quarta-feira, 26 de agosto de 2015

PÉROLAS DO HUBBLE - SNR 0509-67.5

Esta é a imagem de um remanescente de supernova (SNR: Supernova Remnant), tirada pelo telescópio Espacial Hubble. 
As supernovas, apesar de proporcionarem fantásticas imagens, são a face visível da morte de estrelas. No caso particular da SNR 0509, esta supernova resultou da colisão de duas estrelas anãs brancas, e este remanescente de supernova é algo como a bolha de gás que daí resultou.


Visível na constelação do Dorado, no hemisfério sul, pertence à galáxia da Grande Nuvem de Magalhães, a aproximadamente 160 mil anos-luz de distância.
Calcula-se que a explosão que lhe deu origem tenha ocorrido há cerca de 400 anos.

Esta bolha tem cerca de 23 anos-luz de diâmetro e está em expansão, a uma velocidade de 5000 km por segundo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

PÉROLAS DO HUBBLE - Saturno

No dia 24 de fevereiro de 2009, o Telescópio Espacial Hubble captou esta imagem de Saturno, no preciso momento em que 4 dos seus satélites naturais passavam no campo visual do planeta.
Ao meio, a projetar a sua sombra no disco de Saturno, está a maior das suas luas, Titã. Um pouco mais abaixo, mesmo por cima do disco formado pelos aneis de Saturno, vemos um ponto branco e outro negro. O ponto branco é Mimas e o negro a sua sombra. Mais à esquerda, mais brilhante, está Dione e no ponto mais extremo um ponto mais esbatido, Enceladus. 


Fica aqui um vídeo dos planetas a orbitar Saturno, tal como a Lua faz com a Terra.


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

PÉROLAS DO HUBBLE - Grande Mancha Vermelha

Esta é uma imagem de Júpiter.
Nela, é impossível não ver a Grande Mancha Vermelha, um anticiclone que contém ventos superiores a 800 km/h. Vista há pelo menos 400 anos (antes não haviam telescópios...), esta tempestade tem um diâmetro de quase 25 000 km, medido pela Voyager em 1979.
O Hubble fez novas medições e detetou uma diminuição do diâmetro da GMV, que atualmente se situa em cerca de 16 500 km.

As bandas de cor diferente resultam de ventos com sentidos opostos e correntes de ar ascendentes e descendentes.


segunda-feira, 27 de julho de 2015

PÉROLAS DO HUBBLE - Westerlund 2

O Telescópio Espacial Hubble já recolheu imagens absolutamente fenomenais do Universo que nos rodeia.

Hoje deixo a imagem do aglomerado de estrelas Westerlund 2, assim batizada devido ao astrónomo que a o descobriu nos anos 60, Bengt Westerlund.

Este jovem aglomerado tem cerca de 3000 estrelas e está localizado a cerca de 20 mil anos-luz, na constelação de Carina, a Quilha. Percebemos a sua enorme dimensão se pensarmos que mede 6 a 13 anos-luz de diâmetro. Tem algumas das mais brilhantes e massivas jovens estrelas da nossa galáxia.
Não é fácil de ver, porque está rodeado de poeiras, mas o Hubble conseguiu detetá-lo usando infravermelhos.



sábado, 25 de abril de 2015

25 ANOS DO TELESCÓPIO ESPACIAL HUBBLE

O Telescópio Espacial Hubble faz anos. 25.
É uma idade bonita, de um Senhor que muito tem feito pelo estudo da Astronomia. 

Foi batizado com o nome de Edwin Hubble, astrónomo da primeira metade do século XX. 

Edwin Hubble conseguiu descobrir que vivemos num Universo maior do que pensávamos ser na altura, e que o mesmo se encontra em expansão. Detetou o afastamento das galáxias, passo fundamental para a elaboração da teoria do Big Bang.

Antes disso, já tinha descoberto que Andrómeda é uma galáxia que dista de nós milhares de anos-luz, e não uma nebulosa dentro da nossa própria galáxia, como se pensava então.


O Telescópio Espacial Hubble é uma justa homenagem a um homem que tanto deu à Ciência. Tem feito um magnífico trabalho ao longo dos últimos 25 anos, mas a sua história começa bem antes disso.

A discussão sobre a utilidade de um telescópio espacial começou em 1946, 10 anos antes do nascimento da própria NASA, e só em 1977 o Congresso Norte Americano aprovou os fundos para a construção do Hubble.

Em 1986, a explosão do space shuttle Challenger ia fazendo com que todos os projetos de exploração espacial sofressem um revés irreversível, mas o Hubble sobreviveu, e continua cá a perpetuar a história e a abrir caminho para a sua descendência.

Nos próximos posts, vou dedicar-me ao Hubble. A minha pequena homenagem a quem tanto a merece.

domingo, 12 de abril de 2015

UMA VISÃO DIFERENTE - ISS / Terra

A Estação Espacial Internacional (ISS) está a ser preparada para o acoplamento de uma nave comercial.
O astronauta Terry Virts, numa das suas caminhadas fora da estação, usou uma GoPro para nos oferecer uma perspetiva pouco habitual da ISS e do nosso próprio Planeta.

quarta-feira, 18 de março de 2015

INFOGRAFIA SOBRE O ECLIPSE

O Jornal de Notícias tratou de publicar hoje, na sua edição online, uma infografia que é bastante clara no que toca à explicação sobre o que é um eclipse.
Poderia publicar um texto, mas um simples clique no link que aqui deixo é suficiente.



quinta-feira, 12 de março de 2015

ECLIPSE DO SOL - 20 DE MARÇO

Poucas, muito poucas mesmo, são as oportunidades que teremos ao longo da vida para assistir a um eclipse do Sol. Ainda menos são as oportunidades de o ver em Portugal, sem alterar as nossas vidas nem as nossas rotinas. Por isso mesmo, não devemos desperdiçar as ofertas que a mecânica celeste nos dá.

No próximo dia 20 de março, entre as 8h e as 10h da manhã, iremos ver o brilho do Sol desvanecer-se. Esperemos que não haja nuvens a atrapalhar!

O eclipse será visível como total no norte da Europa, nas ilhas Faroé, no arquipélago de Svalbard e no Ártico, numa faixa que terá entre 410 e 480 km de largura.
Em Portugal, o eclipse será visível como parcial em todo o território continental e ilhas, sendo que o Sol aparecerá mais coberto pela Lua nas ilhas do Corvo e das Flores. 
O Observatório Astronómico de Lisboa publicou, no seu site (http://oal.ul.pt/eclipse-do-sol-20-mar-2015), algumas imagens que reproduzo parcialmente a seguir, que mostram as zonas cobertas pelo eclipse.
Na primeira imagem vemos representada a zona norte do globo. A faixa negra representa a área em que o eclipse será visto como total. Daí para sul podemos ver a percentagem de área solar coberta a diminuir.


Na segunda imagem temos uma ampliação do mapa de cima, mas aplicada mais sobre o território Português, e a hora de máximo do eclipse.


É preciso relembrar que olhar diretamente para o Sol, mesmo durante o máximo do eclipse, é EXTREMAMENTE PERIGOSO E PODE PROVOCAR CEGUEIRA!
Não há nada como usar filtros solares oculares e fazer observações curtas, entre outras regras de segurança!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O PONTO AZUL CLARO

Acredito que pouca gente tenha lido uma das obras primas de Carl Sagan, "Pale Blue Dot" ("O Ponto Azul Claro"). Acredito que menos pessoas ainda saibam qual foi a imagem que deu origem ao livro e, consequentemente, à forma como muitos dos que o leram passaram a encarar o nosso Planeta Terra.
A imagem, tirada pela Voyager 1, é esta.


























É curioso que uma imagem como esta, que tem tanto de poético e romântico, tenha sido tirada no Dia de S. Valentim. Há 25 anos, em 1990, a Voyager 1, então nas imediações de Neptuno, virou-se para trás e tirou uma foto à Terra. Não somos, todos nós, mais do que aquilo: um pequeno ponto azul claro.

Esta foto não estava nos planos originais da Voyager. Mas um dos responsáveis por esta missão, o incontornável Carl Sagan, insistiu para que a Voyager fizesse esta manobra e tirasse um retrato de família ao Sistema Solar.
A refração da luz que vemos na imagem é apenas um efeito da própria câmara, mas vamos fazer contas. Quando esta imagem foi captada, a Voyager estava a 40 Unidades Astronómicas (UA) da Terra. Cada UA são 150 milhões de km (a distância do Sol à Terra). Isto significa que a Voyager 1 estava a SEIS MIL MILHÕES DE KM de nós! Por um lado, isso mostra-nos que mesmo de tão longe é possível sermos vistos. Mas por outro lado, mostra-nos muito bem quão pequenos somos...

Hoje, a Voyager 1 está a 130 UA da Terra, no espaço entre as Estrelas, e ainda comunica connosco. Se tirasse uma foto como esta agora, a Terra apareceria 10 vezes mais pálida.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A PHILAE ESTÁ A DORMIR...

E pronto, a Philae está a dormir.

Mas antes disso fez história. Pela primeira vez na História da Humanidade, conseguiu-se fazer aterrar algo feito por "Nós" na superfície de um cometa.

A bordo da sonda espacial Rosetta, lançada a 2 de março de 2004 à boleia do rocket Ariane 5, a Philae é um pequeno robô cujo objetivo é, juntamente com a Rosetta, fazer um estudo detalhado do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.

A Rosetta e a Philae tomaram os seus nomes baseados na Pedra de Roseta e no obelisco que permitiu a sua leitura, elementos essenciais para a compreensão dos hieroglifos egípcios. Da mesma forma, espera-se que ambas possam agora ajudar a desvendar alguns enigmas sobre a origem do Sistema Solar e da origem da Vida na Terra.

A Agência Espacial Europeia conduziu esta missão desde o primeiro dia, fazendo algo que, pessoalmente, admiro bastante. A forma como se divulgou a missão e a sua evolução, e o modo como se conseguiu fazer chegar ao público cada conquista da Rosetta e da Philae, fizeram com que muitas pessoas se sentissem mais próximas da Ciência e da Exploração Espacial. Como admirador confesso de Carl Sagan e das suas ideias, não posso deixar de imaginar como ele ficaria feliz se soubesse que alguém ouviu os seus apelos de divulgação científica e a forma como a Humanidade conseguiu chegar a um novo "mundo", como ele chamava a todos os Planetas, Luas, Estrelas, Cometas... ou seja, a todos os corpos celestes que existem no nosso Universo.

Depois de uma longa viagem, a Rosetta aproximou-se do cometa a 6 de agosto deste ano. Tomou, depois, uma sequência de manobras que permitiram que fosse escolhido o melhor local possível para se fazer descer a Philae até à superfície do 67P.




Foram enviadas as primeiras fotos em primeiro plano de um cometa e a jornada pôde ser acompanhada ao minuto por todos os interessados, nomeadamente pelo twitter da Rosetta e da Philae. Os dados enviados para Terra estão agora a ser analisados. Após uns primeiros dias de sucessos, de repente as baterias da Philae começaram a dar de si. Recebem muito menos luz do sol do que era previsto e, naturalmente, cederam.

Há uma janela de oportunidade para recuperar as comunicações quando o cometa se aproximar do sol, em agosto de 2015. Até lá, a Philae está a dormir...