sexta-feira, 27 de abril de 2012

ESTRELAS OUTRA VEZ!

O mau tempo em Portugal dá cabo de qualquer um, principalmente de quem é amante das Estrelas...
Olhar para o Céu e só ver nuvens, ou ter de sair de casa de guarda-chuva é um horror para quem prefere o que está do lado de lá da nossa atmosfera. Decididamente, os meus maiores gostos profissionais e pessoais, em matéria de trabalho, estão fora da Terra.

Mas adiante... Ontem foi um alívio. A chuva deu tréguas à noite, as nuvens foram enegrecer o Céu para outro lado, e as nossas amigas Estrelas puderam aparecer.
Mas não foram só as Estrelas. Também outros Mundos (como Carl Sagan classificava, entre outros corpos, os Planetas) apareceram. Vénus, Marte e Saturno, agora bem visíveis, cumprimentaram-nos.

Para os mais distraídos com as belezas do Céu Noturno, recordo as seguintes palavras sábias de Dante:
"Os Céus giram sobre ti mostrando-te as suas eternas glórias, mas os teus olhos limitam-se a fitar o chão.".

terça-feira, 3 de abril de 2012

ECLIPSE VISTO DO ESPAÇO

Estou sem muito tempo para fazer um post novo, tal como quero.
Entretanto, deixo-vos com mais um vídeo da NASA, que mostra um eclipse visto do Espaço...

A 21 de fevereiro de 2012, a Lua passou entre o Observatório da Dinâmica Solar (SDO - Solar Dynamics Observatory) da NASA, que é um satélite, e o Sol (observado aqui em luz ultravioleta). Essa passagem originou um eclipse parcial.
A equipa do SDO observou este trânsito lunar, que começou cerca das 8h10 e durou cerca de 1h50.


segunda-feira, 26 de março de 2012

ULTRAPASSAGEM CÓSMICA

Alguém já reparou em Vénus e em Júpiter ultimamente? Para quem não sabe, são aqueles dois pontos extremamente brilhantes que vemos nos nossos céus Portugueses ao fim da tarde ou início da noite.

Esta imagem de cima foi tirada nos EUA, mas é como se fosse em Portugal, porque a latitude é semelhante, mas esse detalhe fica como tema para outro post.

Há umas semanas, Vénus (sempre o mais brilhante) aparecia mais baixo no horizonte...
Júpiter estava a aproximar-se, há poucos dias esteve "lado a lado", segundo aquilo que os nossos olhos viam.
Agora é claro que Júpiter está mais baixo no horizonte, e todos os dias a diferença aumenta um bocadinho...

O que é que está a acontecer? Estes dois Corpos Celestes têm alguma coisa em comum?

Pois bem, o que está a acontecer é uma "ultrapassagem cósmica"... sim, fui eu que batizei assim o acontecimento. :)
Explico de seguida, com recurso a imagens, para que seja mais claro.


A imagem de cima representa, obviamente, o Sistema Solar visto "meio de topo". As circunferências concêntricas são as órbitas de cada um dos Planetas em torno do Sol.
Se imaginarmos que estamos a ver o Sistema Solar "de perfil", essas circunferências irão parecer-nos uma linha, uma vez que a inclinação da órbita de todos os Planetas é muito semelhante (esta foi uma das razões da "despromoção" de Plutão na sua classificação).

Essa linha chama-se Linha de Eclítica e marca a órbita dos Planetas. Se olharmos para o Céu, vemos que estes fazem sempre a mesma trajetória e se deslocam sempre sobre a mesma linha. Um software de Astronomia assinalará a linha de eclítica da seguinte forma:


Sem entrar em dados "numéricos", que pouca importância teriam para a compreensão deste fenómeno, o que vemos é uma "ultrapassagem" de Júpiter em relação a Vénus.

Podemos comparar o que vemos ao trânsito numa autoestrada com várias faixas.
Imaginemos que vamos na faixa da direita.
A ultrapassar-nos está um carro que viaja a 100 km/h, mas numa faixa mais interior, há outro veículo a circular a 140 km/h.
Se olharmos pelo retrovisor, vemos o veículo mais rápido a aproximar-se, a ultrapassar o nosso carro e o outro que circula a 100 km/h, e depois a afastar-se gradualmente...

Penso que esta analogia facilita a compreensão.

quarta-feira, 21 de março de 2012

ERUPÇÕES SOLARES - 4


E que tal concluir o assunto das erupções solares com um vídeo demonstrativo do poder de uma erupção?
Ocorreu em 24 de fevereiro.

Repare-se no filamento magnético que é expelido e a onda gigantesca de material solar que se espalha à superfície, tal e qual um tsunami. A onda tem cerca de 400 000 km de extensão.
Nestes 20 segundos estão representadas cerca de 6 horas na realidade.


domingo, 18 de março de 2012

A EVOLUÇÃO DA LUA

Este vídeo publicado pela NASA mostra numa escala temporal muito acelerada, obviamente, a evolução da Lua desde a sua formação até aos nossos dias, tal como a conhecemos.
Vale a pena perder uns minutinhos...


quarta-feira, 14 de março de 2012

ERUPÇÕES SOLARES - 3

No seguimento dos 2 últimos posts, concluo hoje este tema.

Tinha mostrado fotos das Auroras Boreal e Austral vistas do Espaço, ficam aqui hoje imagens vistas da Terra. São igualmente deslumbrantes. Estes fenómenos são visíveis nas zonas polares porque, como já tinha referido, é onde o campo magnético da Terra é mais débil. Para se ter uma visão destas nos céus de Portugal é preciso um evento no Sol com muito maior intensidade que o normal.


Ainda há poucos dias a Terra foi atingida pelas partículas emitidas numa explosão solar, e as auroras foram vistas na Ásia Central, a latitudes mais elevadas que aquela a que nós estamos:
  • Espinho: ~aprox. 41ºN
  • Lisboa: 38º 4'N
  • Rio de Janeiro: 22º 55'S

E por que motivo as tempestades solares afetam tanto as comunicações?
Bem, basta pensar que qualquer forma de radiação eletromagnética pode provocar interferências. Há sempre um sinal "interferente" e um sinal "interferido". Mas pensemos apenas no caso mais claro: o GPS e o uso de satélites de comunicações.

Em traços muito gerais, o GPS (Global Positioning System) é uma rede de satélites que opera a média e baixa altitude (MEO: Medium Earth Orbit; LEO: Low Earth Orbit). Este tipo de satélites usa órbitas polares ou quase polares, ou seja, orbitam a Terra passando por zonas próximas dos polos para permitir uma cobertura global do planeta. Ora, sendo estas zonas as mais afetadas pelos efeitos das erupções solares, será previsível um aumento do risco de interferências.

Mesmo os satélites de comunicações, com órbitas geoestacionárias (GEO: Geostationary Earth Orbit), apesar de situados quase exclusivamente sobre o Equador (0º latitude) ou próximo, acabam por poder sofrer com as erupções solares. O facto de estes satélites se situarem a aproximadamente 36 000 km de altitude, já fora da exosfera, no chamado "espaço exterior", e as auroras ocorrerem a cerca de 100 km de altitude, na linha de Karman, é ilustrativo da debilidade (ausência?) da proteção que a camada atmosférica e a magnetosfera podem oferecer a estes satélites.

Espero ter contribuído para ajudar a esclarecer um pouco dos fenómenos físicos associados às erupções solares.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

ERUPÇÕES SOLARES - 2

Continuando a falar das erupções solares...

A Terra, como todos os Planetas (uns mais que outros), possui um campo magnético, que é, basicamente, um conjunto de linhas de força, invisíveis mas sensíveis, criadas por correntes elétricas no núcleo externo líquido da Terra.


Campo magnético terrestre

Este campo protege a Terra de agressões magnéticas externas, como as erupções solares, porque cria uma magnetosfera que envolve o planeta e se estende por dezenas de milhares de quilómetros em seu redor.
As partículas carregadas expelidas pelo Sol viajam pelo espaço até atingir a Terra, mas não o conseguem de forma direta porque são defletidas pela ação da magnetosfera.
Na foto em baixo, podem ver-se as linhas de força do campo magnético da Terra a azul claro, a linha que "traça" o limite de influência da magnetosfera a violeta, e os raios emitidos pelo Sol a branco. Verifica-se facilmente que o campo magnético, mesmo que protegido, sofre com a violência do vento solar.


Ação da magnetosfera

Contudo, o Planeta não está coberto pelo mesmo grau de proteção. Em alguns pontos, essa proteção é mais débil. Pelas imagens em cima, deduz-se facilmente que os polos norte e sul são os pontos de menor proteção, porque as linhas de força conduzem todas as partículas carregadas para lá.
As partículas, ao entrar em contacto com as camadas superiores da atmosfera (ionosfera), ionizam-se e provocam as Auroras Boreal (a norte) e Austral (a sul), que não são, então, mais que o choque de partículas carregadas do Sol com a atmosfera da Terra. Já todos vimos fotos das Auroras vistas da Terra, e sempre ficamos maravilhados, mas provavelmente poucos viram essas imagens do Espaço. Aqui ficam algumas fotos...




Auroras vistas do Espaço
Continuo no próximo post a falar dos efeitos das erupções solares na Terra.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

ERUPÇÕES SOLARES - 1

O jornal "A Bola", aqui em Portugal, noticia o seguinte:

http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=312038
Erupção Detetada
Transcrevo:
Erupção solar obriga a desvio de voos

Uma companhia aérea americana foi forçada a desviar alguns voos devido à perturbação nas comunicações que está a ser causada pelas radiações provenientes da erupção solar que está em curso.

Os efeitos sobre a superfície terrestre mal se fazem notar, mas no ar as consequências começam a ser identificadas.
Alguns voos entre a cidade de Detroit e destinos asiáticos foram desviados para evitar complicações nos voos. 
As partículas com carga elétrica que estavam a dirigir-se para o planeta estão a ser desviadas pelo campo magnético terrestre, o que para os cientistas justifica as reduzidas consequências na superfície.
Segundo a agência de notícias Reuters, os voos desviados são os que tinham rotas mais próximas do Polo Norte, e por isso os mais sujeitos a ser afetados, mas a decisão de mudar o trajeto acrescenta 15 minutos ao tempo da viagem.
O porta-voz da Delta Airlines, Anthony Black, explicou o desvio dos voos: «Estamos a atravessar uma série de erupções solares que estão a ter impacto na parte mais a norte do planeta. Isso pode ter consequências nas nossas comunicações. Por isso, as rotas polares estão basicamente a ser feitas mais a sul do que o normal.»
Pelos mesmos motivos a companhia United Airlines também teve que desviar um voo da sua rota normal.
A agência federal norte-americana National Oceanic and Atmospheric Administration, que regula as condições marítimas e atmosféricas, considerou esta erupção solar como a mais forte dos últimos sete anos.

Nos próximos posts pretendo esclarecer três aspetos principais:
  1. O que é uma erupção solar?
  2. Porque é que os voos mais afetados são os que passam perto do Pólo Norte?
  3. Afeta as comunicações porquê?
Dedico-me hoje só à parte da erupção solar e deixo as outras questões para depois.
Erupção Solar
O que é uma erupção solar?

Primeiro, temos sempre de ter presente que o Sol não é apenas uma bola de luz. O Sol, não tendo vida no verdadeiro sentido da palavra, tem-na sob a forma de movimento, brilho, produção de luz e energia, reações químicas, explosões, até beleza própria, como qualquer outra Estrela.
Sendo o seu interior constituído por correntes de plasma a temperaturas altíssimas e pressões extremas, por vezes surgem alterações súbitas no seu campo magnético, que fazem explodir a matéria que compõe as camadas superiores do Sol. Estas alterações de campo magnético são, então, a causa maior das erupções solares.

O ciclo de atividade magnética no Sol é de 11 anos, e tem máximos e mínimos. Podemos "avaliar", ou "medir", essa atividade, através do número de erupções e de manchas solares. Quando há menos manchas, normalmente há mais erupções...
Estas manchas são zonas mais frias, de campos magnéticos muito fortes que atraem uma grande quantidade de plasma, que impede a emissão para o espaço de protões e eletrões entretanto produzidos. Quando esse plasma cede, há uma erupção...

 Manchas Solares

Estas explosões expelem para o espaço partículas eletricamente carregadas. E é a partir daqui que começo o próximo post.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

INFINITAMENTE PEQUENOS

O post de hoje não vem no seguimento direto do anterior, mas está, de alguma forma, relacionado.

Terá o Universo mesmo sido feito PARA o Homem?
Ou podemo-nos gabar de ter um Universo habitado também PELO Homem?

Já alguém parou para pensar no que verdadeiramente somos? Em quão insignificantes somos no contexto do nosso Universo?

Somos 6 ou 7 BILIÕES de pessoas num pequeno Planeta, que gira em torno de uma pequena Estrela, que é apenas um sol dos cerca de CEM MIL MILHÕES de sois existentes na nossa Galáxia. Galáxia esta que é uma entre os muitos milhares de milhões existentes.


Esta da foto é a Galáxia de Andrómeda, o objeto 31 do Catálogo de Messier (M31). É muito semelhante à nossa própria Galáxia, a Via Látea. O nosso solzinho está metido num dos braços espiralados da nossa Galáxia. Não se vê nem se destaca, claro está. Muito menos se vê ou se destaca o nosso microplaneta Terra. E mesmo pequeno, não conseguimos cuidar decentemente dele, tais são os riscos a que o expomos com os nossos caprichos de humanos mimados que somos.

Somos todos pequeninos no mundo, no Universo. Mas nem todos temos de ser pequeninos de pensamentos e sentimentos, de crenças e emoções.
Cabe a cada um de nós fazer a diferença. Ridícula comparada com a dimensão do Universo, gigantesca em relação a quem nos rodeia.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

CIÊNCIA E/OU RELIGIÃO?

A vida dá voltas com as quais não contamos, e coisas de que tanto gostamos e pelas quais tanto carinho temos acabam por, muitas vezes, ser postas de parte sem que o queiramos. É o caso deste blogue, o meu cantinho online para uma das minhas paixões: a Astronomia.

Aos poucos, quero retomar a minha atividade por aqui, quero continuar a eleição das 7 Maravilhas da Astronomia, mas esse assunto vai ficar em stand by para já.

Hoje partilho convosco uma questão que, não me incomodando particularmente, me faz pensar um pouco.
Serão os físicos e cientistas tão céticos quanto à Religião, que não admitam a intervenção divina na Criação?
Serão as várias religiões tão fechadas, que rejeitem os modelos atuais explicativos sobre a formação do Universo?

Dizem que Ciência e Religião são incompatíveis. Não concordo.

Acredito que há algo mais sobre as nossas cabeças, algo que não conseguiremos (nem teremos...) necessariamente de explicar e compreender.
Acredito que Deus está em nós, nas nossas ações para com o próximo, no nosso coração.
Acredito que o nosso ser tem um destino quando o corpo se apaga fisicamente, quando biologicamente as nossas células morrem. Qual destino, não faço ideia.
Ouve-se muitas vezes, na Eucaristia, a expressão "o Mistério da Fé". Talvez seja precisamente esse o seu sentido, porque nada é claro, é apenas aquilo em que acreditamos e o que sentimos. E isso não é físico.


Por outro lado, acredito na Teoria do Big Bang.
Acredito no modelo atual para a formação do Universo, pois tudo faz sentido.
Acredito na teoria da evolução das espécies de Darwin, pois toda ela faz sentido.
Acredito que não somos os únicos no Universo e que ele não foi feito para nós. Somos uns meros habitantes de um Planeta pequeno, que orbita uma Estrela pequena, nos arrabaldes de uma Galáxia de dimensão mediana. Como nós, existirão muitos mais.


Sinto que tudo se completa, Ciência e Religião.

Conto um episódio que aconteceu na semana passada.
Fui dar a minha corrida junto ao mar. Com menos luz, sinto-me sempre obrigado a contemplar o Céu.
Estava um fim de tarde fantástico, frio mas com Céu limpo e os Pontos de Luz impunham-se com facilidade. Já o Sol se tinha posto. Orion já estava gloriosa a Este, e Sírio estava mesmo a despontar. No mesmo Céu, tinha o privilégio de ver facilmente Júpiter e Vénus, belos e imponentes como sempre. Acompanhei a descida de Vénus para baixo da linha do horizonte.
Pareceu-me ver uma tonalidade ligeiramente mais alaranjada no seu brilho e associei esse facto à mudança de cor que vemos no Sol nessa fase do seu ciclo diário. Dispersão de Rayleigh, aprendi eu há uns dias e motivo de um post futuro, talvez aplicado a Vénus. Talvez fosse isso, vou investigar... 
Mas o movimento (aparente) de Vénus (o movimento real é o da rotação da Terra) foi tão gracioso, tão suave, e acompanhado de cores tão belas, que o "pôr de Vénus" foi quase tão romântico como o pôr do Sol... 

Perante uma explicação tão física de um momento tão doce, só posso concluir uma coisa:
Deus existe.