sexta-feira, 11 de maio de 2012

CALENDÁRIO CÓSMICO - 2

Na sequência do post de há uns dias...

E se apertarmos, apertarmos, apertarmos os 15 mil milhões de anos que decorreram desde o Big Bang, o início da contagem do tempo (t=0), até hoje, por forma a que esses 15 mil milhões de anos tomem a forma de um único ano? Ficaremos com uma melhor perspetiva das coisas, porque a escala é-nos muito mais familiar. Essa é uma caraterística muito particular que distingue a Astronomia das outras Ciências: a escala. Mas sobre isso falo outro dia...

Voltando ao tema... o que se terá passado até ao "novo" dezembro, o deste "ano cósmico"?
Então vá, comecemos pelo óbvio, com mais duas datas de seguida:
  • 1 de janeiro: Big Bang
  • 1 de maio: origem da Via Látea
  • 9 de setembro: origem do Sistema Solar
Eh, pá... espera aí... já se passaram dois terços do ano e só agora começa a surgir o Sistema Solar?
Exatamente! (Sim, também fiquei surpreendido...)
Repare-se que, até aqui, a "única coisa" que aconteceu foi a acreção de matéria que andava "à deriva" após o Big Bang. A força gravítica foi fazendo com que se fossem formando as Galáxias e, mais tarde, os sistemas planetários, como o nosso, tal como representado em baixo.


Mais algumas "datas" significativas:
  • 14 de setembro: formação da Terra
  • 25 de setembro: origem da Vida na Terra
  • 2 de outubro: formação das rochas mais antigas que se conhecem na Terra
  • 9 de outubro: datas dos fósseis mais antigos (bactérias e algas azuis)
Entre a formação da Terra e o surgimento da Vida passaram cerca de 340 milhões de anos.
É muito?
É. À nossa escala...
O calendário cósmico revela que passaram apenas 9 dias, uma fração muito pequena do ano (de qualquer ano), desde que o nosso Planeta se formou até aparecer o primeiro microorganismo com vida.
Pode inferir-se daqui que somos uns verdadeiros privilegiados por habitar um Planeta com tão boas condições para o florescimento da Vida... mas que somos uns imbecis por destruir a Verdadeira Maravilha da Natureza: a própria Natureza! Mas isso são outras contas...

Mais uma data:
  • 1 de novembro: invenção do sexo pelos microorganismos
Não, não vou fazer piadas...
Mas aqui, mais que tudo, surge uma verdadeira evolução biológica. O sexo não pode deixar de ser considerado um salto de gigante na evolução da Vida.
E relembro: até aqui, nada de Homem. Zero! Está longe de aparecer! E não sei se já disse isto: ainda achamos que a Terra é nossa? NOSSA?

Continuando:
  • 12 de novembro: plantas fotossintéticas fósseis mais antigas
  • 15 de novembro: aparecimento das eucariotas
Sabem o que são as eucariotas? São as primeiras células com núcleo. Sem núcleo chamavam-se procariotas. Eram estruturas muito simples, sem núcleo nem órgãos internos, como as bactérias.
As eucariotas são bastante mais complexas, e além do núcleo surgem os CROMOSSOMAS.
Tão básicos eles são para a Vida tal como a conhecemos e, quando aparecem, já o Universo tem mais de 90% da sua idade atual... Deixo em baixo uma imagem que dá uma ideia do aumento de complexidade celular registado nesta altura.


Eu sei que já disse isto, mas o Homem ainda não apareceu, e já estamos a chegar a dezembro.

Nos próximos dias continuo...

terça-feira, 8 de maio de 2012

CALENDÁRIO CÓSMICO - 1

Por vezes temos a ideia de que o mundo sempre cá esteve, e que o Universo é intemporal. Não é.
Por vezes temos a ideia de que o Homem foi o primeiro ser a habitar o planeta, e por isso o domina. Não foi.
Por vezes temos a ideia de que temos mais direitos que os outros animais. Não temos.

Sem querer entrar em questões puramente filosóficas, hoje e no(s) próximo(s) post(s) vou falar um pouco de algo que, juntamente com outros fatores, serve de base real para as minhas afirmações de cima, o calendário cósmico de Carl Sagan.

Quem me conhece, sabe que Carl Sagan é uma inspiração para mim. Pelo brilhantismo da sua escrita e pela abrangência dos seus conhecimentos, pela disponibilidade de ensinar os outros e pela qualidade com que o faz, Sagan é o Sr. Ciência, um título que lhe atribuí e gosto de usar.
Não afirma nada que não justifique, não lança dúvidas sem dizer o porquê, não especula sem prevenir primeiro que o vai fazer. Isto é ser professor e cientista.

Pois bem, para melhor explicar o lugar do Homem no contexto geral da Vida, e para uma melhor visualização da história da Vida, do Planeta Terra e do próprio Universo, Sagan criou um calendário cósmico, cujas 0h do dia 1 de janeiro equivalem ao momento do Big Bang, e as 24h do dia 31 de dezembro equivalem, basicamente, a hoje...
Nessa escala que, como vou mostrar, nos dá uma perspetiva absolutamente diferente da nossa pequenez no contexto da Vida na Terra e da própria Terra, os 15 mil milhões de anos que passaram desde o Big Bang são comprimidos de tal forma que:
  • 1000 milhões de anos "reais" representam 24 dias deste "ano cósmico";
  • 475 anos "reais" representam 1 segundo do "ano cósmico".
Não é muito difícil de compreender a comparação, penso, mas se porventura algum leitor não compreender, por favor diga, que tratarei de tentar explicar melhor.
De qualquer forma, penso que os próximos posts trarão factos e exemplos bastante ilustrativos.

Também no "Cosmos" Sagan aborda este tema, mas no livro que estou correntemente a ler, "Os Dragões do Éden", o Sr. Ciência divide a sua explicação do calendário cósmico em 3 partes:
  • Datas anteriores a dezembro;
  • Mês de dezembro;
  • Dia 31 de dezembro.
Uma vez mais, a explicação do porquê desta divisão ficará clara no(s) próximo(s) post(s).

Não vou adiantar mais por hoje. Deixo apenas a dica para aqueles que ficaram curiosos (espero que muitos) seguirem este blogue nos próximos dias e até que participem porque, muito sinceramente, acho este tema muito interessante.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

MAIOR LUA DE 2012... aos nossos olhos

Amanhã, o céu vai ser iluminado por uma «Supar Lua». Trata-se da maior lua cheia do ano, que resulta do movimento elíptico que o satélite descreve à volta da Terra.

Quem este sábado à noite olhar para o céu, ficará com a ideia de que a lua está muito maior do que o habitual, um fenómeno que se justifica pelo facto de a lua estar no ponto mais próximo da elipse - o perigeu - a apenas 363 mil quilómetros da Terra.


O facto de esta passagem por esse ponto surgir numa altura de lua cheia dará a perceção de que a lua vai estar, nessa noite, 14% maior e 30% mais brilhante do que é. Os especialistas não esclarecem por que razão a lua parece maior, podendo tratar-se simplesmente de uma ilusão de ótica.

No Porto, a lua nasce às 20h12 e o ocaso será às 5h40, enquanto em Lisboa a lua nasce às 20h09 e põe-se na madrugada de domingo às 5h47.

«Se a luz da lua o acordar na noite de 5 de maio, o melhor será sair da cama e dar uma espreitadela», escreveu Tony Phillips, astrónomo que atualiza o site de informações da NASA.

Retirado de www.abola.pt

sexta-feira, 27 de abril de 2012

ESTRELAS OUTRA VEZ!

O mau tempo em Portugal dá cabo de qualquer um, principalmente de quem é amante das Estrelas...
Olhar para o Céu e só ver nuvens, ou ter de sair de casa de guarda-chuva é um horror para quem prefere o que está do lado de lá da nossa atmosfera. Decididamente, os meus maiores gostos profissionais e pessoais, em matéria de trabalho, estão fora da Terra.

Mas adiante... Ontem foi um alívio. A chuva deu tréguas à noite, as nuvens foram enegrecer o Céu para outro lado, e as nossas amigas Estrelas puderam aparecer.
Mas não foram só as Estrelas. Também outros Mundos (como Carl Sagan classificava, entre outros corpos, os Planetas) apareceram. Vénus, Marte e Saturno, agora bem visíveis, cumprimentaram-nos.

Para os mais distraídos com as belezas do Céu Noturno, recordo as seguintes palavras sábias de Dante:
"Os Céus giram sobre ti mostrando-te as suas eternas glórias, mas os teus olhos limitam-se a fitar o chão.".

terça-feira, 3 de abril de 2012

ECLIPSE VISTO DO ESPAÇO

Estou sem muito tempo para fazer um post novo, tal como quero.
Entretanto, deixo-vos com mais um vídeo da NASA, que mostra um eclipse visto do Espaço...

A 21 de fevereiro de 2012, a Lua passou entre o Observatório da Dinâmica Solar (SDO - Solar Dynamics Observatory) da NASA, que é um satélite, e o Sol (observado aqui em luz ultravioleta). Essa passagem originou um eclipse parcial.
A equipa do SDO observou este trânsito lunar, que começou cerca das 8h10 e durou cerca de 1h50.


segunda-feira, 26 de março de 2012

ULTRAPASSAGEM CÓSMICA

Alguém já reparou em Vénus e em Júpiter ultimamente? Para quem não sabe, são aqueles dois pontos extremamente brilhantes que vemos nos nossos céus Portugueses ao fim da tarde ou início da noite.

Esta imagem de cima foi tirada nos EUA, mas é como se fosse em Portugal, porque a latitude é semelhante, mas esse detalhe fica como tema para outro post.

Há umas semanas, Vénus (sempre o mais brilhante) aparecia mais baixo no horizonte...
Júpiter estava a aproximar-se, há poucos dias esteve "lado a lado", segundo aquilo que os nossos olhos viam.
Agora é claro que Júpiter está mais baixo no horizonte, e todos os dias a diferença aumenta um bocadinho...

O que é que está a acontecer? Estes dois Corpos Celestes têm alguma coisa em comum?

Pois bem, o que está a acontecer é uma "ultrapassagem cósmica"... sim, fui eu que batizei assim o acontecimento. :)
Explico de seguida, com recurso a imagens, para que seja mais claro.


A imagem de cima representa, obviamente, o Sistema Solar visto "meio de topo". As circunferências concêntricas são as órbitas de cada um dos Planetas em torno do Sol.
Se imaginarmos que estamos a ver o Sistema Solar "de perfil", essas circunferências irão parecer-nos uma linha, uma vez que a inclinação da órbita de todos os Planetas é muito semelhante (esta foi uma das razões da "despromoção" de Plutão na sua classificação).

Essa linha chama-se Linha de Eclítica e marca a órbita dos Planetas. Se olharmos para o Céu, vemos que estes fazem sempre a mesma trajetória e se deslocam sempre sobre a mesma linha. Um software de Astronomia assinalará a linha de eclítica da seguinte forma:


Sem entrar em dados "numéricos", que pouca importância teriam para a compreensão deste fenómeno, o que vemos é uma "ultrapassagem" de Júpiter em relação a Vénus.

Podemos comparar o que vemos ao trânsito numa autoestrada com várias faixas.
Imaginemos que vamos na faixa da direita.
A ultrapassar-nos está um carro que viaja a 100 km/h, mas numa faixa mais interior, há outro veículo a circular a 140 km/h.
Se olharmos pelo retrovisor, vemos o veículo mais rápido a aproximar-se, a ultrapassar o nosso carro e o outro que circula a 100 km/h, e depois a afastar-se gradualmente...

Penso que esta analogia facilita a compreensão.

quarta-feira, 21 de março de 2012

ERUPÇÕES SOLARES - 4


E que tal concluir o assunto das erupções solares com um vídeo demonstrativo do poder de uma erupção?
Ocorreu em 24 de fevereiro.

Repare-se no filamento magnético que é expelido e a onda gigantesca de material solar que se espalha à superfície, tal e qual um tsunami. A onda tem cerca de 400 000 km de extensão.
Nestes 20 segundos estão representadas cerca de 6 horas na realidade.


domingo, 18 de março de 2012

A EVOLUÇÃO DA LUA

Este vídeo publicado pela NASA mostra numa escala temporal muito acelerada, obviamente, a evolução da Lua desde a sua formação até aos nossos dias, tal como a conhecemos.
Vale a pena perder uns minutinhos...


quarta-feira, 14 de março de 2012

ERUPÇÕES SOLARES - 3

No seguimento dos 2 últimos posts, concluo hoje este tema.

Tinha mostrado fotos das Auroras Boreal e Austral vistas do Espaço, ficam aqui hoje imagens vistas da Terra. São igualmente deslumbrantes. Estes fenómenos são visíveis nas zonas polares porque, como já tinha referido, é onde o campo magnético da Terra é mais débil. Para se ter uma visão destas nos céus de Portugal é preciso um evento no Sol com muito maior intensidade que o normal.


Ainda há poucos dias a Terra foi atingida pelas partículas emitidas numa explosão solar, e as auroras foram vistas na Ásia Central, a latitudes mais elevadas que aquela a que nós estamos:
  • Espinho: ~aprox. 41ºN
  • Lisboa: 38º 4'N
  • Rio de Janeiro: 22º 55'S

E por que motivo as tempestades solares afetam tanto as comunicações?
Bem, basta pensar que qualquer forma de radiação eletromagnética pode provocar interferências. Há sempre um sinal "interferente" e um sinal "interferido". Mas pensemos apenas no caso mais claro: o GPS e o uso de satélites de comunicações.

Em traços muito gerais, o GPS (Global Positioning System) é uma rede de satélites que opera a média e baixa altitude (MEO: Medium Earth Orbit; LEO: Low Earth Orbit). Este tipo de satélites usa órbitas polares ou quase polares, ou seja, orbitam a Terra passando por zonas próximas dos polos para permitir uma cobertura global do planeta. Ora, sendo estas zonas as mais afetadas pelos efeitos das erupções solares, será previsível um aumento do risco de interferências.

Mesmo os satélites de comunicações, com órbitas geoestacionárias (GEO: Geostationary Earth Orbit), apesar de situados quase exclusivamente sobre o Equador (0º latitude) ou próximo, acabam por poder sofrer com as erupções solares. O facto de estes satélites se situarem a aproximadamente 36 000 km de altitude, já fora da exosfera, no chamado "espaço exterior", e as auroras ocorrerem a cerca de 100 km de altitude, na linha de Karman, é ilustrativo da debilidade (ausência?) da proteção que a camada atmosférica e a magnetosfera podem oferecer a estes satélites.

Espero ter contribuído para ajudar a esclarecer um pouco dos fenómenos físicos associados às erupções solares.