domingo, 13 de dezembro de 2015

POSTAIS VINDOS DE UM COMETA

Tal como já referi em outras ocasiões, a ESA tem uma boa política de divulgação do conhecimento que adquire com as suas missões. Procuram chegar ao público em geral, e conseguem-no de forma fantástica. Basta estar um bocadinho atento às publicações da ESA.

Desta vez, foi lançado um novo site com o fim de divulgar ao público as fotos recolhidas pela câmara OSIRIS (acrónimo de Optical, Spectroscopic, and Infrared Remote Imaging System) incorporada na Rosetta. Recordo que a sonda Rosetta está ainda a estudar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.

Neste novo site, é esperada a publicação de um mínimo de 1 foto por semana, dependendo das operações científicas que estejam a ser levadas a cabo pela Rosetta e pela OSIRIS. Será possível subscrever uma mailing list para receber as fotos diretamente via mail.

As imagens serão publicadas em formato JPG e informação sobre data, hora, distância ao cometa e ao Sol, bem como a resolução da imagem será incluída. Não será acrescentada informação científica, pois o objetivo deste site é apenas fazer chegar imagens do 67P às pessoas, como postais. De qualquer forma, essas informações mais detalhadas podem ser encontradas no site da ESA.

A Rosetta está, neste momento, a uma distância semelhante à que esteve aquando da sua chegada ao cometa em 6 de agosto de 2014. Cerca de 100 km separam a órbita da sonda do 67P. Por isso mesmo, é possível ver a sua superfície com maior detalhe, proporcionando uma vista mais bela e maior conhecimento a quem seguir a missão.

Subscrever a mailing list aqui: osiris-pi@mps.mpg.de
Aceder ao site aqui.

A primeira foto é esta:


Algumas informações:
Data: 2015-12-10T01:32:27.912(UTC)
Tempo de exposição: 0.192 s
Resolução: 1.87 m/pixel @ 67P/CG
Distância Rosetta - 67P/CG: 103.337 km
Distância 67P/CG - Sol: 277002016 km (1.85 Unidades Astronómicas)
Distância Rosetta - Terra: 256889760 km (1.72 Unidades Astronómicas)

sábado, 31 de outubro de 2015

MISSÃO ROSETTA EM VÍDEO

É por coisas deste género que admiro a forma como a Agência Espacial Europeia (ESA) divulga a Ciência.
Aqui, podemos ver a missão Rosetta explicada num vídeo educacional fantástico, que dispensa qualquer apresentação que eu possa fazer. 
São dois minutos muito bem investidos.



segunda-feira, 19 de outubro de 2015

VULCÃO SARYCHEV VISTO DO ESPAÇO

Dei hoje de caras com esta foto e com este vídeo, tiradas pela Estação Espacial Internacional. 
Remontam a 2009, e respeitam à erupção Sarychev, nas Ilhas Kuril, a nordeste do Japão. As cinzas deste vulcão chegaram a atingir uma distância de quase 2500 km a este-sudeste e quase 1000 km a oeste-noroeste.

Créditos: NASA

O facto de haver uma clareira em redor da explosão tem 3 possíveis explicações, e os cientistas não chegaram a acordo sobre o que a originou. 
A primeira hipótese é que não tem nada a ver, e resulta apenas da disposição natural das nuvens.
A segunda diz que a onda de choque que derivou da explosão provocou este movimento nas nuvens.
Por fim, outra teoria diz que ao passo que a coluna de fumo sobe, o ar lateral desce e tende a aquecer, fazendo com que as nuvens evaporem.
Independentemente da teoria, as imagens são incríveis.


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

ÁGUA EM MARTE? VAMOS LÁ COM CALMA...

O mundo científico (e não só...) explodiu de emoção há algumas semanas, quando foi descoberta "água líquida e corrente" em Marte. Entendo a necessidade dos média de apresentarem notícias bombásticas, que prendam o leitor/ouvinte/telespetador, mas nem sempre o rigor é respeitado. Vamos lá então...

Foi encontrada água líquida em Marte? Não. As pessoas ficam logo com a ideia que correm lá rios de água e que Marte é um aquário cheio de peixinhos, mas essa é a força, quiçá negativa, dos média.
O que foi encontrado em Marte foram evidências de que a água líquida pode correr em Marte, graças à existência (real e descoberta efetiva!) de sais minerais hidratados na superfície do Planeta Vermelho. Esses sais (possivelmente cloreto de magnésio, perclorato de magnésio e perclorato/percloreto de sódio) é que permitem que a água congele a cerca de -70 ºC e evapore a aproximadamente 24 ºC. 

O que é que isto tem assim de tão especial? É que assim, a água tem muito mais probabilidade de estar mais tempo no estado líquido. Além disso, os sais que mencionei acima existem em locais onde houve água líquida recente. AINDA NÃO SE VIU NENHUM RIO!

Há ainda outra "evidência" (termo que difere de "observação factual") de que PODE haver água líquida em Marte.
Foram descobertas estrias em algumas zonas localizadas do Planeta, como mostro na imagem em baixo.

Foto: NASA

Estas estrias escuras e estreitas na Cratera Hale são supostamente formadas pelo curso sazonal de água corrente. Têm aproximadamente 100 metros. Surgem por altura do verão marciano, e convenhamos que fazem mesmo lembrar algumas imagens que nos são muito familiares aqui na Terra. No entanto, ainda não se viu efetivamente a água a correr!

E agora começa muita gente a imaginar que mais cedo ou mais tarde vão aparecer pequenos homens verdes ou cinzentos, daqueles que toda a gente diz que os americanos escondem do mundo.
Mais uma vez, vamos lá com calma... 

Acredito piamente que não estamos sozinhos no Universo. Tendo uma noção da dimensão... inimaginável... do nosso Universo, é absurdo pensar que somos os seus donos e senhores. Contudo, o próximo passo é descobrir vida microbiana. Se isso acontecer, esse passo será de gigante.

Por isso, ainda não descobrimos água corrente em Marte, mas a descoberta que foi feita pela NASA há algumas semanas foi igualmente fenomenal. E alimenta um dos sonhos mais antigos da Humanidade.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

ECLIPSE TOTAL LUNAR DE 2014

Como refiro no título, esta foto é de 2014. Contudo, dada a atualidade do momento, faz todo o sentido publicá-la agora.
Foi tirada no Lago Waterton, no Canadá. Uma exposição a cada 10 minutos foi o suficiente para captar todas as fases da Lua durante os 80 minutos que durou a totalidade do eclipse.
Podemos ainda ver Marte a acompanhar o movimento da Lua (os pontos em cima), de Spica (os pontos mais próximos do disco) e Saturno (em baixo, à esquerda).

Uma nota histórica... já em 270 a.C., Aristarco usou os eclipses da Lua para, usando a duração do eclipse e alguma geometria, calcular a distância que separa a Terra da Lua em função do raio da Terra. 

Foto: Yuishi Takasaka

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

SUPER LUA DE SANGUE

Aconteceu na madrugada passada um fenómeno raro, um eclipse total da Lua, coincidente com o perigeu da Lua na sua órbita em torno da Terra. 

O perigeu é o ponto mais próximo da órbita de um astro em torno da Terra (ver figura ao lado). Sendo a órbita quase circular mas, ainda assim, elíptica, há um ponto em que a Lua está mais próxima da Terra. Mas essa proximidade fica-se pelos 356 877 km de distância. 

Em condições normais, notamos apenas um ligeiro aumento do seu brilho, parecendo que a Lua está claramente maior. Esta sensação é acentuada quando o nosso satélite natural está baixo no horizonte, graças a uma ilusão de ótica que faz parecer com que o seu tamanho aumenta.

O que aconteceu ontem foi a "simples" combinação do perigeu da Lua com um eclipse total. Quando a sombra da Terra na sua superfície começou a ser visível, tons avermelhados e acastanhados começaram a ver-se na Lua, uma vez que esta continuava a ser iluminada pelo Sol, mas sem ser atingida diretamente devido à interposição da Terra.
A combinação destes 2 fenómenos fez com que a Lua parecesse 14% maior e 30% mais brilhante.

A verdade é que só em 2033 poderemos assistir novamente a algo assim. Maldito nevoeiro que não me deixou ver ao vivo algo que eu ansiava há tanto tempo... Resta-me a consolação das várias fantásticas imagens que já vi, e que partilho agora.











sexta-feira, 11 de setembro de 2015

PÉROLAS DO HUBBLE: Saturno em UV

Uma das fotos do Telescópio Espacial Hubble que mais me impressiona: Saturno em UV.


As partículas na atmosfera de Saturno refletem diferentes comprimentos de onda da luz que sobre elas incide, fazendo com que sejam visíveis algumas nuances na tonalidade da cor refletida.
Isso permite saber um pouco mais sobre a constituição da atmosfera do planeta, uma vez que, por exemplo, os aerossois mais pequenos só são visíveis nesta faixa do espetro eletromagnético, já que não espalham ou absorvem luz visível ou infravermelha, que têm comprimentos de onda mais longos.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

PÉROLAS DO HUBBLE - SNR 0509-67.5

Esta é a imagem de um remanescente de supernova (SNR: Supernova Remnant), tirada pelo telescópio Espacial Hubble. 
As supernovas, apesar de proporcionarem fantásticas imagens, são a face visível da morte de estrelas. No caso particular da SNR 0509, esta supernova resultou da colisão de duas estrelas anãs brancas, e este remanescente de supernova é algo como a bolha de gás que daí resultou.


Visível na constelação do Dorado, no hemisfério sul, pertence à galáxia da Grande Nuvem de Magalhães, a aproximadamente 160 mil anos-luz de distância.
Calcula-se que a explosão que lhe deu origem tenha ocorrido há cerca de 400 anos.

Esta bolha tem cerca de 23 anos-luz de diâmetro e está em expansão, a uma velocidade de 5000 km por segundo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

PÉROLAS DO HUBBLE - Saturno

No dia 24 de fevereiro de 2009, o Telescópio Espacial Hubble captou esta imagem de Saturno, no preciso momento em que 4 dos seus satélites naturais passavam no campo visual do planeta.
Ao meio, a projetar a sua sombra no disco de Saturno, está a maior das suas luas, Titã. Um pouco mais abaixo, mesmo por cima do disco formado pelos aneis de Saturno, vemos um ponto branco e outro negro. O ponto branco é Mimas e o negro a sua sombra. Mais à esquerda, mais brilhante, está Dione e no ponto mais extremo um ponto mais esbatido, Enceladus. 


Fica aqui um vídeo dos planetas a orbitar Saturno, tal como a Lua faz com a Terra.


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

PÉROLAS DO HUBBLE - Grande Mancha Vermelha

Esta é uma imagem de Júpiter.
Nela, é impossível não ver a Grande Mancha Vermelha, um anticiclone que contém ventos superiores a 800 km/h. Vista há pelo menos 400 anos (antes não haviam telescópios...), esta tempestade tem um diâmetro de quase 25 000 km, medido pela Voyager em 1979.
O Hubble fez novas medições e detetou uma diminuição do diâmetro da GMV, que atualmente se situa em cerca de 16 500 km.

As bandas de cor diferente resultam de ventos com sentidos opostos e correntes de ar ascendentes e descendentes.