segunda-feira, 30 de setembro de 2013

TRÂNSITO DA ISS PELA LUA

É por imagens como esta que eu amo o Espaço.
A poesia de algo assim, em que uma obra fabulosa de Engenharia se mistura com a paisagem perene da Lua nos nossos Céus Noturnos, tira-me o fôlego.


Conseguem ver a Estação Espacial Internacional (ao meio um pouco para a direita) um pouco acima da Cratera de Tycho (aquele círculo de onde parecem sair raios)?

Esta imagem é de 20/12/2012.
O trânsito da ISS durou pouco mais de meio segundo. Neste momento, a ISS estava a 424 km da Terra e a orbitar-nos a cerca de 28 000 km/h.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

EQUINÓCIO DE SETEMBRO

É normal as pessoas não saberem o que é o equinócio, tal como é normal não se saber o que é o solstício.

Mas antes de explicar o que é um equinócio, convém explicar por que motivo temos estações do ano.
O primeiro passo que é preciso desmistificar é que é verão quando a Terra está mais perto do Sol. ERRO CRASSO! Se assim fosse, como se explicaria que o verão no hemisfério norte seja simultâneo com o inverno no hemisfério sul? Se fosse verão por a Terra estar mais perto do Sol, então teria de ser verão no Planeta inteiro, certo?
Há pouco tempo tentei explicar isto a um tipo que insistiu comigo que eu estava errado. Porque, dizia ele, "se está mais calor, é porque está mais perto". Desisti. Não o consegui fazer entender que está mais calor porque o Sol passa mais tempo a iluminar-nos e a aquecer-nos. Nasce mais cedo e põe-se mais tarde. Isso faz com que esteja mais tempo acima do horizonte. Logo, temos mais calor...

E é precisamente isto que nos remete para o porquê de termos estações do ano.
Temos estações porque a inclinação do eixo da Terra relativamente ao Sol não é constante. É verão no hemisfério norte quando a inclinação desse eixo faz com que o Sol passe mais tempo a incidir no hemisfério norte e o mesmo se passa no hemisfério sul.
É por isso que o solstício de dezembro marca o verão no hemisfério sul (inverno no hemisfério norte) e o solstício de junho marca o verão no hemisfério norte (inverno no hemisfério sul).
A imagem que coloco a seguir é altamente explicativa. Repare-se bem na direção dos polos norte e sul, e como é mais fácil perceber que o sol passa mais tempo a iluminar o hemisfério norte ou sul consoante a inclinação no momento.















Ok, agora os equinócios.
Ora bem, tem de haver um ponto de transição entre estes dois extremos (os solstícios). Esse ponto marca o momento em que um hemisfério deixa de ser o "que mais Sol leva", para passar a ser o outro. Esse momento chama-se... EQUINÓCIO!
Tecnicamente, diz-se que o equinócio é o instante em que o Sol, na sua órbita aparente (ou seja, como vista da Terra), cruza o Equador celeste. O Equador celeste é a projeção da linha do Equador terrestre projetada na esfera celeste (podemos imaginar a esfera celeste como uma espécie de "cúpula" que IMAGINARIAMENTE nos envolve).
De outra forma, é o ponto em que a eclítica cruza o equador celeste. A eclítica é a linha imaginária percorrida pelos Planetas nas suas órbitas. Mas vamo-nos ficar pela primeira definição.

A origem etimológica da palavra "equinócio" é o latim, em que aequus (igual) e nox (noite) significam "noites iguais". Vistas as coisas de outro prisma, é o momento em que os dias e as noites são iguais.

E para isto, convém explicar como se mede o dia.
Mede-se desde a "alvorada" (ou "dilúculo") até ao "ocaso" (ou "crepúsculo").
O dilúculo é o instante em que precisamente metade do disco solar está acima da linha do horizonte e metade abaixo e o crepúsculo é a mesma coisa ao por-do-Sol. Assim, durante os equinócios, o dia e a noite têm precisamente 12 horas.
Penso que a imagem seguinte ajuda a compreender um pouco o que acabei de dizer.


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

CIÊNCIA E RELIGIÃO NA MESMA FOTO

Lua e Vénus sobre o Cristo-Rei no Rio de Janeiro.

Ciência e Religião de mãos dadas?
Cristo a agarrar a Ciência?
Ou a Ciência a mergulhar sobre Cristo?

Perfeito, simplesmente perfeito.


Créditos da foto: Josselin Desmars

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

ASTRONOMIA Q&A

Divulgo este link, de um website dedicado a perguntas e respostas sobre Astronomia.
Já me inscrevi e já participei.
Amantes da Astronomia, registem-se!

http://astronomia.galactica.pt/


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

ESTE E OUTROS MUNDOS... - parte 2

Lançaram-me o desafio de pesquisar que cores terá o céu a partir da superfície de outros Planetas. Esse desafio não está esquecido...

Hoje apetece-me apenas falar do que sinto e do despertar de consciência que uma noite a olhar para a... noite... provoca. É o descobrir de um Mundo que não está "lá em cima", que não orbita em torno de nada a não ser de nós próprios. O Nosso Mundo Interior.

Antes de me deitar, e à falta de oportunidade de levar o meu telescópio para um local apropriado, vou passar uns minutos à janela do meu quarto. Tenho a sorte de não ter prédios altos à minha frente e consigo ver alguma coisa da Noite.
Mas a Noite é para ser desfrutada em pleno. Gosto do Silêncio, do Cheiro da Noite. Gosto das Sombras e das Luzes indicadoras da presença de Mundos sobre a minha cabeça. E todo esse ambiente desperta-me para outro Mundo, o que está dentro da minha cabeça.

Há uns dias, o clima muito peculiar de Espinho fez-se sentir através da habitual neblina que nos envolve e humedece até aos ossos. Mesmo assim, fui à janela. O Céu estava ligeiramente alaranjado próximo da linha do horizonte, talvez como resultado da iluminação pública. Mas se calhar isso até contribuiu para uma atmosfera de misticismo estranha. A Luz das Estrelas ia e vinha. Júpiter aparecia e desaparecia.
Entre abertas nas nuvens despertei para a minha própria intermitência como Pessoa. O brilho está lá. A Luz está lá.

Por que motivo hei de privar-me a mim mesmo e a quem me rodeia dessa Luz? 
Não sei.

Mas sei que nenhum de nós o devia fazer consigo mesmo e com os seus.
Todos temos a nossa Luz. Não vamos abdicar dela.
A nossa presença na Terra é curta. Vamos aproveitá-la.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

ESTE E OUTROS MUNDOS...

Ando algo desligado das minhas observações do Espaço. Por vezes a Vida trata disso sem nos perguntar se é essa a nossa vontade, e acabamos por tacitamente aceitar os seus desígnios.
Nem telescópio ao relento, nem banhos de escuridão, nem o som do silêncio, quase nem o olhar para cima com olhos de ver, de procurar, de pesquisar... os olhos com que o Espaço merece ser olhado e observado.

Mas a noite de 3ª feira para 4ª feira foi noite de insónia. Semi-insónia, se calhar.
Fiquei a ver o "Million Dollar Baby" no Hollywood. Fez-me bem ver o filme, pois já me tinha esquecido de quão poderosa é a mensagem que transmite. Outra coisa não seria de esperar quando se junta um fantástico Clint Eastwood a um invariavelmente brilhante Morgan Freeman, bem secundados pela Hilary Swank. A mensagem que passa é que a Vida é efémera e que devemos lutar pelos nossos objetivos. Que devemos ser firmes e não deixar que nos ponham de rastos com opiniões que podem não ser válidas. No fim, que é legítimo tentarmos manter a dignidade de controlar minimamente o nosso destino.

Mas depois o filme acabou e fui para o meu quarto. Eram 5h30, mais ou menos.
Fui à janela. Senti logo o cheiro a queimado de um incêndio que lavrava não muito longe e deixava uma coluna de fumo cinzento no ar e tapava todo o Norte da Esfera Celeste. O dia dava sinais de querer nascer, mas ainda assim dava para apreciar algumas das maravilhas que têm andado arredadas dos meus olhos.

Esta é uma visão parecida à que tive nessa noite...

Era incontornável ver o Olho do Touro, Aldebaran, e a sua intensa cor vermelha a sobressair nas Híades. A partir daí, bastava desviar o olhar para a esquerda até Alnath e para cima até às Plêiades. Touro é uma Constelação esplêndida.

Mas o facto de Touro ser visível implica outra coisa fabulosa... é que isso significa que Orion está aí a bater à porta. Tentei perscrutar com o olhar o mais próximo possível do horizonte, acima dos telhados dos prédios que tenho lá mais à frente. Não sei precisar, mas talvez acima dos 10º de elevação, detetei o que me pareceu ser Betelgeuse. Estando ali Betelgeuse, Bellatrix teria de estar mais acima um pouco, mais para a direita do meu campo de visão. Lá estava ela. Confirmado, Orion estava a nascer. Só tive pena de não conseguir vir Alnilam, Alnitak e Mintaka, as famosas Três Marias, e Rigel, eterna companheira nos nossos Céus Noturnos, devido aos obstáculos físicos, muito terrestres, que me limitam a visão do Céu a partir desse local pouco privilegiado para a Observação Astronómica que é o meu quarto.

Capella e Auriga, o Cocheiro, estavam bem lá no alto, e procurei a minha Constelação astrológica, Carneiro. Não acredito em nada dessas tretas, mas acho que todos nós, astrónomos mais ou menos amadores, ou pura e simplesmente amantes da Física e do Céu, gostamos de encontrar e observar a Constelação à qual aqueles pseudocientistas astrólogos dizem que pertencemos.

Mas mesmo ali à minha frente, estava a conjunção Júpiter-Marte.
Primeiro apercebi-me de que ao lado de Júpiter estava uma "não Estrela". Distinguem-se pelo brilho fixo e não cintilante. Observei melhor. Marte distingue-se pelo seu tom avermelhado, que olhos não treinados confundem com uma qualquer Estrela. O Planeta Vermelho estava ali bem diante dos meus olhos, a fazer companhia ao gigante Júpiter.
É impossível não me emocionar quando penso em tudo o que isso significa. Como o mestre Carl Sagan diria, não eram "simples Planetas" que estavam ali, mas sim outros "dois Mundos". Olhamos para Terra e vemos "o" Mundo, mas é apenas "o nosso" Mundo. Há mais Mundos no Universo. 

NÃO, NÃO ACEITO QUE ESTEJAMOS SOZINHOS NA VASTIDÃO CÓSMICA! 

Ser Astrónomo (amador ou não), ou simples Observador do Espaço, não é ser mais do que ninguém. É apenas ter mais consciência do nosso lugar no Cosmos. 
Há tanto por descobrir, tantos Mundos diferentes para contemplar, que acho inacreditável que haja tanta gente a olhar sempre e só para o seu próprio umbigo. Na minha dissertação de Mestrado salientei a seguinte frase de Dante, numa das folhas iniciais:

"Os céus giram sobre ti mostrando-te as suas eternas glórias, mas os teus olhos limitam-se a fitar o chão."

Esta frase tem muitas interpretações. Prefiro aquela que diz:

- Homem, és tão tapado... se levantares a cabeça e procurares ver acima do teu nariz, verás a infinidade de maravilhas que estão à tua espera!

E isto aplica-se muito, mas mesmo muuuuito, à Observação Noturna do Céu.
Astronomia é Ciência no seu estado mais puro, mas também é reflexão, sonho e magia. 
A Astronomia não é uma Ciência para lunáticos, como o meu pai nos chama, mas sim uma Ciência para quem quer e gosta de ter os pés bem assentes na Terra. Pois só assim podemos elevar as nossas mentes na descoberta e compreensão de outros Mundos.

Se calhar ninguém leu este post até ao fim.
Gosto de pensar que algum corajoso ou alguma corajosa respirou fundo e seguiu esta exposição dos meus pensamentos. Se sim, que se sinta livre para se manifestar... Um "fumaste algo que não devias!" ou um "partilho do que sentes!" serão igualmente bem aceites, com um sorriso. Afinal, o que pretendo e sempre pretendi com este meu blogue de Astronomia é fazer a minha pequeníssima parte de divulgação da Ciência, bem como incentivar e estimular a conversa sobre a compreensão deste e de outros Mundos.
Acho que hoje falei de um Mundo do qual não falo muito. O Meu Mundo.

terça-feira, 23 de julho de 2013

O PONTO AZUL CLARO


Carl Sagan, o mestre da divulgação científica, escreveu um livro intitulado "Pale Blue Dot", "O Ponto Azul Claro" na sua tradução em Português. Referia-se, obviamente, à Terra vista do Espaço, uma visão de pequenez de que poucos temos consciência.

Hoje temos o privilégio de ver fotos como esta.
A Cassini, sonda enviada pela Agência Espacial Europeia (ESA), pela NASA e pela Agência Espacial Italiana para explorar Saturno, captou o nosso lar de um ângulo simplesmente magnífico! A nossa casa aparece com a nossa Lua, vista por detrás dos aneis de Saturno.

O Sol encontra-se em oposição à Cassini, do outro lado de Saturno, por isso vemos o planeta apenas como uma esfera escura, tal como um eclipse. Os intervalos na orla brilhante de Saturno, provocada pela luz solar, são devidos às sombras que os aneis provocam no globo de Saturno, porque impedem a luz do solar de passar até à atmosfera deste gigante gasoso.
Dois dos aneis foram ligeiramente "retocados" informaticamente para que possam ser mais visíveis.

A Terra encontra-se aqui a 1,44 mil milhões de km (1 440 000 000 km) de distância, e está sinalizada pela seta. A Lua é uma protuberância que surge do lado direito. Aumentando 5 vezes a imagem vemos melhor o nosso vizinho.


Confesso que a primeira foto que coloquei me comove muito.
Faz-nos perceber o nosso lugar no Universo, e como aquilo que nos parece relevante do nosso ponto de vista egocêntrico, num contexto global é irrisório. Basta pensar que todos os outros pontos brilhantes são Estrelas...
É por isso que amo tanto a Astronomia, não só como Ciência, mas também devido à consciencialização que provoca em quem se dedica a ela.

Créditos das fotos: NASA / JPL-Caltech / Space Science Institute

segunda-feira, 15 de julho de 2013

TEMPESTADE SOB A VIA LÁTEA

E quando uma tempestade se forma sob a Via Látea?
Claro, dá uma imagem absolutamente arrebatadora...

Esta foto foi tirada com tempo de exposição de 15 segundos, no estado norteamericano do Dakota do Sul.


Créditos da foto: Randy Halverson, DakotaLapse.com

terça-feira, 25 de junho de 2013

O SOM DOS PULSARES

Convém primeiro explicar, rapidamente e para os menos informados, o que é um pulsar.
Um pulsar é uma Estrela em rápida rotação, que envia radiação altamente energética. Tal como num farol, a radiação só é detetada quando o feixe está "apontado" para a Terra. Estas Estrelas têm períodos muito curtos de rotação, com intervalos muito precisos, de segundos a milissegundos.
"Ouçamos", então, o som da radiação emitida pelos pulsares, convertida para frequências áudio.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O SOM DOS PLANETAS

Recordo: isto não é verdadeiramente o som dos Planetas!
É a conversão das ondas eletromagnéticas recebidas dos Planetas em frequências áudio.