sexta-feira, 15 de junho de 2012

TRÂNSITO DE VÉNUS - 1

Na semana passada, alguma imprensa noticiou o trânsito de Vénus, mas todos os órgãos de comunicação social foram parcos em explicações sobre o fenómeno. O que pretendo agora é deixar uma imagem diferente do que realmente aconteceu no céu nos dias 5 e 6 de junho, para que fique bem claro para todos que tipo de acontecimento foi, e as suas particularidades.
Para muitos isto não tem piada nenhuma, outros como eu ficarão verdadeiramente entusiasmados. No meio, está a esmagadora maioria das pessoas, para quem saber um pouco mais é uma questão de curiosidade.
Não vou fazer mais do que 2 ou 3 posts sobre este tema.

Indo por partes...

O QUE É UM TRÂNSITO?

Em linguagem de amigos, é quando um corpo mais pequeno passa em frente a outro de maiores dimensões e mais brilhante, segundo o nosso campo visual. Para ajudar a compreensão, é um eclipse em ponto pequeno.
Vejamos exemplos.
  • Se a ISS (Estação Espacial Internacional) passar em frente à Lua, isso é um trânsito;

  • Se Ganimedes (Lua de Júpiter) passar em frente a Júpiter, isso é um trânsito;

  • Se Vénus passar em frente ao Sol, isso é um trânsito...

Há imagens bem mais espetaculares que esta do trânsito de Vénus, mas deixo-as para depois.
Quis agora, apenas, ilustrar o que é um trânsito.

Em linguagem um pouquinho mais técnica, um trânsito ocorre quando a órbita de um corpo provoca um alinhamento com outros dois, de tal forma que um dos corpos fica "ocultado" pela sua presença.
Ou seja, quem está na Terra e olha para o Sol, assiste a um trânsito de Vénus quando este passa pela frente do disco solar.
Esta imagem retirada da internet esclarece:


É SEGURO ASSISTIR A UM TRÂNSITO?

Sim, exceto quando envolve o Sol. Nesse caso, é imperioso que se utilizem filtros para telescópios e que não se olhe diretamente para o Sol sem proteção. Pode cegar.

COM QUE FREQUÊNCIA OCORREM OS TRÂNSITOS?

Depende de que trânsito estivermos a falar. Os trânsitos são previsíveis e existem ferramentas para os calcular.
Sabemos que os trânsitos de Vénus ocorrem "aos pares", espaçados de cerca de 105 anos. Ou seja, os últimos aconteceram em 2004 e 2012, e agora só voltam a acontecer em 2117 e 2125.
Por isso, a resposta à pergunta "Quando posso voltar a ver um trânsito de Vénus?" é "Em condições normais, nunca!".

Vejamos a lista dos trânsitos de Vénus desde 1601, divulgados pela NASA:


O TRÂNSITO DE VÉNUS FOI VISÍVEL EM TODO O MUNDO?

Infelizmente não!
E Portugal e a maior parte do território brasileiro (onde este blogue é muito lido) ficaram de fora dos locais privilegiados.
Este mapa retirado do site da NASA é explicativo. Clique na imagem para ver melhor.


Para percebermos o motivo de não ser visível em todo o lado, basta pensar na rotação da Terra e no dia e na noite. Quando é noite em nossa casa, é dia nos nossos antípodas, do outro lado do mundo. Logo, não vemos o Sol porque olhar para o Céu significa estar a olhar "na direção oposta"...
Quando começamos a poder observar o Sol por a Terra já ter rodado sobre si mesma o suficiente, já o trânsito pode estar a acabar porque Vénus já saiu da frente do disco solar. Foi exatamente isso que aconteceu em Portugal.
Acompanhei a emissão em direto no site da NASA de madrugada. Quando ficou dia cá em Portugal, já o trânsito tinha chegado ao fim.

Continuo no próximo post.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

CALENDÁRIO CÓSMICO - 7

Este post pretende ser apenas a súmula da minha visão pessoal deste calendário cósmico.
Relembro aquilo que sempre disse ao longo desta série de 7 posts: ao criar este calendário, Carl Sagan quis apresentar uma visão diferente da evolução do Universo, da Terra, da Vida e do próprio Homem. As conclusões, cada um tira as que quiser...

Parece-me claro que durante muito tempo após o Big Bang não se passou nada de "relevante" no que toca à evolução da Vida.
E quando finalmente ela surgiu, não nos deu prioridade. Antes de nós, plantas e animais povoaram a Terra e fizeram dela a sua casa. Só depois surgiu o Homem, com a inexplicável mentalidade de que tudo foi feito para seu uso exclusivo. Não foi.

O que me parece que salta à vista após a análise que fiz, é a evolução absolutamente brutal que o Homem tem feito recentemente. A Ciência e a Tecnologia vieram para ficar. Somos agora uma sociedade dependente dos progressos científicos que nós, enquanto espécie, vamos efetuando.
Mas importa reter que esses progressos funcionam de acordo com as mentes que os criam e das que os utilizam. Com isto, quero dizer que podem servir para melhorar as nossas condições de vida, sem dúvida alguma, mas também podem servir para nos autodestruirmos. Literalmente.
Ganhámos a capacidade de fazer a nós mesmos aquilo que fizemos a outras espécies, ao longo da nossa evolução: exterminá-las.

Vivemos num Planeta pequeno mas privilegiado. Na vastidão do Espaço, não existirão tantos oásis assim como aquele onde estamos, embora a procura por planetas extrassolares (habitáveis) esteja agora a dar os seus primeiros passos.

Não estamos demasiado perto nem demasiado longe da nossa Estrela, o que permite que não tenhamos um Planeta demasiado quente nem demasiado frio, que possamos ter uma razoável atmosfera e que esta nos forneça a proteção que precisamos e o ar que respiramos...
Porque não aproveitamos?

Vivemos num Planeta onde a Vida floresce e onde já florescia muito antes de nós, Homens, aparecermos.
Porque não a respeitamos?

Vivemos num Planeta onde o equilíbrio do ecossistema depende da convivência entre Homens, animais e plantas.
Porque não partilhamos?

Vivemos num Planeta com uma história rica, cheia de detalhes deliciosos.
Porque não a cultivamos?

Contudo, a pergunta que fica por responder parece-me a mais importante de todas.
A resposta fica com cada um que ler este post e/ou tiver acompanhado os meus últimos 7 textos, para que cada um possa fazer a sua parte...

Vivemos num Planeta com condições fabulosas para a Vida!
Porque não o preservamos?

quarta-feira, 6 de junho de 2012

CALENDÁRIO CÓSMICO - 6

Deixei para o fim os últimos 10 segundos deste calendário cósmico.
Ou seja, na nossa escala de tempo habitual, os últimos 4750 anos. Usando a comparação que uso sempre, 4750 anos parecem muito tempo, mas representam 10 segundos no espaço de um ano... aliás, como Carl Sagan também refere, toda a história registada e documentada cabe neste espaço de tempo, que nos parece enorme e longínquo, mas ridiculamente insignificante à escala universal.

E o que marcou a Humanidade entretanto?
  • 23h59m51: invenção do alfabeto. Império Acadiano
  • 23h59m52: códigos de Hamurabi na Babilónia. Médio Império no Egito
Faço aqui a primeira interrupção. Como podemos ver, o alfabeto é algo muito recente.
É a primeira forma de perpetuação escrita do conhecimento, uma forma de memória extrassomática.
Isso permitiu o aparecimento de novos conceitos até então impensáveis, como os códigos de Hamurabi. Não sendo o primeiro conjunto de leis publicadas, é um dos mais representativos, até porque encarna a mentalidade das pessoas na época. Vejamos um exemplo:

Art. 25 $ 227 - "Se um construtor edificou uma casa para um Awilum, mas não reforçou seu trabalho, e a casa que construiu caiu e causou a morte ao dono da casa, esse construtor será morto".

Os códigos foram esculpidos num monólito, em que as 282 leis (a 13ª foi eliminada por motivos supersticiosos) foram escritas em 46 colunas e 3600 linhas.

  • 23h59m53: metalurgia do bronze. Cultura micénica. Guerra de Tróia. Civilização olmeca. Invenção do compasso
  • 23h59m54: metalurgia do ferro. Primeiro Império Assírio. Reino de Israel. Fundação de Cartago pelos Fenícios
  • 23h59m55: Índia de Ashoka. Dinastia Ch'in na China. Atenas de Péricles. Nascimento de Buda
  • 23h59m56: geometria euclidiana. Física de Arquimedes. Astronomia ptolomaica. Império Romano. Nascimento de Cristo
Interrupção obrigatória.
Primeiro, porque só agora surgem os primeiros passos reais na evolução da Física e da Matemática, tal como as conhecemos.
Segundo, porque só agora a Humanidade contacta a experiência religiosa Cristã. Já existiam outras religiões, cultos e crenças, mas o Catolicismo só agora surge.
Não pretendo iniciar ou manter aqui uma conversa sobre religiosidade, porque isso é demasiado pessoal, só cada um sabe como sente a (sua) religião. Sou Católico Praticante, mas reconheço que a questão de Cristo só ter nascido há cerca de 2000 anos quando o Universo é incomparavelmente mais velho é algo que a Igreja terá de considerar pertinente.
  • 23h59m57: zero e decimais inventados pela aritmética indiana. Queda de Roma. Conquistas muçulmanas
Aqui, uma pequena nota: o algarismo "0" é estupidamente recente. Tem pouco mais de mil anos...
  • 23h59m58: civilização maia. Dinastia Sung, na China. Império bizantino. Invasão mongol. Cruzadas
  • 23h59m59: renascimento na Europa. Descobrimentos pelos europeus e pela dinastia Ming, da China. aparecimento do método experimental na ciência
  • Momento atual - primeiro segundo do 2º Ano Cósmico: desenvolvimento generalizado da ciência e da tecnologia. Aparecimento de uma cultura global. Aquisição dos meios de autodestruição da espécie humana. Primeiros passos na exploração planetária com engenhos espaciais e busca de uma inteligência extraterrestre
E chegamos ao "agora"...
A Ciência desenvolveu-se ao ponto de se tornar incontornável.

Mas isso entra no tema do meu próximo post sobre este assunto, que será o último.
Irei fazer a minha reflexão pessoal sobre tudo aquilo que escrevi ao longo das últimas semanas.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

CALENDÁRIO CÓSMICO - 5

Tenho vindo a falar do Calendário Cósmico apresentado por Carl Sagan, que é uma forma de ver o tempo a uma escala mais compreensível ao Homem comum. Recomendo a leitura dos anteriores 4 posts para quem ainda não leu, antes de ler este.

E é precisamente no Homem que é centrado o post de hoje, ou não fossem os tempos recentes os tempos do reinado do Homem, com tudo o que isso acarreta de bom e de mau. Falo das conquistas, da evolução humana e dos progressos (?) entretanto atingidos.

O dia 31 de dezembro do calendário cósmico resume os últimos 41 milhões de anos de História da Terra. Parece muito tempo, mas lá está... a Astronomia é uma Ciência de escalas, e se compararmos estes 41 milhões de anos com os 15 mil milhões que decorreram desde o Big Bang, vemos que 41 milhões são menos que 0,3%. Elucidativo? Eu acho...

Antes de descrever os acontecimentos recentes deste dia 31, convém recordar que aqui, cada segundo equivale a 475 anos reais.
Vejamos:
  • 13h30: origem do Proconsul e do Ramapithecus, prováveis antecessores dos homens e dos macacos
  • 22h30: primeiros seres humanos
  • 23h00: utilização generalizada dos utensílios de pedra
  • 23h46: domínio do fogo pelo homem de Pequim
Convém explicar que o Proconsul e o Ramapithecus são anteriores ainda aos primatas, que todos conhecemos como os nossos antepassados. Ainda não tinham exatamente formato de primata, mas a morfologia do seu corpo era já disso indicadora.
Destaco ainda o facto de o domínio dos utensílios de pedra e da descoberta do fogo terem decorrido numa fase tão avançada deste calendário.
Basta analisar este facto: considerando um ano desde o "início dos tempos", só a 14 minutos do fim do ano o Homem descobre o fogo...
  • 23h56: início do período glaciário mais recente
  • 23h58: navegadores colonizam a Austrália
  • 23h59: pinturas rupestres por toda a Europa
Entramos no "último minuto cósmico", e só agora o Homem começa a deixar um legado escrito para os seus descendentes. Ainda assim, a evolução do desenho não chegou a mim...


Daqui para a frente, a evolução e os factos sucedem-se de tal forma que é necessário fazer a análise "ao segundo".
  • 23h59m20: invenção da agricultura
  • 23h59m35: civilização neolítica. Primeiras cidades
  • 23h59m50: primeiras dinastias na Suméria, em Ebla e no Egito. Desenvolvimento da Astronomia
A Astronomia apareceu muito recentemente, por este ponto de vista, mas por outro lado, que outra Ciência é mais antiga? As primeiras observações do Céu "com olhos de ver" foram efetuadas há menos de 5000 anos. Seria uma Astronomia extremamente rudimentar, puramente observacional e sem qualquer conhecimento do que de facto se passa "lá em cima".

Contudo, o reconhecimento da época do ano em que certas Constelações e Estrelas apareciam no Céu ia ajudando a agricultura. Por exemplo, no Egito sabia-se que quando Sírio (do Grego Seirios, que significa "brilhante", Alfa Canis Majoris ou Estrela do Cão para os amigos), a Estrela mais brilhante do hemisfério Norte, aparecia no horizonte a Nascente, logo atrás de Orion, era a altura ideal para renovar culturas e plantações, pois antecedia a inundação anual do Nilo e o Solstício de Verão. Os egípcios sabiam que Sírio surgiria ao nascer do Sol após estar ausente do Céu durante 70 dias, o que revela uma extraordinária capacidade de observação e previsão.
Pessoalmente, acho que é essa uma das caraterísticas da Astronomia, o poder de previsão que quase sempre se aplica... e também é isso que me fascina.

Continuo no próximo post, com o tema da evolução do Homem nestes 10 segundos que faltam...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

CALENDÁRIO CÓSMICO - 4

Continuando no tema dos últimos posts, a compressão da idade do Universo para caber num único ano...
Recordo que o objetivo desta análise é o de dar uma melhor perspetiva da evolução da Vida e do Universo, comparando distâncias temporais relativas.

No último post, estive a analisar aproximadamente meio do mês de dezembro. Trato hoje de analisar a outra metade, deixando os detalhes do dia 31 para outro dia.

O que diz o calendário cósmico de Carl Sagan?
  • Dia 20: período silúrico. Primeiras plantas vasculares. As plantas começam a colonização da Terra
  • Dia 21: período devónico. Primeiros insetos. Os animais começam a colonização da Terra
Faço aqui o meu primeiro comentário deste post.
O silúrico foi um período que terminou há 416 milhões de anos. Nesta altura já havia plantas E NÃO HAVIA HOMENS. O Planeta estava povoado de uma planta chamada Cooksonia (que a seguir mostro numa reconstituição) e NÃO HAVIA UM ÚNICO HOMEM.


O devónico sucedeu ao silúrico e terminou há 359 milhões de anos. Nesta altura já havia animais E NÃO HAVIA HOMENS. A Terra ainda tinha apenas 3 continentes, pois a Pangeia (continente único que, ao dividir-se, formou os que agora conhecemos) ainda estava em fase de formação, e já havia tubarões primitivos no topo da cadeia alimentar. NÃO HAVIA UM ÚNICO HOMEM.

Mais uma vez eu digo: com que moral achamos que o Planeta é nosso, quando foram os animais e as plantas que nos receberam na casa que já era deles?

Continuando:
  • Dia 22: primeiros anfíbios. Primeiros insetos alados
  • Dia 23: período carbonífero. Primeiras árvores. Primeiros répteis
  • Dia 24: início do período pérmico. Primeiros dinossauros
  • Dia 25: fim da era paleozoica. Início da era mesozoica
Ok, estamos no "dia de Natal cósmico". Não interrompo aqui para dar um presente a ninguém.
Por esta altura, há 245 milhões de anos (ou há 6 dias, dependendo da visão de cada um...), ainda não tínhamos continentes formados. Houve uma extinção em massa em cerca de 95% da vida na Terra, por causas não conhecidas. Há quem afirme que foi devido a alterações climáticas bruscas, há quem afirme que foi devido a um meteoro que colidiu com a Terra. De qualquer das formas, as trilobites, de que falei no post anterior, desapareceram na chamada Extinção Permo-Triássica, bem como muitas outras espécies.
  • Dia 26: período triássico. Primeiros mamíferos
  • Dia 27: período jurássico. Primeiras aves
  • Dia 28: período cretácico. Primeiras flores. Extinção dos dinossauros
É possível que alguns dinossauros tenham tido a bênção de ver a beleza das flores, mas muitos não devem ter existido a tempo de as contemplar.


Pensemos agora de outra forma. Os dinossauros extinguiram-se há 65 milhões de anos, muito provavelmente devido ao impacto de um meteoro com a Terra (na zona do México), que provocou efeitos cataclísmicos de tal ordem violentos, que grande parte da Vida foi varrida da Terra. Mas voltando aos 65 milhões. Parece muito tempo, e é muito tempo. Mas na história do Universo não representa nem 1% que decorreu entretanto...
Vistas as coisas deste ponto de vista, os dinossauros não foram nossos contemporâneos, é certo, mas faltou pouco!
  • Dia 29: fim da era mesozoica. Início da era cenozoica e do período terciário. Primeiros cetáceos. Primeiros primatas.
Só agora surgem os nossos antepassados primatas...
  • Dia 30: princípio da evolução dos lobos frontais nos cérebros dos primatas. Primeiros hominídeos. Mamíferos gigantes
Só agora (ontem?) se começa a desenvolver o cérebro com a forma que hoje conhecemos e temos.
Mas é preciso lembrar que hominídeos não significa homens. Os hominídeos eram o "Homem primordial" e a evolução deu-se por vários estágios, um dos quais o Australopithecus Africanus, que mostro em representação a seguir.


A forma dos nossos antepassados ainda faz lembrar muito mais um primata do que um Homem (ainda que haja homens muito parecidos com primatas, principalmente no comportamento...).
Estes australopitecos foram primeiro detetados na África do Sul (daí o prefixo australo, que indica "sul"), mas recentemente foram descobertos fosseis no Chade.

Mas, é claro, o Homem tem de surgir, até porque já não falta muito tempo no calendário cósmico...
  • Dia 31: fim do período pliocénico. Período quaternário (plistocénico e holocénico). Primeiros seres humanos
O ser humano desenvolve-se maioritariamente no plistocénico, a par com os mamutes e os tigres dente-de-sabre, por exemplo. Este período teve início há 1 milhão e 806 mil anos e terminou há cerca de 11500 anos, o que nos permite visualizar melhor a escala de tempo.
O holocénico é o nosso tempo atual, que começou com a última era glaciar (Idade do Gelo).

Penso que este é um bom momento para terminar este post.
No próximo, irei entrar nos detalhes do último dia do ano cósmico.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

CALENDÁRIO CÓSMICO - 3

Na senda dos 2 últimos posts, continuo na descrição do calendário cósmico de Carl Sagan.
Se, eventualmente, este é o primeiro post da "saga" que lê, recordo que o objetivo é comprimir todo o tempo decorrido desde o Big Bang até hoje no espaço de um ano, para que assim se possa ter uma melhor perspetiva da evolução do Universo e da Vida. Neste caso, remeto o leitor para os 2 últimos posts antes de ler este, para que o encadeamento seja muito mais lógico.

Se, por outro lado, acompanhou o que já escrevi sobre este tema, hoje falo de aproximadamente uma quinzena do mês de dezembro.
  • Dia 1: começa a desenvolver-se na Terra uma atmosfera de oxigénio significativa
  • Dia 5: vulcanismo intenso e formação de canais em Marte
Talvez tenha sido por esta altura (há uns incríveis 1000 milhões de anos ou há uns meros 24 dias atrás, dependendo da perspetiva - pessoalmente, prefiro a última...) que se formaram duas formações do mais incrível que podemos ter em Marte e no Sistema Solar: o Olympus Mons e os Valles Marineris.



Não vou entrar em detalhes sobre qualquer destas formações, mas digo apenas que o Monte Olimpo é o maior vulcão conhecido do Sistema Solar e tem uma altitude de cerca 26 km (a proporção "o triplo do Everest" ajuda a dar uma ideia...). Quanto aos Valles Marineris (Latim para Mariner Valleys, pois foi a sonda Mariner 9 que o descobriu), que são o Grand Canyon lá do sítio, ainda que ele caiba bem lá dentro, tem cerca de 20 000 km de comprimento e atinge uma profundidade de 7 km.

Atravessamos depois uns "dias" em que nada de verdadeiramente significativo acontece no Universo (que nos ajude a perceber o nosso lugar nele, atenção!). Mas depois a sucessão de marcos históricos é incrível. Vejamos:
  • Dia 16: primeiros vermes
  • Dia 17: fim do précâmbrico. Início da era paleozoica e do período câmbrico. Desenvolvimento dos invertebrados
Interrompo aqui para recordar um facto. Não só o Homem ainda não existe, tal como faço sempre questão de lembrar, como os animais mais complexos que existem são os invertebrados, que ainda estão em fase de desenvolvimento! E estamos a uns meros 15 dias do final deste "ano cósmico". Haverá, com certeza, quem prefira pensar que estes 15 dias representam 600 e tal milhões de anos, e que isso é muito tempo. Eu, que sempre fui mais racional, penso que só falta 4% do tempo que decorreu desde t=0 (Big Bang) até agora, e nós, Homens, ainda somos um projeto à espera de nascer.

Continuando:
  • Dia 18: primeiro plâncton oceânico. Desenvolvimento das trilobites
  • Dia 19: período ordovício. Primeiros peixes, primeiros invertebrados
Impõe-se explicar o que são trilobites. Em linguagem corrente, são bichos muito feios. Em linguagem científica, são artrópodes, como as aranhas, os gafanhotos ou as centopeias. Não têm um aspeto bonito para quem não gosta de os estudar... ou de ter um a passar perto, como eu. Talvez, terem sido os primeiros animais a surgir na Terra justifique, em parte, o facto de aproximadamente 84% das espécies animais conhecidas sejam artrópodes. As trilobites possuíam um exoesqueleto com muito carbonato de cálcio, o que permitiu que deixassem uma imensa quantidade de fósseis. Foram também os primeiros animais a desenvolver olhos complexos. Os primeiros olhos à face da Terra...

Continuo no próximo post a falar dos últimos dias deste dezembro.
O dia 31 será tratado depois.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

CALENDÁRIO CÓSMICO - 2

Na sequência do post de há uns dias...

E se apertarmos, apertarmos, apertarmos os 15 mil milhões de anos que decorreram desde o Big Bang, o início da contagem do tempo (t=0), até hoje, por forma a que esses 15 mil milhões de anos tomem a forma de um único ano? Ficaremos com uma melhor perspetiva das coisas, porque a escala é-nos muito mais familiar. Essa é uma caraterística muito particular que distingue a Astronomia das outras Ciências: a escala. Mas sobre isso falo outro dia...

Voltando ao tema... o que se terá passado até ao "novo" dezembro, o deste "ano cósmico"?
Então vá, comecemos pelo óbvio, com mais duas datas de seguida:
  • 1 de janeiro: Big Bang
  • 1 de maio: origem da Via Látea
  • 9 de setembro: origem do Sistema Solar
Eh, pá... espera aí... já se passaram dois terços do ano e só agora começa a surgir o Sistema Solar?
Exatamente! (Sim, também fiquei surpreendido...)
Repare-se que, até aqui, a "única coisa" que aconteceu foi a acreção de matéria que andava "à deriva" após o Big Bang. A força gravítica foi fazendo com que se fossem formando as Galáxias e, mais tarde, os sistemas planetários, como o nosso, tal como representado em baixo.


Mais algumas "datas" significativas:
  • 14 de setembro: formação da Terra
  • 25 de setembro: origem da Vida na Terra
  • 2 de outubro: formação das rochas mais antigas que se conhecem na Terra
  • 9 de outubro: datas dos fósseis mais antigos (bactérias e algas azuis)
Entre a formação da Terra e o surgimento da Vida passaram cerca de 340 milhões de anos.
É muito?
É. À nossa escala...
O calendário cósmico revela que passaram apenas 9 dias, uma fração muito pequena do ano (de qualquer ano), desde que o nosso Planeta se formou até aparecer o primeiro microorganismo com vida.
Pode inferir-se daqui que somos uns verdadeiros privilegiados por habitar um Planeta com tão boas condições para o florescimento da Vida... mas que somos uns imbecis por destruir a Verdadeira Maravilha da Natureza: a própria Natureza! Mas isso são outras contas...

Mais uma data:
  • 1 de novembro: invenção do sexo pelos microorganismos
Não, não vou fazer piadas...
Mas aqui, mais que tudo, surge uma verdadeira evolução biológica. O sexo não pode deixar de ser considerado um salto de gigante na evolução da Vida.
E relembro: até aqui, nada de Homem. Zero! Está longe de aparecer! E não sei se já disse isto: ainda achamos que a Terra é nossa? NOSSA?

Continuando:
  • 12 de novembro: plantas fotossintéticas fósseis mais antigas
  • 15 de novembro: aparecimento das eucariotas
Sabem o que são as eucariotas? São as primeiras células com núcleo. Sem núcleo chamavam-se procariotas. Eram estruturas muito simples, sem núcleo nem órgãos internos, como as bactérias.
As eucariotas são bastante mais complexas, e além do núcleo surgem os CROMOSSOMAS.
Tão básicos eles são para a Vida tal como a conhecemos e, quando aparecem, já o Universo tem mais de 90% da sua idade atual... Deixo em baixo uma imagem que dá uma ideia do aumento de complexidade celular registado nesta altura.


Eu sei que já disse isto, mas o Homem ainda não apareceu, e já estamos a chegar a dezembro.

Nos próximos dias continuo...

terça-feira, 8 de maio de 2012

CALENDÁRIO CÓSMICO - 1

Por vezes temos a ideia de que o mundo sempre cá esteve, e que o Universo é intemporal. Não é.
Por vezes temos a ideia de que o Homem foi o primeiro ser a habitar o planeta, e por isso o domina. Não foi.
Por vezes temos a ideia de que temos mais direitos que os outros animais. Não temos.

Sem querer entrar em questões puramente filosóficas, hoje e no(s) próximo(s) post(s) vou falar um pouco de algo que, juntamente com outros fatores, serve de base real para as minhas afirmações de cima, o calendário cósmico de Carl Sagan.

Quem me conhece, sabe que Carl Sagan é uma inspiração para mim. Pelo brilhantismo da sua escrita e pela abrangência dos seus conhecimentos, pela disponibilidade de ensinar os outros e pela qualidade com que o faz, Sagan é o Sr. Ciência, um título que lhe atribuí e gosto de usar.
Não afirma nada que não justifique, não lança dúvidas sem dizer o porquê, não especula sem prevenir primeiro que o vai fazer. Isto é ser professor e cientista.

Pois bem, para melhor explicar o lugar do Homem no contexto geral da Vida, e para uma melhor visualização da história da Vida, do Planeta Terra e do próprio Universo, Sagan criou um calendário cósmico, cujas 0h do dia 1 de janeiro equivalem ao momento do Big Bang, e as 24h do dia 31 de dezembro equivalem, basicamente, a hoje...
Nessa escala que, como vou mostrar, nos dá uma perspetiva absolutamente diferente da nossa pequenez no contexto da Vida na Terra e da própria Terra, os 15 mil milhões de anos que passaram desde o Big Bang são comprimidos de tal forma que:
  • 1000 milhões de anos "reais" representam 24 dias deste "ano cósmico";
  • 475 anos "reais" representam 1 segundo do "ano cósmico".
Não é muito difícil de compreender a comparação, penso, mas se porventura algum leitor não compreender, por favor diga, que tratarei de tentar explicar melhor.
De qualquer forma, penso que os próximos posts trarão factos e exemplos bastante ilustrativos.

Também no "Cosmos" Sagan aborda este tema, mas no livro que estou correntemente a ler, "Os Dragões do Éden", o Sr. Ciência divide a sua explicação do calendário cósmico em 3 partes:
  • Datas anteriores a dezembro;
  • Mês de dezembro;
  • Dia 31 de dezembro.
Uma vez mais, a explicação do porquê desta divisão ficará clara no(s) próximo(s) post(s).

Não vou adiantar mais por hoje. Deixo apenas a dica para aqueles que ficaram curiosos (espero que muitos) seguirem este blogue nos próximos dias e até que participem porque, muito sinceramente, acho este tema muito interessante.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

MAIOR LUA DE 2012... aos nossos olhos

Amanhã, o céu vai ser iluminado por uma «Supar Lua». Trata-se da maior lua cheia do ano, que resulta do movimento elíptico que o satélite descreve à volta da Terra.

Quem este sábado à noite olhar para o céu, ficará com a ideia de que a lua está muito maior do que o habitual, um fenómeno que se justifica pelo facto de a lua estar no ponto mais próximo da elipse - o perigeu - a apenas 363 mil quilómetros da Terra.


O facto de esta passagem por esse ponto surgir numa altura de lua cheia dará a perceção de que a lua vai estar, nessa noite, 14% maior e 30% mais brilhante do que é. Os especialistas não esclarecem por que razão a lua parece maior, podendo tratar-se simplesmente de uma ilusão de ótica.

No Porto, a lua nasce às 20h12 e o ocaso será às 5h40, enquanto em Lisboa a lua nasce às 20h09 e põe-se na madrugada de domingo às 5h47.

«Se a luz da lua o acordar na noite de 5 de maio, o melhor será sair da cama e dar uma espreitadela», escreveu Tony Phillips, astrónomo que atualiza o site de informações da NASA.

Retirado de www.abola.pt