A vida dá voltas com as quais não contamos, e coisas de que tanto gostamos e pelas quais tanto carinho temos acabam por, muitas vezes, ser postas de parte sem que o queiramos. É o caso deste blogue, o meu cantinho online para uma das minhas paixões: a Astronomia.
Aos poucos, quero retomar a minha atividade por aqui, quero continuar a eleição das 7 Maravilhas da Astronomia, mas esse assunto vai ficar em stand by para já.
Hoje partilho convosco uma questão que, não me incomodando particularmente, me faz pensar um pouco.
Serão os físicos e cientistas tão céticos quanto à Religião, que não admitam a intervenção divina na Criação?
Serão as várias religiões tão fechadas, que rejeitem os modelos atuais explicativos sobre a formação do Universo?
Dizem que Ciência e Religião são incompatíveis. Não concordo.
Acredito que há algo mais sobre as nossas cabeças, algo que não conseguiremos (nem teremos...) necessariamente de explicar e compreender.
Acredito que Deus está em nós, nas nossas ações para com o próximo, no nosso coração.
Acredito que o nosso ser tem um destino quando o corpo se apaga fisicamente, quando biologicamente as nossas células morrem. Qual destino, não faço ideia.
Ouve-se muitas vezes, na Eucaristia, a expressão "o Mistério da Fé". Talvez seja precisamente esse o seu sentido, porque nada é claro, é apenas aquilo em que acreditamos e o que sentimos. E isso não é físico.
Por outro lado, acredito na Teoria do Big Bang.
Acredito no modelo atual para a formação do Universo, pois tudo faz sentido.
Acredito na teoria da evolução das espécies de Darwin, pois toda ela faz sentido.
Acredito que não somos os únicos no Universo e que ele não foi feito para nós. Somos uns meros habitantes de um Planeta pequeno, que orbita uma Estrela pequena, nos arrabaldes de uma Galáxia de dimensão mediana. Como nós, existirão muitos mais.
Sinto que tudo se completa, Ciência e Religião.
Conto um episódio que aconteceu na semana passada.
Fui dar a minha corrida junto ao mar. Com menos luz, sinto-me sempre obrigado a contemplar o Céu.
Estava um fim de tarde fantástico, frio mas com Céu limpo e os Pontos de Luz impunham-se com facilidade. Já o Sol se tinha posto. Orion já estava gloriosa a Este, e Sírio estava mesmo a despontar. No mesmo Céu, tinha o privilégio de ver facilmente Júpiter e Vénus, belos e imponentes como sempre. Acompanhei a descida de Vénus para baixo da linha do horizonte.
Pareceu-me ver uma tonalidade ligeiramente mais alaranjada no seu brilho e associei esse facto à mudança de cor que vemos no Sol nessa fase do seu ciclo diário. Dispersão de Rayleigh, aprendi eu há uns dias e motivo de um post futuro, talvez aplicado a Vénus. Talvez fosse isso, vou investigar...
Mas o movimento (aparente) de Vénus (o movimento real é o da rotação da Terra) foi tão gracioso, tão suave, e acompanhado de cores tão belas, que o "pôr de Vénus" foi quase tão romântico como o pôr do Sol...
Perante uma explicação tão física de um momento tão doce, só posso concluir uma coisa:
Deus existe.