015

VULCÃO SARYCHEV VISTO DO ESPAÇO

Dei hoje de caras com esta foto e com este vídeo, tiradas pela Estação Espacial Internacional. 
Remontam a 2009, e respeitam à erupção Sarychev, nas Ilhas Kuril, a nordeste do Japão. As cinzas deste vulcão chegaram a atingir uma distância de quase 2500 km a este-sudeste e quase 1000 km a oeste-noroeste.

Créditos: NASA

O facto de haver uma clareira em redor da explosão tem 3 possíveis explicações, e os cientistas não chegaram a acordo sobre o que a originou. 
A primeira hipótese é que não tem nada a ver, e resulta apenas da disposição natural das nuvens.
A segunda diz que a onda de choque que derivou da explosão provocou este movimento nas nuvens.
Por fim, outra teoria diz que ao passo que a coluna de fumo sobe, o ar lateral desce e tende a aquecer, fazendo com que as nuvens evaporem.
Independentemente da teoria, as imagens são incríveis.


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

ÁGUA EM MARTE? VAMOS LÁ COM CALMA...

O mundo científico (e não só...) explodiu de emoção há algumas semanas, quando foi descoberta "água líquida e corrente" em Marte. Entendo a necessidade dos média de apresentarem notícias bombásticas, que prendam o leitor/ouvinte/telespetador, mas nem sempre o rigor é respeitado. Vamos lá então...

Foi encontrada água líquida em Marte? Não. As pessoas ficam logo com a ideia que correm lá rios de água e que Marte é um aquário cheio de peixinhos, mas essa é a força, quiçá negativa, dos média.
O que foi encontrado em Marte foram evidências de que a água líquida pode correr em Marte, graças à existência (real e descoberta efetiva!) de sais minerais hidratados na superfície do Planeta Vermelho. Esses sais (possivelmente cloreto de magnésio, perclorato de magnésio e perclorato/percloreto de sódio) é que permitem que a água congele a cerca de -70 ºC e evapore a aproximadamente 24 ºC. 

O que é que isto tem assim de tão especial? É que assim, a água tem muito mais probabilidade de estar mais tempo no estado líquido. Além disso, os sais que mencionei acima existem em locais onde houve água líquida recente. AINDA NÃO SE VIU NENHUM RIO!

Há ainda outra "evidência" (termo que difere de "observação factual") de que PODE haver água líquida em Marte.
Foram descobertas estrias em algumas zonas localizadas do Planeta, como mostro na imagem em baixo.

Foto: NASA

Estas estrias escuras e estreitas na Cratera Hale são supostamente formadas pelo curso sazonal de água corrente. Têm aproximadamente 100 metros. Surgem por altura do verão marciano, e convenhamos que fazem mesmo lembrar algumas imagens que nos são muito familiares aqui na Terra. No entanto, ainda não se viu efetivamente a água a correr!

E agora começa muita gente a imaginar que mais cedo ou mais tarde vão aparecer pequenos homens verdes ou cinzentos, daqueles que toda a gente diz que os americanos escondem do mundo.
Mais uma vez, vamos lá com calma... 

Acredito piamente que não estamos sozinhos no Universo. Tendo uma noção da dimensão... inimaginável... do nosso Universo, é absurdo pensar que somos os seus donos e senhores. Contudo, o próximo passo é descobrir vida microbiana. Se isso acontecer, esse passo será de gigante.

Por isso, ainda não descobrimos água corrente em Marte, mas a descoberta que foi feita pela NASA há algumas semanas foi igualmente fenomenal. E alimenta um dos sonhos mais antigos da Humanidade.