segunda-feira, 28 de setembro de 2015

SUPER LUA DE SANGUE

Aconteceu na madrugada passada um fenómeno raro, um eclipse total da Lua, coincidente com o perigeu da Lua na sua órbita em torno da Terra. 

O perigeu é o ponto mais próximo da órbita de um astro em torno da Terra (ver figura ao lado). Sendo a órbita quase circular mas, ainda assim, elíptica, há um ponto em que a Lua está mais próxima da Terra. Mas essa proximidade fica-se pelos 356 877 km de distância. 

Em condições normais, notamos apenas um ligeiro aumento do seu brilho, parecendo que a Lua está claramente maior. Esta sensação é acentuada quando o nosso satélite natural está baixo no horizonte, graças a uma ilusão de ótica que faz parecer com que o seu tamanho aumenta.

O que aconteceu ontem foi a "simples" combinação do perigeu da Lua com um eclipse total. Quando a sombra da Terra na sua superfície começou a ser visível, tons avermelhados e acastanhados começaram a ver-se na Lua, uma vez que esta continuava a ser iluminada pelo Sol, mas sem ser atingida diretamente devido à interposição da Terra.
A combinação destes 2 fenómenos fez com que a Lua parecesse 14% maior e 30% mais brilhante.

A verdade é que só em 2033 poderemos assistir novamente a algo assim. Maldito nevoeiro que não me deixou ver ao vivo algo que eu ansiava há tanto tempo... Resta-me a consolação das várias fantásticas imagens que já vi, e que partilho agora.











sexta-feira, 11 de setembro de 2015

PÉROLAS DO HUBBLE: Saturno em UV

Uma das fotos do Telescópio Espacial Hubble que mais me impressiona: Saturno em UV.


As partículas na atmosfera de Saturno refletem diferentes comprimentos de onda da luz que sobre elas incide, fazendo com que sejam visíveis algumas nuances na tonalidade da cor refletida.
Isso permite saber um pouco mais sobre a constituição da atmosfera do planeta, uma vez que, por exemplo, os aerossois mais pequenos só são visíveis nesta faixa do espetro eletromagnético, já que não espalham ou absorvem luz visível ou infravermelha, que têm comprimentos de onda mais longos.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

PÉROLAS DO HUBBLE - SNR 0509-67.5

Esta é a imagem de um remanescente de supernova (SNR: Supernova Remnant), tirada pelo telescópio Espacial Hubble. 
As supernovas, apesar de proporcionarem fantásticas imagens, são a face visível da morte de estrelas. No caso particular da SNR 0509, esta supernova resultou da colisão de duas estrelas anãs brancas, e este remanescente de supernova é algo como a bolha de gás que daí resultou.


Visível na constelação do Dorado, no hemisfério sul, pertence à galáxia da Grande Nuvem de Magalhães, a aproximadamente 160 mil anos-luz de distância.
Calcula-se que a explosão que lhe deu origem tenha ocorrido há cerca de 400 anos.

Esta bolha tem cerca de 23 anos-luz de diâmetro e está em expansão, a uma velocidade de 5000 km por segundo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

PÉROLAS DO HUBBLE - Saturno

No dia 24 de fevereiro de 2009, o Telescópio Espacial Hubble captou esta imagem de Saturno, no preciso momento em que 4 dos seus satélites naturais passavam no campo visual do planeta.
Ao meio, a projetar a sua sombra no disco de Saturno, está a maior das suas luas, Titã. Um pouco mais abaixo, mesmo por cima do disco formado pelos aneis de Saturno, vemos um ponto branco e outro negro. O ponto branco é Mimas e o negro a sua sombra. Mais à esquerda, mais brilhante, está Dione e no ponto mais extremo um ponto mais esbatido, Enceladus. 


Fica aqui um vídeo dos planetas a orbitar Saturno, tal como a Lua faz com a Terra.


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

PÉROLAS DO HUBBLE - Grande Mancha Vermelha

Esta é uma imagem de Júpiter.
Nela, é impossível não ver a Grande Mancha Vermelha, um anticiclone que contém ventos superiores a 800 km/h. Vista há pelo menos 400 anos (antes não haviam telescópios...), esta tempestade tem um diâmetro de quase 25 000 km, medido pela Voyager em 1979.
O Hubble fez novas medições e detetou uma diminuição do diâmetro da GMV, que atualmente se situa em cerca de 16 500 km.

As bandas de cor diferente resultam de ventos com sentidos opostos e correntes de ar ascendentes e descendentes.


segunda-feira, 27 de julho de 2015

PÉROLAS DO HUBBLE - Westerlund 2

O Telescópio Espacial Hubble já recolheu imagens absolutamente fenomenais do Universo que nos rodeia.

Hoje deixo a imagem do aglomerado de estrelas Westerlund 2, assim batizada devido ao astrónomo que a o descobriu nos anos 60, Bengt Westerlund.

Este jovem aglomerado tem cerca de 3000 estrelas e está localizado a cerca de 20 mil anos-luz, na constelação de Carina, a Quilha. Percebemos a sua enorme dimensão se pensarmos que mede 6 a 13 anos-luz de diâmetro. Tem algumas das mais brilhantes e massivas jovens estrelas da nossa galáxia.
Não é fácil de ver, porque está rodeado de poeiras, mas o Hubble conseguiu detetá-lo usando infravermelhos.



sábado, 25 de abril de 2015

25 ANOS DO TELESCÓPIO ESPACIAL HUBBLE

O Telescópio Espacial Hubble faz anos. 25.
É uma idade bonita, de um Senhor que muito tem feito pelo estudo da Astronomia. 

Foi batizado com o nome de Edwin Hubble, astrónomo da primeira metade do século XX. 

Edwin Hubble conseguiu descobrir que vivemos num Universo maior do que pensávamos ser na altura, e que o mesmo se encontra em expansão. Detetou o afastamento das galáxias, passo fundamental para a elaboração da teoria do Big Bang.

Antes disso, já tinha descoberto que Andrómeda é uma galáxia que dista de nós milhares de anos-luz, e não uma nebulosa dentro da nossa própria galáxia, como se pensava então.


O Telescópio Espacial Hubble é uma justa homenagem a um homem que tanto deu à Ciência. Tem feito um magnífico trabalho ao longo dos últimos 25 anos, mas a sua história começa bem antes disso.

A discussão sobre a utilidade de um telescópio espacial começou em 1946, 10 anos antes do nascimento da própria NASA, e só em 1977 o Congresso Norte Americano aprovou os fundos para a construção do Hubble.

Em 1986, a explosão do space shuttle Challenger ia fazendo com que todos os projetos de exploração espacial sofressem um revés irreversível, mas o Hubble sobreviveu, e continua cá a perpetuar a história e a abrir caminho para a sua descendência.

Nos próximos posts, vou dedicar-me ao Hubble. A minha pequena homenagem a quem tanto a merece.

domingo, 12 de abril de 2015

UMA VISÃO DIFERENTE - ISS / Terra

A Estação Espacial Internacional (ISS) está a ser preparada para o acoplamento de uma nave comercial.
O astronauta Terry Virts, numa das suas caminhadas fora da estação, usou uma GoPro para nos oferecer uma perspetiva pouco habitual da ISS e do nosso próprio Planeta.

quarta-feira, 18 de março de 2015

INFOGRAFIA SOBRE O ECLIPSE

O Jornal de Notícias tratou de publicar hoje, na sua edição online, uma infografia que é bastante clara no que toca à explicação sobre o que é um eclipse.
Poderia publicar um texto, mas um simples clique no link que aqui deixo é suficiente.



quinta-feira, 12 de março de 2015

ECLIPSE DO SOL - 20 DE MARÇO

Poucas, muito poucas mesmo, são as oportunidades que teremos ao longo da vida para assistir a um eclipse do Sol. Ainda menos são as oportunidades de o ver em Portugal, sem alterar as nossas vidas nem as nossas rotinas. Por isso mesmo, não devemos desperdiçar as ofertas que a mecânica celeste nos dá.

No próximo dia 20 de março, entre as 8h e as 10h da manhã, iremos ver o brilho do Sol desvanecer-se. Esperemos que não haja nuvens a atrapalhar!

O eclipse será visível como total no norte da Europa, nas ilhas Faroé, no arquipélago de Svalbard e no Ártico, numa faixa que terá entre 410 e 480 km de largura.
Em Portugal, o eclipse será visível como parcial em todo o território continental e ilhas, sendo que o Sol aparecerá mais coberto pela Lua nas ilhas do Corvo e das Flores. 
O Observatório Astronómico de Lisboa publicou, no seu site (http://oal.ul.pt/eclipse-do-sol-20-mar-2015), algumas imagens que reproduzo parcialmente a seguir, que mostram as zonas cobertas pelo eclipse.
Na primeira imagem vemos representada a zona norte do globo. A faixa negra representa a área em que o eclipse será visto como total. Daí para sul podemos ver a percentagem de área solar coberta a diminuir.


Na segunda imagem temos uma ampliação do mapa de cima, mas aplicada mais sobre o território Português, e a hora de máximo do eclipse.


É preciso relembrar que olhar diretamente para o Sol, mesmo durante o máximo do eclipse, é EXTREMAMENTE PERIGOSO E PODE PROVOCAR CEGUEIRA!
Não há nada como usar filtros solares oculares e fazer observações curtas, entre outras regras de segurança!